terça, 26 de janeiro de 2021

Saúde
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Paraibanos avaliam saúde como péssima e cobram soluções

Amanda Gabriel / 25 de fevereiro de 2018
Todo mundo conhece ou já vivenciou uma história que escancara a incapacidade do poder público de prestar um serviço de saúde de qualidade e eficiente. E essa insatisfação popular foi refletida em enquete promovida pelo Portal Correio, entre os dias 17 e 23 de fevereiro. A pesquisa teve 865 votos e 51,09% (442 votos) avaliaram a saúde como péssima e 21,5% (186 votos) como ruim. Apenas 12% dos votantes opinaram que o sistema de saúde na Paraíba atende às necessidades da população de maneira satisfatória.

“Nas principais cidades do Estado, os hospitais regionais praticamente não existem”, reclamou o leitor Silvio Macedo. “A Saúde é péssima, um exemplo é o Cedmex de João Pessoa, onde tem remédio faltando há mais de mês, sendo que o paciente precisa tomar sem interrupção”, acrescentou um leitor que se identificou como Saul Davi. “Faltam médicos, faltam remédios, condições do ambiente deploráveis e péssimo atendimento são características dos hospitais do estado”, acrescentou o leitor Anderson Vieira.

A promotora da Saúde, Graça Azevedo, do Ministério Público da Paraíba (MPPB), classificou o resultado da enquete do Portal Correio como “alarmante” e lamentou a alta porcentagem de pessoas insatisfeitas com o serviço, mas reconheceu que há grande déficit na prestação de atendimentos.

" É muito triste que uma parcela tão grande da população esteja insatisfeita. O Sistema Único de Saúde sempre foi subfinanciado, pois tem enfrentado problemas de arcar com o fornecimento de medicamentos até a realização de cirurgias", disse Graça Azevedo, promotora da Saúde do MPPB.

O jeito é ir à Justiça

Recentemente, o Portal Correio noticiou uma denúncia contra o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa. Segundo a família de um paciente, a cirurgia planejada para ele teria sido cancelada devido à falta de luvas, máscaras e medicamentos.

Na região metropolitana, a Promotoria da Saúde em Bayeux instaurou inquérito civil para apurar a morte de três pacientes, no período de apenas um mês, por ausência de leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs) no estado. Os pacientes encontravam-se internados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Bayeux e necessitavam ser internados em UTI, mas não foram encontradas vagas nos hospitais da Capital.

Em dois dos casos, a promotoria havia ingressado com ação civil pública e conseguido liminar judicial que determinava ao Estado a internação dos pacientes.

As administrações do Estado, de João Pessoa e de Bayeux têm 30 dias para apresentar informações sobre leitos em UTIs, conforme determinação da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Bayeux.

Para Graça Azevedo, os pilares do problema na Saúde pública não só da Paraíba, como de todo o país, são as más administrações e o desinteresse de governos, fatores que a população tenta compensar ao recorrer à Justiça para ter direito a atendimento ou tratamentos.

Foi exatamente isso que aconteceu no ano passado com o jovem Ronaldo Rodrigues, de 25 anos, da cidade de Cajazeiras. Diagnosticado com diabetes em 2012, ele acabou recorrendo à 15ª Vara Federal para garantir recursos para seu tratamento à base de insulina. A ida ao Judiciário aconteceu após recorrentes casos de atraso no fornecimento do hormônio.

“Sempre atrasava e muitas vezes eu tive que comprar com meu próprio dinheiro. Já aconteceu também de eu ter que fazer a retirada em postos da Capital. Não dava mais para continuar assim, então entrei na justiça. Em junho, consegui que recursos fossem depositados na minha conta bancária. O dinheiro é suficiente para um ano de tratamento e eu presto contas à Justiça Federal”, conta Ronaldo.

Atualmente, ele preside o Grupo de Amigos Diabéticos em Ação (Gada), que dá apoio a 15 municípios sertanejos, resultando em mais de 1.000 pessoas assistidas. De acordo com Ronaldo Rodrigues, o diálogo com autoridades tem melhorado nos últimos anos, mas vários problemas no serviço ainda são verificados.

“O diabético não precisa só de insulina, mas de acompanhamento de profissionais de saúde. É comum enfrentarmos dificuldade também na marcação de consultas, não somente para conseguir medicamentos”, explica.

"Os problemas começam na atenção básica e se agravam em unidades de média e alta complexidade. Isso faz com que usuários busquem compensar essa deficiência levando casos ao judiciário", Graça Azevedo.

Solução só a longo prazo

Para a promotora da Saúde Graça Azevedo a situação é tão delicada que ela não vê perspectiva de melhora em curto prazo. “É necessário um planejamento a médio e longo prazo. Nós na Promotoria fazemos o que é possível para ajudar a população, mas é preciso dizer que essa é uma questão de interesse político. Estamos em ano de eleições gerais, então é o momento de a população avaliar bem as opções de voto. Que a gente possa enxergar esperança e escolher bem”, concluiu a promotora.

SES não dá resposta

O Portal Correio tentou respostas da Secretaria de Estado da Saúde sobre as falhas no serviço prestado à população. A secretária, Claudia Veras, não atendeu às ligações feitas pela redação. A assessora, Flaviana Maribondo, disse que iria colocar o Portal Correio em contato com a gestora, mas não deu resposta até o fechamento desta matéria.

Esta foi a segunda enquete promovida pelo Portal Correio. O primeiro tema abordado foi Segurança. Na ocasião, 73% dos participantes fizeram uma avaliação negativa do setor.

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