Caem os assediadores

Vítimas rompem o silêncio dos abusos nos bastidores do cinema

O poderoso produtor Harvey Weinstein foi acusado de assédio sexual e moral por dezenas de mulheres, entre atrizes e funcionárias de sua produtora, a The Weinstein Company. Ashley Judd contou sua história em outubro e, a partir daí, novos casos apareceram como uma avalanche. As denunciantes famosas deram força à acusação: Léa Seydoux, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie, Mira Sorvino e várias outras. A mais recente, em dezembro, em uma texto publicado no New York Times, foi Salma Hayek. Weinstein foi demitido de sua empresa, foi expulso da Academia e sua mulher pediu o divórcio.

A este, surgiram várias outras denúncias de assédio sobre outros nomes famosos. Dustin Hoffman foi acusado por, pelo menos, três mulheres. O diretor e produtor John Lasseter pediu licença da Disney/Pixar por “conduta imprópria”. O diretor Brett Ratner é acusado por seis mulheres, entre elas as atrizes Olivia Munn e Natasha Henstridge. E houve o caso Kevin Spacey: acusado por vários homens de assédio sexual quando dirigia um teatro em Londres e nos bastidores da série “House of Cards”. Ele foi demitido da série, sua participação no filme “Todo o Dinheiro do Mundo” foi substituída por Christopher Plummer e o Emmy cancelou uma homenagem que seria feita ao ator. Em dezembro, a revista Time elegeu essas mulheres como “Pessoas do Ano”, as chamando de “The Silence Breakers”, as “rompedoras do silêncio”.
O conservadorismo ameaça

Exposição é fechada sob acusação de incentivar pedofilia

O ano de 2017 também vai ser lembrando como aquele em que o conservadorismo avançou sobre a arte a cultura. Em setembro a exposição “Queermuseum – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” foi fechada pelo Santader Cultural, em Porto Alegre, após protestos de grupos conservadores que acusavam a mostra de incentivar a pedofilia. O Ministério Público do Rio Grande do Sul emitiu nota afirmando não haver qualquer indício de apologia à pedofilia e recomendou a reabertura da exposição. No mesmo mês, a performance de um artista nu no Museu de Arte Moderna, em São Paulo, gerou mais protestos de conservadores. Na obra, o artista Wagner Schwartz permanecia imóvel, como um objeto, podendo, inclusive ser tocado pelos visitantes – inspirado na obra “Bichos”, de Lygia Clark. Uma criança, que estava acompanhada pela mãe (que também é artista) tocou o pé do artista, o que resultou na grita conservadora. O MAM informou que a nudez estava devidamente sinalizada. Houve protesto com agressão, mas o museu manteve-se firme e não fechou a mostra.
Lambança no Oscar

La La Land é anunciado vencedor, mas Moonligth é que havia ganho

Quando aconteceu em 2016 no Miss Universo, todos achavam que era algo tão inacreditável que nunca mais seria visto de novo. Mas aconteceu novamente meses depois, no Oscar. No momento principal da cerimônia, o envelope do prêmio de melhor filme foi aberto e “La La Land – Cantando Estações” foi anunciado vencedor. Mais de dois minutos depois, quando a equipe já estava no palco fazendo discursos, começa uma movimentação e um dos produtores do próprio filme é que interrompe a festa para anunciar o erro: “Moonlight – Sob a Luz do Luar” é que, na verdade, era o vencedor. Depois se descobriu que Brian Cullinan, o funcionário da empresa que apura os votos, responsável por entregar os envelopes corretos, se distraiu com o twitter e entregou o envelope errado, o de melhor atriz. “Moonlight” ganhou três Oscar na cerimônia, “La La Land” ganhou seis.
Eternidade

Ariano Suassuna teria feito 90 anos e ganha peça em sua homenagem

Ariano Suassuna teria feito 90 anos este ano e a data foi lembrada principalmente por dois livros e uma peça. A Nova Fronteira lançou “Romance de Dom Pantero no palco dos Perdedores”, o livro que o escritor e dramaturgo paraibano deixou inédito, e uma edição definitiva (revisada pelo autor) de “Romance d’a Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”. No teatro, o destaque foi “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”, espetáculo com vários paraibanos em sua criação. Foi escrito por Braulio Tavares, dirigido por Luiz Carlos Vasconcelos (diretor de “Vau da Sarapalha”) e com canções originais de autoria de, entre outros, Chico César. A peça estreou em junho no Rio e será apresentada em João Pessoa em janeiro.
O valor do forró

Forró tradição sai do ‘cardápio’ do ‘Maior São João do Mundo’

A programação do São João de Campina Grande em 2017 evidenciou o caso: o forró de raiz vem perdendo cada vez mais espaço para outros ritmos nas outrora tradicionais festas juninas. Artistas protestaram, entre eles Elba Ramalho, Alcymar Monteiro e Maíra Barros. Do lado do sertanejo pop, que tomou de assalto a festa em Campina, Marília Mendonça respondeu. No fim do ano, João Pessoa sediou um evento que reuniu uma audiência pública do Senado, o Fórum Nacional do Forró de Raiz e o Encontro Nacional de Forrozeiros, para debater meios de reverter a situação e brigar par que o forró ganhe status de patrimônio imaterial brasileiro.

Texto: Renato Félix               Edição: Nice Almeida               Infográfico: Sérgio Bilous

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