domingo, 19 de maio de 2019
Robô
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João Pessoa é a terceira cidade a adotar tecnologia; investimento é de R$ 3,5 milhões

Adelson Barbosa dos Santos / 18 de março de 2018
Foto: Adelson Barbosa
João Pessoa será a terceira cidade das regiões Norte e Nordeste do Brasil a oferecer tratamento cirúrgico, em pacientes acometidos de câncer, por meio de robô. São Paulo e Rio de Janeiro foram as cidades pioneiras no País. Depois, houve expansão para outros Estados do Sudeste e Sul. A tecnologia chegou ao Nordeste pelas cidades de Recife e Fortaleza. Agora, está sendo implantada na Capital paraibana.

O tratamento estará disponível ao público provavelmente no segundo semestre, nas dependências do Hospital Nossa Senhora das Neves, localizado no bairro da Torre, que investiu recursos da ordem de R$ 3,5 milhões para oferecer a medicina robótica aos paraibanos. A informação é urologista Jarques Lúcio, que se especializou no ramo da robótica nos Estados Unidos, entre os anos de 2010 e 2011, e está liderando a equipe médica que vai usar o robô em procedimentos cirúrgicos urológicos e ginecológicos.

Segundo ele, o robô de João Pessoa é do modelo Da Vinci e será implantado em até 120 dias. “Será um grande marco para a medicina da Paraíba. Este modelo tem em apenas 40 unidades distribuídas em dez Estado do Brasil e nós seremos o primeiro da Paraíba”, declarou o médico, que também é prefeito do município de São Bento, no Sertão paraibano. Ele atendera as especialidades de urologia, ginecologia, e cirurgia geral.

Como principais benefícios, o robô visa trazer mais segurança e qualidade em procedimentos importantes como câncer de próstata, câncer de rim e gastropatia. “Hoje, os robôs não são cobertos pelo rol dos plano de saúde e seu uso será de negociação particular com o paciente e sua família”, esclareceu o médico.

Em 2010, a robótica médica dava os primeiros passos nos principais centros de tratamento do mundo, principalmente nos Estados Unidos, onde Jarques foi se aperfeiçoar profissionalmente. Morando na cidade de Denver, Capital do estado do Colorado, nos Estados Unidos, ele teve a oportunidade de manter contato com a robótica. “Lá, a expansão foi muito rápida e eu me aperfeiçoei no assunto”, disse o médico paraibano, para quem a cirurgia robótica é uma realidade no Brasil e no mundo e tende a se popularizar com o decorrer do tempo.

À reportagem do Correio, Jarques disse que já fez treinamento em São Paulo e nos Estados Unidos e está apto a atuar. Está esperando apenas que o Centro robótico do Hospital Nossa Senhora das Neves seja implantado e inaugurado.

“Robô facilita realização da cirurgia”

O médico Jarques Lúcio fez questão de explicar que, quem faz a cirurgia é o profissional habilitado e não o robô. “Robô não opera. Quem opera é o médico. A cirurgia é a mesma. O robô apenas melhora e facilita a realização do procedimento”, comentou Jarques Lúcio.

Segundo ele, o robô é muito útil em algumas cirurgias, como as pélvicas urológicas e ginecológicas), a exemplo da prostectomia, que é a é a remoção cirúrgica de parte ou toda a próstata.

A prostectomia é recomendada nos casos de tumores (câncer de próstata) e quando a próstata se torna muito grande (hiperplasia benigna de próstata), a ponto de restringir o fluxo de urina através da uretra, conforme definições previstas na literatura médica mundial.

Jarques afirma que a necessidade do robô será cada vez maior nos procedimentos de prostectomia porque, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), um em cada seis homens no Brasil terá câncer de próstata em algum momento da vida.

“Por isso, nós decidimos implantar o robô Da Vinci no Hospital Nossa Senhora das Neves. É a Paraíba inserida no que há de mais moderno na tecnologia robótica no mundo”, frisou o médico urologista.

Ele acrescentou que a tecnologia de ponta tende, cada vez mais, a contemplar uma parcela maior da população em todo o mundo.

Ele ainda esclareceu que o robô pode ser utilizado em qualquer área cirúrgica, principalmente nos grandes procedimentos invasivos da urologia, ginecologia e gastrocirurgia.

Visão geral

Segundo definição de Jarques Lúcio, o robô tem uma melhor visão do interior do paciente e o cirurgião opera sentado, a uma certa distância, conduzindo todo o procedimento.

Intervenções serão diárias

O robô que está sendo instalado no Hospital Nossa Senhora das Neves, em João Pessoa, terá capacidade para realizar entre 10 e 20 cirurgias por dia.

A partir do momento em que o robô estiver funcionando, a medicina de ponta em João Pessoa não deixará nada a desejar em relação aos grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.

“A qualidade da medicina praticada na Paraíba há muito tempo vem se destacando, mas faltava um investimento de grande porte para que a tecnologia robótica pudesse ser instalada. É o que está acontecendo. Com o robô Da Vinci, os pacientes não precisarão se deslocar para outros centros e João Pessoa estará apta a receber pacientes de outros Estados”, disse Jarques Lúcio.

Da Vinci possui quatro braços



De acordo com o site do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, o Da Vinci possui quatro braços, sendo que um deles carrega a câmera, enquanto os outros três ficam livres para portar instrumentos cirúrgicos, como pinças, tesouras e bisturi.

O ato cirúrgico é guiado por imagens fornecidas pela câmera introduzida no corpo do paciente. A câmera tem capacidade de ampliar em até dez vezes uma imagem, o que mantém a nitidez e a percepção de profundidade sem a abertura do abdômen ou do tórax.

De acordo com o site do Sírio-Libanês, o médico realiza a cirurgia​ a partir de uma mesa de controle. A movimentação dos instrumentos se faz pelo manuseio de dedais delicados. À medida que move as mãos e os dedos, o robô reproduz seus movimentos dentro do corpo do paciente.

“Se o médico tirar o rosto da tela de controle, o robô para automaticamente. Além de um cirurgião no controle, outro fica ao lado do paciente para eventuais necessidades auxiliares”, continua o texto do site do hospital paulista.

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