quarta, 03 de março de 2021

Tabagismo
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Câncer de pulmão faz 153 vítimas na Paraíba

Lucilene Meireles / 31 de maio de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
A vendedora de frutas Jéssica Anselmo tem 25 anos e uma relação de oito com o cigarro. “Tudo começou com um ‘desejo’ de fumar na primeira gravidez, aos 17 e, desde então, não parei mais”. Nas três gestações seguintes, ela não abriu mão do cigarro e garante que os filhos são saudáveis, mas apesar da vontade de deixar o vício, não consegue.

Nesta quarta-feira (31), Dia Mundial sem Tabaco, ela e outros dependentes terão acesso a serviços de saúde na sede da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), em João Pessoa, o que pode ser o primeiro passo para se libertar e fugir da morte. No Estado, este ano, já são 153 óbitos em virtude do câncer de pulmão, uma das principais complicações decorrentes do tabagismo que, na maioria das vezes, começa muito cedo.

A estudante Luciana Diniz, 22, vive esse drama. Ela fuma há quase seis anos.

“Sou esportista desde os dez, gosto muito de atividade física, faço dieta, academia, não consumo bebida alcoólica, mas até agora não consegui parar de fumar. Todos os dias quando acordo penso em parar, porque tenho consciência de que não me faz bem. Já sinto o cansaço, o peso na saúde, e principalmente no bolso, pois gasto R$ 11 por dia, já que fumo uma carteira diariamente. Por todos esses males, vou buscar ajuda, preciso parar logo, porque não quero me prejudicar, chegar a ser acamada por conta de um vício maldito”, disse a jovem.

Dores no peito, pigarro, tosse, cansaço são apenas alguns dos problemas que a vendedora Jéssica Anselmo relatou. O comerciante José Cardoso da Silva, 63, que fuma há 50, também sente as consequências, como tosse e dores. Luciana diz que vai buscar socorro, mas o idoso e a vendedora não sabem sequer por onde começar. “Quero parar, mas não sei como fazer”, declarou Cardoso.

Na Paraíba, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), existem vários Centros de Referência para Tratamento dos Fumantes, onde eles podem buscar apoio para se livrarem do vício em nicotina. Em alguns casos, de acordo com a SES, os pacientes abandonam o cigarro com menos de um mês de acompanhamento.

O tratamento é mantido pelo Ministério da Saúde, que repassa medicamentos ao Estado que, por sua vez, encaminha aos municípios. O Estado é responsável também pela qualificação das equipes e monitoramento do programa de tabagismo. Os municípios implantam e executam o tratamento, através do Programa Nacional de Controle do Tabagismo.

A chefe do Núcleo de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (Ndants), Gerlane Carvalho, destacou a necessidade das ações que acontecem hoje. “O objetivo é sensibilizar a população para a importância da prevenção e tratamento do tabagismo, alertando sobre seus riscos e a importância de ambientes 100% livres da fumaça de tabaco”, afirmou.

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