terça, 11 de maio de 2021

Surto
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Cresce em 263% as notificações de dengue na Paraíba; SES não descarta epidemia

Beto Pessoa / 22 de maio de 2018
Foto: Arquivo
Os surtos de dengue estão de volta em vários municípios paraibanos e a Secretaria de Estado da Saúde (SES) não descarta o risco de uma nova epidemia, igual ou maior que a de 2016, quando foram notificados quase 45 mil casos e apenas quatro cidades não tiveram registro da doença. Somente este ano já foram registrados 3.114 casos de dengue em toda o Estado. O volume é 263% maior que o registrado até abril do ano

passado, segundo dados da SES, cenário que tem motivado o reforço das campanhas educativas para o combate a proliferação do Aedes aegypti.

A gerente executiva de Vigilância em Saúde da SES, Renata Nóbrega, explicou que a dengue na verdade nunca foi embora, por ser típica da região Nordeste e que apenas estava sob controle. Por isso, mais uma vez ganha destaque o papel da população no combate ao mosquito transmissor da dengue. “Se não houver o envolvimento da população, principalmente no combate do vetor transmissor, poderemos sim ter a volta

de uma epidemia como já aconteceu. A gente sempre fala que pelo menos uma vez por semana as pessoas devem olhar seu entorno, o lugar que trabalham e moram, tentando eliminar os possíveis focos. Muita gente descarta lixo de todo jeito e isso contribui para essa proliferação”, disse.

Num giro pela cidade, o cenário é corriqueiro. Às margens da BR 230, no trecho próximo a ponte sobre o Rio Jaguaribe, no bairro São José, há dois depósitos da Emlur para descarte de lixo. Mas a população insiste em jogar os resíduos no chão, criando focos para proliferação do mosquito.

O mesmo cenário foi encontrado na Rua Porfírio Costa, no bairro Cruz das Armas, e na Rua Capitão Francisco Pereira, no Bairro dos Novaes. Em todos foi possível encontrar ambientes propícios ao surgimento do mosquito transmissor da dengue, com pneus, copos e garrafas plásticas com água acumulada.

Morador da região há 9 anos, Severino Gonçalves, de 52 anos, diz que falta mais conscientização dos que vivem ali. “A Emlur passa toda semana, mas o povo joga no chão. A gente às vezes toca fogo, para diminuir o lixo, mas é muita gente jogando, não tem como ficar limpo”, disse.

Até o último dia 7 deste mês, segundo a SES, foram 3.114 notificações, 191 casos descartados e 916 confirmações, sendo 24 em estado grave. Neste período, foram dois óbitos: um em Juazeirinho e outro em Campina Grande. Renata Nóbrega, disse que o salto nos números pode ser decorrência da subnotificação em algumas cidades ou ao aumento nas chuvas deste ano, em relação com o mesmo período do ano passado.

Risco também para outras doenças



A volta da dengue também pode vir acompanhada de outras arboviroses, como zika e chikungunya. Na edição do último domingo, a médica Adriana Melo, responsável pela pesquisa que relacionou o vírus da zika à microcefalia, disse que, enquanto não foi desenvolvida uma vacina contra doença, a exemplo do que foi feito com a paralisia infantil, há risco de novas epidemias. A médica salientou ainda que há o risco de haver mutação do vírus e desenvolver mais de um tipo de zika.

NÚMEROS

Último Levantamento Rápido de Índices para a Aedes aegypti em 91 municípios estão com alto risco para epidemia, pois apresentam uma taxa de mais de 4 casos por 100 mil habitantes; 100 municípios apresentaram entre 1 e 3,9 casos por 100 mil habitantes (médio risco

para epidemia) este ano.

Os municípios com mais casos foram:

Coremas - 592

João Pessoa - 538

Juazeirinho - 211

Sousa - 184

Sossego - 173

Queimadas - 155

Cabaceiras - 110

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