sábado, 19 de outubro de 2019
Política
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Prefeitos paraibanos mudam estratégia sobre pleito do próximo ano

André Gomes / 23 de junho de 2019
Foto: Famup
Depois do banho de água fria dado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que existem pautas mais importantes para serem apreciadas pelo Congresso do que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 56/2019 que unifica as eleições, os prefeitos paraibanos começaram a mudar a estratégia sobre o pleito do próximo ano.

Muitos já começam a discutir, mesmo que nos bastidores, a sucessão municipal, já que é necessário se firmar um nome, principalmente nas cidades em que o gestor não poderá mais se candidatar.

Segundo o cientista político e professor doutor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Lúcio Flávio, o Brasil vive permanentemente em campanha. A cada dois anos, milhões de brasileiros têm que comparecer às urnas para escolher seus dirigentes. No próximo ano, mais de 5 mil municípios brasileiros escolherão os seus prefeitos e vereadores.

“Acredito que o processo de sucessão municipal deve ser um processo autônomo, separado das eleições estadual e federal. Os problemas municipais são muito específicos. A saúde primária, a educação fundamental, a limpeza urbana, a mobilidade, a iluminação pública, entre outros problemas, são responsabilidade do poder executivo municipal. Não podemos esquecer que as pessoas vivem, trabalham, estudam e se divertem na cidade”, defendeu o professor.

Para Lúcio, caso as eleições fossem unificadas, de vereador a presidente, passando por deputados, governadores e senadores, a pauta nacional, a disputa presidencial, jogaria a discussão sobre os problemas municipais para um segundo ou terceiro plano. “Sendo assim, a decisão do presidente da Câmara Federal Rodrigo Maia, em suspender a discussão sobre a unificação das eleições, foi acertada”, disse.

Em Campina Grande, o prefeito Romero Rodrigues (PSD) disse que ainda é cedo para discutir o assunto, mas não esconde a expectativa da escolha de um nome para sucedê-lo. Entre os indicados está o deputado Tovar Correia Lima (PSDB), o ex-deputado Bruno Cunha Lima (sem partido), o deputado Manoel Ludgério (PSD) e também do ex-secretário André Agra.

Para Romero, o nome sairá de muito diálogo com partidos aliados e principalmente com a população de Campina Grande. “Não fazemos política só. É preciso ouvir aliados e o povo que é quem elege, mas isso vamos deixar mais para frente. Agora estamos preocupados em manter o sucesso do Maior São João do Mundo e tocar as obras por toda a cidade”, disse.

Não muito diferente está o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV). Sem um nome definido, o gestor ver surgir alguns pré-candidatos dentro da sua base como dos vereadores Marcus Vinícius (PSDB), Helton Renê (PCdoB), Milanez Neto (PTB), além de aliados de primeira hora como o atual secretário de Desenvolvimento Social, Diego Tavares, e de Zennedy Bezerra. Apesar disso, assim como Romero, Cartaxo diz que ainda não começou a discutir o assunto e que prefere deixar para o próximo ano. Nos bastidores, o gestor já começou a avaliar os possíveis candidatos.

Apoio à causa

A proposta de apoio apresentada pelos prefeitos e vereadores da Paraíba foi abraçada pela bancada federal no Congresso.

Composições iniciadas



O prefeito de Cajazeiras José Aldemir (Progressistas) já começou a articular sua reeleição e também a eleição da deputada Doutora Paula a prefeita de São José de Piranhas. A parlamentar chegou a confirmar suas pretensões e garantiu José Aldemir será candidato a reeleição.

Paula ainda defendeu a manutenção da chapa com José Aldemir candidato a prefeito e Marcos do Riacho do Meio como Vice. “Marcos do Riacho do Meio sempre foi leal a esse grupo e que foi o único aceitar o convite de Zé Aldemir como vice em sua chapa”. Defendo Marcos do Riacho do Meio como vice na chapa de José Aldemir em 2020”.

Em Princesa Isabel, o prefeito Ricardo Pereira (PSB) rompeu com o seu vice, Aledson Moura (PSB), e começa as traçar estratégias para o próximo pleito. Aledson já confirmou como candidato a prefeito o nome do seu irmão e atual vereador, Alan Moura (PSB). Já Pereira, começa a dar sinais de aproximação com o grupo de oposição comandado pelo ex-prefeito Doutor Sidney (PSDB).

No município de Tavares, o prefeito Ailton Suassuna (MDB) também enxerga a possibilidade de apoiar um adversário político, o seu concorrente em 2016, Coco de Odálio (PSB). As conversas foram iniciadas, mas alguns aliados do gestor não botam muita fé na união dos dois. Como estratégia e para garantir o comando da Prefeitura mesmo fora do poder, o gestor também estuda a possibilidade de lançar um candidato da sua confiança, uma pessoa que nunca foi testada nas urnas.

De olho na reeleição, o prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo, vai mudar de legenda. O deputado federal Efraim Filho (Democratas) disse que as conversas estão acontecendo e provavelmente o gestor se filie à legenda nos próximos dias. A primeira-dama, Daniella Ronconi, já é a presidente do Democratas em Cabedelo, o que pavimenta a mudança de sigla por parte do prefeito.

Em Patos, o prefeito interino Francisco de Sales Júnior (PRB), deve manter a administração em dia para apoiar o deputado estadual Nabor Wanderley (PRB) ao cargo de prefeito nas eleições do próximo ano. As movimentações já acontecem no município e o deputado não esconde a intenção de voltar ao comando da administração municipal.

Na Morada do Sol, também foi especulado uma união entre Nabor Wanderley e o deputado Érico Djan. As especulações davam conta de uma possível indicação da mulher de Djan para figurar como vice de Nabor, mas o que foi negado durante o final de semana.

"É um tema que deve ser discutido com muito cuidado pela classe política. Os problemas municipais são muito específicos. A saúde primária, a educação fundamental e outros temas podem ficar sem espaço para discussão." - Lúcio Flávio, cientista político

Eleições

Maioria dos prefeitos paraibanos negam que já estejam discutindo o processo de sucessão.

Gestores defendem economia



Na defesa pela unificação das eleições, os prefeitos dizem que com o processo, o Brasil economizaria US$ 12 bilhões com o custo do pleito, além de garantir a aquisição de emendas parlamentares e continuidade de obras. Se levar em consideração os gastos com a organização das eleições e recursos utilizados em campanha, esse valor fica em US$ 3,5 bilhões. Os dados são da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

O presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), George Coelho, chegou a participar de uma reunião do Conselho Político da Confederação Nacional de Municípios (CNM), em Brasília, para entregar o manifesto da Paraíba em defesa da unificação das eleições. O documento foi assinado por políticos de 210 municípios paraibanos e conta com apoio de deputados federais, estaduais e senadores.

A proposta que sugere a unificação das eleições no País, continua tramitando na Câmara dos Deputados. A proposta se encontra pronta para ser votada na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, com parecer favorável e pela constitucionalidade da matéria do relator, deputado Valtenir Pereira (MDB-MT).

A PEC apresentada na Câmara Federal quer estender os mandatos dos vereadores e prefeitos para que, a partir de 2022, as eleições municipais e gerais sejam unificadas. A iniciativa é do deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB/SC). A proposta cancela o pleito de 2020 e com isso os brasileiros iriam às urnas dois anos depois para votar para presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador.

Na última terça-feira, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados rejeitou em reunião extraordinária, a inclusão do requerimento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 376/2009 na agenda de votações da Comissão.

O resultado ocorreu mesmo após forte apelo do relator da proposta, deputado Valtenir Pereira. “São várias propostas e pretendemos aprovar na CCJC e a comissão especial é quem vai analisar o mérito. Se nós pararmos aqui e não votarmos essa PEC estamos evitando o debate e isso é muito ruim para a democracia e para esta Casa.

Eu peço e faço um apelo para que possamos incluir na pauta e depois votarmos e mandar essas PECs para Comissão Especial. Faço esse apelo. Se vai ter prorrogação de mandato ou não, é a Comissão Especial que vai decidir. Nós não podemos tolir o debate nesta Casa”, disse.

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