segunda, 21 de setembro de 2020

Política
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Prefeitos param para pedir socorro ao Governo Federal

Nice Almeida / 24 de setembro de 2015
Foto: Assuero Lima
Prefeitos paraibanos fecharam as prefeituras e pararam suas atividades para pedir socorro ao Governo Federal, que cortou o repasse de recursos de várias áreas instalando uma crise nas administrações públicas, segundo os gestores. Eles estiveram reunidos nesta quinta-feira, em João Pessoa, em uma manifestação contra os cortes sofridos. De acordo com o presidente da Federação das Associações dos Municípios da Paraíba (Famup), Tota Guedes, o que se tem visto no interior são prefeituras 'quebradas'.

"Essa conta não está fechando. Temos municípios com atraso de fornecedores e algumas já estão atrasando até os salários dos funcionários. Os prefeitos estão tendo que cortar serviços essenciais e quem vai sofrendo com tudo isso é a população. Sabemos que nos municípios pequenos a economia gira em torno do pagamento da prefeitura, mas o que está acontecendo é que as prefeituras estão encolhendo e aí começa o desemprego. As prefeituras estão praticamente quebradas. São poucos os que estão conseguindo pagar em dia", afirmou Tota.

Após a manifestação na Praça dos Três Poderes, eles participaram de uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa. Os 'manifestantes' irão preparar uma carta com os problemas enfrentados em seus municípios para que os deputados entreguem à presidente Dilma Rousseff (PT).

Em Pilar situação é agravada pelo corte no FPM

Em Pilar a situação não é diferente. Além de todos os cortes de recursos, a prefeita Virgínia Vilar ainda está tendo que enfrentar o corte no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que esse mês foi zerado. "Nós recebemos zerado dia 10 e dia 20 também. É uma situação enlouquecedora para os prefeitos. Nossa folha efetiva é muito alta para Pilar. Eu recebi essa herança, 43 motoristas e três carros e tivemos que manter a folha, mas com as desoneração de IPI, da linha branca, a nossa perda de FPM é de R$ 14 milhões, de 2009 para 2015", informou.

Em Solânea

Durante a manifestação mais um prefeito paraibano anunciou corte do próprio salário. Agora foi a vez do de Solânea, Sebastião Alberto Cândido da Cruz (Beto do Brasil). ele irá cortar 50% do salário dele, do vice-prefeito e dos secretários. Além disso, o gestor afirmou que irá demitir 80% dos servidores comissionados para conseguir enfrentar  a crise. "Temos um decreto pronto e a partir de 1º de outubro os salários do prefeito, vice-prefeito e secretários serão cortados em 50%", afirmou Beto. Oitenta por cento dos comissionados serão afastados para tentar pagar o 13º. Preciso dar o exemplo cortando na própria carne", finalizou.

Em Sousa

Em Sousa, o prefeito André Gadelha, está tendo problemas também com o repasse do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). "A conta do Samu também não fecha. Eu tenho R$ 200 mil e preciso de R$ 320 mil. Os contribuintes, a arrecadação própria é quem estão financiando os recursos federais. Como é que você pode sobreviver com R$ 0,30 para merenda? Como é que a conta vai fechar? Sem contar os parcelamentos de dívidas de gestões passadas que assumimos", revelou.

Em Cajazeiras

O momento, segundo a prefeita de Cajazeiras, Denise Albuquerque, é de pedir socorro. "Estamos com dificuldades para pagamento de folha, aquisição de insumos e medicamentos para a comunidade. O governo deve voltar seu olhar pra os municípios menores. Estamos aqui pedindo socorro ao Governo Federal para oferecer um serviço melhor para a população", disse.

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