quinta, 26 de novembro de 2020

São João
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Forró que não acaba mais: ao todo, são 582 festejos juninos na Paraíba

Ana Daniela Aragão / 19 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Quando João Batista nasceu, sua mãe, Isabel, mandou acender uma fogueira para avisar a Maria, sua prima, já grávida de Jesus Cristo. Comemorar o nascimento do santo em 24 de junho é uma tradição na comunidade católica pelo mundo. No Nordeste, a religiosidade se mistura com diversão e a fogueira é pra avisar que a festa vai esquentar, com muito forró, brincadeiras e comidas típicas. Segundo a Polícia Militar da Paraíba (PMPB), há 582 eventos programados no Estado, entre os dias 23 (véspera de São João, quinta-feira próxima) e 26. É festa que não acaba mais, do Litoral ao Sertão.

A antropóloga Luciana Chianca lembrou um pouco da história da festa, que ganhou aceitação e sucesso nas áreas urbanas. “Nos dias santificados, as cidades se iluminavam enquanto o chão das ruas era decorado e as janelas, enfeitadas com tecidos e potes de flores. As igrejas reuniam o público em encontros esporádicos para os quais todos acorriam desejosos de ver e serem vistos, mas também para conversar, assistir às representações teatrais de cantos e danças”, disse.

A quadrilha foi trazida pela corte portuguesa, em 1808, ao chegar ao Brasil, dando novo vigor às celebrações urbanas, inclusive as religiosas. “Portugal tinha grande reputação pela beleza dos seus fogos de artifício. Também foram adaptadas músicas e danças de salão. A mais conhecida delas resiste até hoje como símbolo da festa: é a quadrilha junina”, explicou Lucina Chianca.

Segundo a antropóloga, no começo, a quadrilha também animava os carnavais. “Era especialmente apreciada nos círculos sociais da monarquia. O próprio D. Pedro II a acompanhava com gosto nos bailes solenes. Quando os hábitos da realeza saíram de moda, no início do período republicano, a quadrilha deixou de ser vista nos centros urbanos. Mas continuou sendo dançada em localidades menos importantes. Só voltaria à cena nos anos 1950, com o crescimento da industrialização e das migrações em massa do interior para as grandes cidades. No lugar dos elegantes nobres de outrora, os protagonistas da dança feita aos pares são agora os ‘matutos’, os caipiras”, declarou.

Religião

Sobre a religiosidade, Luciana lembra que o santo ficou conhecido por batizar os pagãos nas águas do Rio Jordão. “Para ganhar de vez o apelido de ‘Batista’, realizou um feito capaz de fazer inveja a qualquer outro santo: abençoou o próprio Jesus, testemunhando em seguida a descida do Espírito Santo em forma de pomba – era o início da meteórica missão do “Filho de Deus”. As suas qualidades lhe garantiram lugar de honra entre os santos católicos. Equiparando-se a Jesus, ele é o único do qual se comemora o dia do nascimento, e não o da morte”, explicou a antropóloga.

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