terça, 25 de junho de 2019
Tartarugas
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Nove tartarugas mortas no litoral paraibano

Lucilene Meireles / 02 de fevereiro de 2017
Foto: Reprodução
Nove tartarugas foram encontradas mortas no Litoral paraibano em menos de uma semana. Somando, desde o início do ano, 25 animais perderam a vida por conta da ingestão de lixo ou presas em redes de pesca. O que chama a atenção é que o número não condiz com o total real de óbitos, já que nem sempre a ONG Guajiru, responsável pelo monitoramento das tartarugas na Paraíba, tem conhecimento do caso.

“Só semana passada foram cinco encontradas na praia. Isso com mais duas no domingo, outra ontem e uma hoje (ontem)”, contabilizou a coordenadora do Projeto Tartarugas Urbanas e da Associação Guajiru: Ciência - Educação - Meio Ambiente, Rita Mascarenhas. “Não temos acesso a todo o litoral por falta de logística. Além disso, alguns estudos dizem que somente de 14% a 17% das tartarugas que morrem no mar, as carcaças chegam à praia. Ou seja, o número de mortes é muito maior que o observado”, lamentou.

A maioria das tartarugas que morrem é da espécie verde, que é a mais comum em toda a costa brasileira. Conforme a bióloga, elas vivem nos bancos de algas que são suas áreas de alimentação. Porém, há outras espécies que vêm para o Litoral paraibano e acabam morrendo, como a tartaruga de pente, a oliva, que é mais comum em Sergipe, e a cabeçuda, típica do Litoral baiano. A maior parte das tartarugas mortas são juvenis, com média de 55 cm de casco. Elas só são consideradas adultas quando atingem por volta de 90 cm de carapaça, segundo a especialista. “Aqui, o lixo e as redes de pesca são as principais causas de mortes, mais ou menos na mesma proporção de ocorrência”, declarou.

Para Rita, a situação da mortandade de tartarugas no Litoral da Paraíba é um reflexo da situação mundial. “Infelizmente, é assim no mundo todo. Lembrando que nem sempre as carcaças que encontramos nas praias paraibanas são de tartarugas que morreram no nosso Litoral. As correntes e os ventos carregam as carcaças por quilômetros no mar até que encalhem em algum lugar”, observou. Ela disse que as tartarugas mortas aparecem em toda a orla, mas a frequência maior é nas praias abertas onde as ondas empurram as carcaças para a beira.

O que fazer?

Se alguém encontrar uma tartaruga viva ou morta, deve chamar os órgãos ambientais, como a Polícia Ambiental. De acordo com a bióloga, não se deve colocar a mão, pois o animal em decomposição tem bactérias e fungos.  A Polícia Ambiental avisa a Guajiru as ocorrências. Os contatos com a ONG podem ser feitos pela página Tartarugas Urbanas – Guajiru, no Facebook, ou Instagram (@tartarugas_urbanas).

De quem é a culpa?

“O descarte de lixo nas praias e em qualquer outro lugar enfeia o ambiente e, sobretudo, polui, libera substâncias químicas nocivas que, no final fazem mal a nós humanos. E o mais evidente problema é a morte de mais de 200 espécies de animais marinhos pela ingestão desse lixo. Portanto, uma única pessoa ao descartar seu lixo indevidamente, prejudica todas as demais pessoas e é responsável pela morte de tartarugas nessas praias”, disse Rita Mascarenhas.

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