sábado, 05 de dezembro de 2020

Política
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Reflexos de uma eleição no Parlamento Estadual

Mislene Santos / 02 de agosto de 2016
Foto: Rafael Passos/Arquivo
Sete deputados estaduais são pré-candidatos a prefeito ou colocaram seus nomes à disposição para concorrem a vaga de vice nas eleições municipais de outubro. Outros 15 trabalharão para eleger parentes. E esse compromisso com o pleito deste ano pode afetar diretamente os trabalhos na Assembleia Legislativa da Paraíba, que deve sofrer as consequências com o esvaziamento na Casa.

A ALPB que já funciona em horário reduzido para conter as despesas, deve continuar no mesmo ritmo. Isto foi o que ficou decido nesta terça-feira (02), durante reunião com a Mesa Diretora. Com isso, as sessões ordinárias continuarão às terças e quartas. As quintas-feiras serão reservadas para as reuniões das comissões. Quem não integra nenhuma comissão está liberado para visitar as bases eleitorais visando a disputa municipal de outubro.

Com o comprometimento dos parlamentares com a eleição de outubro, no segundo semestre deverá haver menos trabalho e mais discussão sobre as eleições municipais na ALPB.  Especialistas acreditam que a Casa deve se transformar em um palanque eleitoral e que o tempo que deveria ser utilizado pelos deputados estaduais para debater assuntos de interesse da população servirá para criticar a administração de adversários políticos e elogiar os aliados espalhados nos 223 municípios paraibanos. Esta é a análise do cientista política e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Fábio Machado.

“Fazer política dentro da arena da Assembleia Legislativa é uma perversão ao cumprimento do uso desta Casa, pois a orientação é de que o local não seja utilizado com um palanque eleitoral”, afirmou o Fábio Machado.

De acordo com o estudioso, a tradição política da Paraíba mostra que no período eleitoral há uma diminuição no ritmo de trabalho dos parlamentares que passam a se dedicar as eleições em suas bases eleitorais. Quando se trata da disputa municipal, muitos acumulam o mandato com a candidatura a prefeito em seus municípios.

“Embora as lideranças políticas digam que não há prejuízo nos trabalhos durante os processos eleitorais, mas a história mostra o inverso, pois muitos passam a se dedicar as suas candidaturas e quem não é candidato tem parentes ou aliados na disputa”, afirmou Fábio Machado.

Ele disse, ainda, que o fato dos deputados se ausentarem ou levarem o debate da disputa municipal para a tribuna da Assembleia é uma questão de sobrevivência política.  “Eles precisam apoiar os candidatos a prefeito e vereadores, porque daqui a dois anos eles serão os seus cabos eleitorais em busca da regimentação do voto para eleição de deputado estadual e federal", declarou.

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Sem quórum

Apesar de afirmar que os trabalhos na Assembleia não serão prejudicados por conta das eleições municipais, o deputado Renato Gadelha acredita que no período eleitoral o quórum na Casa será baixo. “Por conta das candidaturas, mas esse é um assunto que vamos discutir com os líderes partidários, com a Mesa Diretora, inclusive com o presidente da Casa Adriano Galdino para saber se ele vai tirar licença ou se irá conciliar a sua candidatura a prefeito de Campina ou o trabalho legislativo”, comentou Gadelha.

O deputado adiantou que vai sugerir que haja um esforço concentrado durantes os dias de sessão para que todas as matérias em tramitação na ALPB sejam votadas sem prejuízo em seu andamento na Casa. “Já que só terá sessão na terça e quarta, poderíamos trabalhar os dois expedientes já que todos os deputados, teoricamente, estarão em João Pessoa”, ressaltou Renato Gadelha.

O legislador enfatizou que, caso sua tese seja aprovada, o período da manhã seria utilizado para a realização das sessões ordinárias e a tarde para as reuniões das comissões. “E se a minha sugestão não for acatada irei votar para que as reuniões das comissões ocorra antes do inícios das sessões e dessa forma os trabalhos legislativos não serão afetados com a redução dos trabalhos na Casa”, frisou o parlamentar.

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Sem prejuízo

“Com certeza vamos esgotar toda a pauta. Vamos votar todas as matérias que estão na Casa sem prejuízo algum”. A afirmação é do líder do governo na Assembleia Legislativa, Hervázio Bezerra (PSB). Para o deputado, o fato de só haver sessão duas vezes por semana não mudará em nada o ritmo do trabalho legislativo.  “A pauta não será prejudicada e não deixaremos de debater temas importantes e relevantes para a sociedade”, reformou o socialista.

Hervázio, no entanto, afirmou que durante o período eleitoral temas relativos à administração municipal devem ser discutidos na Assembleia. “Não temos como deixar de debater a situação de João Pessoa já que temos vários deputados representando o município, Santa Rita com Zé Paulo, Cajazeiras com Zé Aldemir, Guarabira que tem Raniery Paulino. Os deputados são pautados a discutirem a situação dos seus municípios, não tem como ser diferente” afirmou Hervázio Bezerra.

Para o parlamentar, essas discussões não transformarão a Assembleia em um palanque eleitoral para as eleições para prefeito e vereadores. “ Esses debates serão importantes para a Paraíba, porque falaremos dos principais municípios do Estado”, disse Hervázio.

A reportagem tentou entrar em contata  com o presidente da ALPB, Adriano Galdino, mas o deputado não atendeu e nem retornou as ligações.

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