sexta, 26 de fevereiro de 2021

Preconceito
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Cresce número de crimes contra LGBT’S

Lucilene Meireles / 16 de junho de 2017
Foto: Reprodução
“Eu me descobri gay ainda criança e já nessa fase, na escola, sofria muito. Era chamado de veadinho pelos colegas. Minha mãe queria denunciar, mas naquela época chamaria muito a atenção. O assunto não era tão debatido, e ela desistiu. Se fosse hoje, denunciaria”. O depoimento é de Isaac Lucena, 28, que sofreu violência psicológica durante muitos anos apenas por fazer parte do grupo LGBT, sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros. Hoje, ele recebe apoio no Centro da Cidadania LGBT de João Pessoa que, em um ano de funcionamento, tem mais de 700 cadastrados. As denúncias também chegam à Delegacia de Crimes Homofóbicos. Só este ano foram 44 registros, a maior parte por difamação, injúria e violência física.

A tortura psicológica é apenas um tipo da violência que sofrem os LGBTs e tem consequências que podem se desdobrar por toda a vida. Isaac enfatizou que houve uma época em que tinha medo de sair na rua por conta das piadas e do assédio gratuito. “Hoje há uma mudança, mas ainda tem que evoluir bastante. Existe muita hipocrisia”, constatou.

O anúncio oficial de sua orientação sexual para a mãe só aconteceu aos 17 anos e, nesse meio tempo, além de toda a ‘tortura’ que sofria na escola e na rua, ainda tinha que medo de que a mãe descobrisse. “Fiquei deprimido e precisei de apoio psicológico. Abandonei o emprego que tinha em um shopping. Não é fácil”, contou.

O delegado de Crimes Homofóbicos, Marcelo Falcone, destacou que a delegacia atende casos de violência física, patrimonial, psicológica. “Mas, a maior procura é para casos de ameaça, lesão corporal leve, assédio no trabalho, injúria, que é o palavrão com cunho homofóbico. Também atendemos, pela Lei Maria da Penha, mulheres e transexuais femininas vítimas de pais, irmãos companheiros, companheiras, da sociedade como um todo. E, caso necessário, oferecemos medida protetiva”, acrescentou Falcone.

Ele analisou ainda que, com tanta informação nas redes sociais, nos meios de comunicação, as pessoas ainda mantêm uma postura preconceituosa, mas acredita que essa realidade pode ser diferente. “É possível mudar a longo prazo com educação, consciência, campanhas educativas e também repressão”, completou. A penalidade pode ir desde o pagamento de cesta básica, prestação de serviço comunitário até prisão.

Apoio

Inaugurado em maio de 2016, o Centro de Cidadania LGBT de João Pessoa (CCLGBT) surgiu como um ‘respiro’ para o jovem. Lá, segundo a assessora técnica e responsável pela triagem e acolhimento, Julhanália Fernandes, a demanda é diária, especialmente para situação de violência psicológica familiar. “Muitos jovens são expulsos de casa e outros perdem o emprego ou não conseguem um por LGBTfobia”, observou. No CCLGBT, é oferecido apoio psicológico para terapia e retificação de nome, no caso da população trans, biblioteca, ioga, entre outros serviços. Quem procura o local conta com assessoria jurídica e assistentes sociais que, dependendo do caso, encaminham para a rede de atendimento.

 

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