quinta, 03 de dezembro de 2020

Política
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Ricardo Coutinho faz apelo para que CPMF seja criada

Adelson Barbosa dos Santos / 03 de janeiro de 2016
Foto: Rafael Passos
O governador Ricardo Coutinho fez um apelo para que a Câmara Federal aprove a CPMF para financiamento exclusivo da saúde pública no País, que está um caos. O apelo do governador vai especificamente para a bancada federal da Paraíba.

Ricardo sugere que a nova CPMF tenha uma alíquota de isenção para quem ganha até três salários mínimos e que destinem diretamente para os Estados e municípios a parte de cada um, sem passara pelo Governo Federal. Em entrevista ao Correio, o governador fez um balanço de 2015 e uma projeção para 2016.

Numa alusão ao ano de 1968- quando foi criado o AI-5 e o regime militar endureceu ainda mais a repressão contra os adversários-, Ricardo disse que 2015 foi o ano que não terminou. Ele criticou o PSDB pela defesa da tese do “quanto pior, melhor” e defendeu a presidente Dilma Rousseff dos ataques tucanos. Disse que a presidente errou quando reteve, em 2014, o aumento da energia e dos combustíveis, deixando tudo para 2015. “Foi avassalador para a economia brasileira”.

O governador disse que, se estivesse no lugar da presidente, teria se comunicado diretamente com a população. “Eu teria dito: erramos aqui e precisamos ir por ali. Peço a compreensão de todos vocês”, frisou Ricardo, para quem a oposição a Dilma não teve coragem de aparecer nas ruas. Para Ricardo, a oposição liderada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado nas urnas em 2014, não tem legitimidade.

Disse que, como militante do PSB, vai calçar um tênis e percorrer a Paraíba em campanha a favor dos aliados, em 2016, sem envolver a máquina administrativa do Estado.

A entrevista

- Como foi o ano de 2015 para o governador Ricardo Coutinho?

- Acho que 2015 foi o ano que não terminou, assim como 1968. O ano de 2015 não terminou porque não começou. Ele foi regido pela disputa de 2014 e desestimulou, bagunçou e desorganizou a economia do País. Foi um ano marcado por uma disputa política irracional que afetou a economia e a confiança do setor produtivo. Tivemos um ano extremamente ruim. Foi um ano ruim para o Brasil, que teve um PIB negativo de 3%. A Paraíba vinha tendo o melhor crescimento do Nordeste, entre 9% e 10% ao ano. Em 2015, tivemos que amargar um crescimento de apenas 3%. O Brasil não pode incorrer no erro de 2015.

- O Sr. acha que a crise política foi criada pela oposição?

- Na economia, o Governo Federal errou. Isso desarticulou o equilíbrio entre receita e despesa. A grande dificuldade foi a instabilidade política, violenta e irresponsável. Quiseram derrubar a presidente eleita. Não se pode trocar uma pessoa eleita só porque ela amarga impopularidade.

- O Sr. defende a criação da CPMF?

- O Congresso Nacional precisa aprovar a CPMF. Precisa dar uma resposta a uma questão básica: melhorar o atendimento na área de saúde. Precisa resolver o subfinanciamento da saúde pública. Sendo ou não a CPMF, é preciso uma alternativa. Na minha opinião, a alternativa é a CPMF para oferecer uma saúde de melhor qualidade. Por isso, faço um apelo aos congressistas: percebam isso. Criem uma alíquota de isenção. Sugiro que, quem ganhar até três salários mínimos não pague a CPMF. Coloquem a parte que caberá aos Estados e municípios diretamente para eles, sem passar pelo Governo Federal. Criem mecanismos de fiscalização. Vamos fiscalizar a aplicação dos recursos. Proponho isso e que o dinheiro seja especifico para a saúde.

- Como está a Saúde na Paraíba?

- A Paraíba tem o menor PIB per capita na Saúde do Brasil. Mesmo assim, aumentamos em três vezes os leitos da UTI e criamos mais 1.200 leitos em hospitais, com equipamentos, insumos e profissionais. Realizamos mais de 500 cirurgias cardíacas em crianças. Não temos mais filas da morte, como ocorreu em determinado governo. Precisamos da parceria com o Ministério da Saúde para abrir o Hospital de Oncologia de Patos. De custeio hospitalar, o Governo da Paraíba gasta R$ 55 milhões por ano e só recebe R$ 5 milhões do Ministério da Saúde.

- Quando será inaugurado o Hospital Metropolitano de Santa Rita?

- Pretendo inaugurá-lo no primeiro trimestre de 2017. Como a Paraíba não tem serviço de referência em cardiologia, pacientes com problemas cardíacos são atendidos nos hospitais de Trauma de João Pessoa e Campina Grande. Então,Vamos criar um Centro de Referência em Cardiologia no Hospital Metropolitano. A idéia era que o Hospital Municipal Santa Isabel fizesse esse serviço. Quando eu era prefeito, deixei os equipamentos prontos para funcionar, mas, cinco anos depois, eles continuam encaixotados.

Leia a reportagem completa no jornal Correio da Paraíba

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