Do céu ao inferno

Botafogo vive ano de altos e baixos

Uma montanha russa. Exatamente com essa expressão é que o 2017 do Botafogo-PB pode ser traduzido. Ao mesmo tempo em que retomou o lugar mais alto do pódio no futebol paraibano, após dois vice-campeonatos consecutivos, viveu uma eliminação precoce na Copa do Brasil, outro fracasso na Copa do Nordeste e por muito pouco não foi rebaixado para a Série D do Campeonato Brasileiro. No dia 8 de janeiro, o Belo deu o pontapé inicial na briga pelo título estadual e começou bem, vencendo o Internacional-PB por 2 a 1. Semanas depois, no dia 24, a estreia na Copa do Nordeste foi com uma derrota diante do América de Natal-RN, jogando fora de casa, pelo placar de 3 a 1. Por mais uma temporada, o time paraibano foi eliminado na primeira fase do torneio regional, ocupando a última posição do seu grupo.

Com uma campanha inédita em 2016, a Copa do Brasil para o Botafogo-PB teve um sabor mais do que amargo. No dia 8 de fevereiro, em jogo único, o Alvinegro da Estrela Vermelha perdeu por 3 a 0 para o São Francisco-PA, encarada como uma ‘derrota indigesta’, já que o time não esperava perder para um time, até então, desconhecido do futebol brasileiro. No ano passado, o Belo chegou às oitavas de final e fez frente ao Palmeiras, após desbancar times como Linense-SP, River-PI e Ceará. O destino era mesmo o Campeonato Paraibano. Na primeira final, realizada em Campina Grande no dia 30 de abril, o Belo venceu o Treze por 3 a 2. Nos últimos 90 minutos do duelo, os times ficaram no 1 a 1, com o Alvinegro da Estrela Vermelha garantindo o título de campeão.

No dia 14 de maio, pela Série C, o time começou empatando em 0 a 0, jogando no Almeidão, contra o Cuiabá. O Belo chegou à última rodada da competição nacional precisando vencer o Sampaio Corrêa e torcendo por uma combinação de resultados, para não ser rebaixado para a Série D. Os paraibanos venceram por 3 a 2 e permaneceram na Terceira Divisão Nacional.
Foto: Nalva Figueiredo
Foto: Nalva Figueiredo
Fantasma quase no topo

Espectros ganha taça do Nordeste, mas não segura o Brasileiro

A temporada tinha tudo para ser o que o João Pessoa Espectros sonhava. Campeão do Nordeste diante do Ceará Caçadores, o Fantasma acabou perdendo na final do Campeonato Brasileiro para o Sada Cruzeiro. Jogando longe de casa e da sua calorosa torcida, o time paraibano perdeu pelo placar de 30 a 13. O título do Nordeste foi comemorado com muita euforia, afinal foi o oitavo na história do João Pessoa Espectros. No duelo, realizado na Vila Olímpica Parahyba, o placar foi 40 a 0 para os paraibanos. No dia 19 de novembro, foi a vez do Espectros derrotar o Cuiabá Arsenal por 41 a 20, no estádio Almeidão. A partida foi uma espécie de revanche dos Fantasmas, que em 2012 foram eliminados pelo próprio Cuiabá nas semifinais.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Pequenos campeões

Garotos de Caiçara realizam sonho e vão à final dos Jogos Escolares

O esporte está longe de ser apenas algo que estimule a rivalidade. A maior prova desta máxima aconteceu este ano, envolvendo os times de basquete do Colégio Motiva e da Escola Municipal João Alves de Carvalho, da cidade de Caiçara. A primeira foi derrotada na final dos Jogos Escolares da Juventude, mas com a impossibilidade do adversário disputar a competição nacional por dificuldades financeiras, pais e alunos do colégio fizeram uma campanha e arrecadaram dinheiro para realizar este sonho dos garotos de Caiçara.

A iniciativa superou todas as expectativas. O time conseguiu dinheiro para viajar e ainda recebeu apoio do brasileiro que é astro no basquete norte-americano, Lucas Bebê. Se toda a repercussão já havia surpreendido o técnico Edynho Nash, o professor ficou sem acreditar quando a história dos campeões de Caiçara entrou na seleta lista para concorrer ao Prêmio Laureus, considerado o oscar do esporte mundial. A solenidade acontecerá em fevereiro de 2018 e ao lado dos garotos paraibano estão representantes de peso, a exemplo dos sobreviventes da Chapecoense.
Foto: Whashington Alves/COB
Foto: Whashington Alves/COB
Foto: Whashington Alves/COB
Foto: Whashington Alves/COB
O homem mais veloz do mundo

Petrúcio volta do Mundial com dois ouros e novo recorde

Em seu primeiro mundial, o velocista paraibano Petrúcio Ferreira provou porque hoje é o grande nome do atletismo a ser batido. Depois de uma Olimpíada extraordinária para o atleta, ele voltou do Mundial Paralímpico de Londres com duas medalhas de ouro, além da quebra de dois recordes, para ‘coroar’ o seu ano de 2017. Homem mais rápido do mundo nos 100m na classe T47, o lugar mais alto do pódio veio após o paraibano atingir a marca de 10,53s, onde o recorde anterior (10,57s) também era seu, conquistado na Rio-2016.

No dia 22 de julho – sete dias depois de ter conquistado a primeira medalha dourada – Petrúcio bate uma nova marca, desta vez nos 200m e com o tempo de 21s21, prova que ele considera a sua preferida. Em dezembro, o paraibano ainda recebeu um novo prêmio. Petrúcio Ferreira foi escolhido como o melhor atleta do ano pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), durante uma cerimônia realizada em São Paulo. O seu técnico, Pedrinho também foi homenageado.
Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
Foto: Leandro Martins/CPB/MPIX
Foto: Felipe Rau/MPIX/CPB
Um ano aquém

Valdeno Brito termina temporada apenas na 14ª posição

O ano de 2017 foi bem abaixo do que o paraibano Valdeno Brito esperava. Com vários resultados fora dos dez primeiros colocados, o piloto da Stock Car terminou a temporada na 14ª posição na classificação geral. Um dos seus melhores momentos foi na 2ª etapa, durante a prova no Autódromo de Velopark, no Rio Grande do Sul. Valdeno largou em 7º e na segunda chegada ainda conseguiu arrancar a segunda posição, depois de um 8º lugar na primeira. Outro bom resultado foi conquistado na etapa de Londrina-PR. Largando na 5ª posição, o paraibano conseguiu segurar o posto até a primeira chegada, caindo para 7º na chegada seguinte.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Corrupção

Desvios e prisões mancham o esporte brasileiro e internacional

O ano de 2017 teve como um dos seus principais assuntos a corrupção no esporte. Em abril, a Polícia Federal cumpriu um mandado de prisão contra o ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes e outros dois dirigentes da entidade, por suspeita de desviar R$ 40 milhões. Outro que também acabou preso foi o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman. Além dele, o seu braço direito no comitê organizador da Rio-2016, Leonardo Gryner também foi alvo da operação. A suspeita é de que o dirigente atuou diretamente na compra de votos para a escolha da sede das Olimpíadas. Em 11 de outubro, Nuzman renuncia à presidência do COB, após uma dinastia que já durava 22 anos. A saída foi confirmada por uma assembleia geral da entidade, realizada no Rio de Janeiro. O dirigente enviou apenas uma carta aos membros do comitê, na qual pediu a renúncia.

Em novembro, foi iniciado o julgamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, no escândalo de corrupção da Fifa. Propinas de até 150 milhões de dólares eram distribuídas em negociações de contratos televisivos. Marin é acusado de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro no Tribunal do Brooklyn, em Nova York. Em depoimento sobre o escândalo de corrupção envolvendo a Fifa, Alejandro Burzaco, ex-homem forte da companhia de marketing argentina Torneos y Competencias SA, menciona 14 vezes a Rede Globo, perante a juíza Pamela Chen, que comanda o caso no Tribunal do Brooklyn. De acordo com ele, a emissora foi uma das seis empresas que teria pago propina para ganhar a concorrência dos direitos de transmissão de torneios internacionais.
Foto: Martin Fernandez
Foto: R7
Foto: Sátiro Sodré/SSPress
Foto: Martins Fernandez
Recomeço

Chapecoense disputa primeira partida após tragédia

Como nem só de glórias e despedidas vive o esporte, dois personagens tiveram a oportunidade para recomeçar as suas histórias. No dia 21 de janeiro, a Chapecoense disputou a primeira partida após o acidente aéreo que matou 71 pessoas. Em amistoso na Arena Condá, contra o Palmeiras – último adversário antes da tragédia – os catarinenses empataram em 2 a 2. Os sobreviventes Neto, Jackson Follmann e Alan Ruschel foram homenageados antes do jogo.
Foto: César Greco/Divulgação
Foto: César Greco/Divulgação
Não deu certo

Goleiro Bruno tenta voltar ao futebol, mas volta para a cadeia

Quem também recomeçou a sua vida no esporte foi o goleiro Bruno. Recém-saído da prisão, o ex-jogador do Flamengo anunciou o seu retorno ao futebol profissional em março, acertando um contrato de dois anos com o Boa Esporte (MG), que disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. Mas, em menos de um mês, os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que o goleiro deveria voltar para a cadeia. Condenado a 22 anos e três meses em regime fechado, Bruno foi preso por causa do assassinato da amante Eliza Samudio, em 2010.

Texto: Raniery Soares               Edição: Nice Almeida               Infográfico: Ednando Phillipy e Sérgio Bilous

Foto: Divulgação
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