quarta, 12 de maio de 2021

Política
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Religiosos ‘agrediam’ Governo na Paraíba durante a década de 1970

Adelson Barbosa dos Santos / 15 de novembro de 2015
Foto: Arquivo
Órgão de repressão criado pela lei nº 4.341, em 13 de junho de 1964, no início do regime militar, o SNI e acompanhou de perto os passos do principal líder religioso do Estado, Dom José Maria Pires, apelidado de Dom Pelé.

Documento do extinto órgão, em poder da Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória, diz que, na década de 70, os problemas fundiários no Estado da Paraíba afloraram com preponderância acentuada, em face de dois aspectos.

O primeiro segundo relatório do SNI: “Orientação do clero, dito progressista, sob a liderança marcante do bispo D. José Maria Pires (Dom Pelé) que, em seu trabalho de base, estimula ao máximo os trabalhadores das propriedades rurais a se organizarem para desenvolver a luta em busca do reconhecimento do direito à posse da terra. Para isso, a própria legislação vigente é simplesmente ignorada, derrotando o direito de herança”.

O segundo, de acordo com o relatório: “Desenvoltura extremada da atuação de religiosos estrangeiros na agressão ao Governo, seja através de ação pessoal, seja através de publicações oficiais da Arquidiocese da Paraíba, que, inclusive, procuram achincalhar as mais altas autoridades da República. Contam, inclusive, com a colaboração de marxistas recentemente anistiados. Além disso, pregam a luta de classes, provocando graves incidentes”.

Os trechos do relatório do SNI foram transcritos em trabalho acadêmico intitulado “Tensionando a transição lenta, gradual e segura: a Igreja e os conflitos agrários no Estado da Paraíba (1975-1985)”, de autoria do historiador Paulo Giovani Antonino Nunes, que é professor da graduação e do mestrando em História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e preside a Comissão Estadual da Verdade. Pós-doutor em História, Paulo Giovani Antonino Nunes disse que o texto é resultado do Encontro Nacional de História realizado em Fortaleza, em 2014, e será publicado em livro no final deste ano.

Segundo o historiador, os conflitos agrários afloraram com força na Paraíba na década de 1970 depois que o governo militar criou, em 1975, o Programa Nacional do Álcool (Proácool), “apoiado numa forte política de incentivos fiscais e creditícios, como uma proposta alternativa para enfrentar a crise energética, devido à alta dos preços internacionais do petróleo, advinda da chamada crise do petróleo de 1973”.

Antonino lembra que o Proálcool valorizou as terras, o que motivou os proprietários a quererem expulsar os camponeses arrendatários.

Leia a reportagem completa no jornal Correio da Paraíba

 

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