segunda, 24 de junho de 2019
Transposição
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MPF diz que aporte hídrico no Rio Paraíba é falho por causa das condições

Bárbara Wanderley / 05 de dezembro de 2017
Foto: RAFAEL PASSOS
A efetividade da Transposição das águas do Rio São Francisco para resolver o problema da escassez de água na Paraíba depende da revitalização do leito do Rio Paraíba, segundo defendem especialistas. O assunto foi discutido em audiência pública realizada na manhã dessa segunda-feira (4) na sede Ministério Público Federal (MPF), em João Pessoa.

O Rio Paraíba integra o Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf), no eixo Leste. Após passar por canais e túneis até chegar em Monteiro, Sertão do Cariri paraibano, as águas da Transposição seguem pelo Rio Paraíba até o Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), que abastece Campina Grande e região. “Acredito que o Rio Paraíba não estava preparado para receber esse aporte hídrico”, afirmou a procuradora da República em Monteiro, que coordena grupo de trabalho da Transposição, Janaína Andrade.

A procuradora afirmou que, no entendimento do Ministério Público, a Transposição não está dando certo, em parte por causa de uma estação de bombeamento quebrada em Pernambuco - que está fazendo com que Monteiro só receba 5 m³ de recarga de água em vez dos 18 m³ previstos – e parte por causa das condições precárias nas quais o Rio Paraíba se encontra. “É preciso fazer o desassoreamento e a recomposição da mata ciliar”, afirmou a procuradora, ressaltando que a audiência buscou sensibilizar os gestores públicos para a necessidade de destinar recursos para essa obra.

O professor Francisco Sarmento, especialista em Recursos Hídricos que esteve na audiência representando a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), defende que seja feito um estudo, para diagnosticar as reais necessidades do rio. Além disso, ele afirmou que uma ação fundamental é o saneamento ambiental dos 56 municípios localizados no entorno do Rio Paraíba.

“O saneamento ambiental é fator condicionante para a licença de instalação, que a obra ainda não tem”, afirmou. Segundo ele, o esgoto das cidades está se misturando com a água do rio, e consequentemente, da transposição. “Quando se fala em saneamento ambiental, são três coisas: uma é a construção de pequenas adutoras para abastecer essas cidades, outra é a coleta e tratamento do esgoto, e por fim a coleta de resíduos sólidos, porque se não, quando chover o lixo é arrastado para o rio”, disse.

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