sábado, 08 de maio de 2021

Violência
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Número de assassinatos sobe 64% em toda a Paraíba, segundo mapa da violência

Beto Pessoa e Katiana Ramos / 06 de junho de 2018
Foto: Reprodução
Em dez anos, o número de homicídios cresceu 64,2% na Paraíba. Em 2006, eram registrados 825 assassinatos, volume que em uma década subiu para 1.355. A taxa é de 33,9 homicídios por 100 mil habitantes, volume que supera números de países inteiros, como o Uruguai, que tem uma taxa de 6,4 homicídios por 100 mil habitantes, mesmo tendo uma população similar a da Paraíba.

Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2018, divulgado nessa terça-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De acordo com a pesquisa, foram mais de 13 mil homicídios nos últimos dez anos na Paraíba, volume considerado alto, segundo a presidente da Comissão de Políticas de Segurança e Combate às Drogas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraíba (OAB-PB), Kátia Sitônio. Ela apontou a falta de políticas públicas de enfrentamento e prevenção à violência como um dos fatores responsáveis pelo aumento no número de mortes violentas no Estado.

“Nós não temos, nem a nível estadual, regional e nacional políticas efetivas de combate à violência que mostrem resultados significativos. Os governos têm que investir em políticas sociais e de educação para que as crianças e adolescentes não entrem na criminalidade e não sejam usados pelo tráfico, porque esses são a maior parte das vítimas dos homicídios”, disse a representante da OAB-PB.

Em todo País, apenas entre 2006 e 2016, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional. O salto neste período foi de 25,8%, saindo de 49.704 para 62.517. Foram 30,3 assassinatos por 100 mil habitantes no País em 2016, destacou o estudo. Essa taxa é 30 vezes maior do que o número de mortos por 100 mil habitantes na Europa, segundo o estudo.

Os homicídios respondem por 56,5% dos óbitos de homens entre 15 a 19 anos no Brasil. Em 2016, 33.590 jovens foram assassinados – aumento de 7,4% em relação a 2015 –, sendo 94,6% homens.

Houve crescimento na quantidade de jovens assassinados em 20 Unidades da Federação no ano de 2016, com destaque para Acre (aumento de 84,8%) e Amapá (41,2%), seguidos por Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Roraima.

Queda entre 2015 e 2016. Apesar do aumento no volume de homicídios quando comparados os últimos dez anos, o Atlas da Violência 2018 mostrou que a Paraíba conseguiu diminuir as ocorrências nos dois últimos anos de análise.

Entre 2015 e 2016 a queda no volume de assassinatos foi de 11%, passando de 1.522 para 1.355. A taxa por 100 mil habitantes caiu de 38,3 casos para 33,9 (-11,6%).

De todas as pessoas assassinadas no Brasil em 2016, 71,5% eram pretas ou pardas. Naquele mesmo ano, a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia superior à de não negros (40,2 contra 16,0). Contudo, em nove Estados as taxas de homicídio de negros decresceram na década de 2006 a 2016, entre eles São Paulo (-47,7%), Rio de Janeiro (-27,7%) e Espírito Santo (-23,8%).

Na Paraíba, taxa de homicídio de negros cresceu 53,5% entre 2006 e 2016, passando de 30,3 para 46,5 assassinatos por 100 mil habitantes. Apesar do aumento na última década, houve queda de 11,1% quando analisados os anos de 2015 e 2016.

Negras

Na Paraíba, a única taxa de homicídios que apresentou alta entre 2015 e 2016, últimos dois anos analisados pelo Atlas da Violência 2018, foi a de mulheres negras. A alta foi de 1,4% na taxa de assassinatos por 100 mil habitantes. No comparativo dos últimos dez anos, o aumento nesta taxa foi de 55,1%, passando de 4,3 para 6,7. Em todo país, o aumento foi de 23,1% (nos últimos dez anos de análise) e 6,9% (entre 2015 e 2016).

Nota

A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Seds) destacou apenas a redução na taxa de homicídios no Estado de 2015 a 2016. “Implementamos uma política pública com foco em reduzir a quantidade de assassinatos no estado, que chegou a crescer mais de 24% ao ano antes da nossa gestão. Hoje, estamos na contramão do que acontece no país e principalmente no Nordeste, sendo o único estado da federação a acumular redução consecutiva de seis anos dos assassinatos”, disse o secretário da pasta, Cláudio Lima.

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