terça, 29 de setembro de 2020

Política
Compartilhar:

Caos: novos prefeitos herdam de salários atrasados até energia cortada

Adelson Barbosa dos Santos / 03 de janeiro de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
Energia cortada, veículos sem pneus, postos de saúde fechados, contas bancárias zeradas, servidores com salários atrasados, fornecedores que não recebem há meses, montanhas de lixo nas ruas.

O caos encontrado por Ricardo Pereira (Princesa Isabel), Emerson Panta (Santa Rita), Totó Ribeiro (Curral de Cima), Jarques Lúcio (São Bento), Daniel Galdino (Piancó), Márcia Lucena (Conde), Magna Dantas (Fagundes), José Aldemir (Cajazeiras), Mônica Cristina (Pilõezinhos), Bevilacqua Matias (Juazeirinho), entre outros prefeitos foi destaque, durante todo o dia de ontem, em portais de notícias e emissoras de rádio da Paraíba.

Esses dez exemplos são apenas uma amostra do caos em dezenas de municípios. Em Santa Rita, por exemplo,  o lixo espalhado por todas as ruas da cidade motivou o prefeito Emerson Panta (PSDB) a decretar estado de emergência.

Também contribuíram para a decisão do prefeito o fechamento das unidades de saúde e falta de pagamento dos servidores ativos e inativos do município.

Médico, Panta recorreu ao prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), a quem pediu socorro para ajudar a limpar a cidade no primeiro dia da gestão.

Luciano Cartaxo atendeu ao pedido do colega prefeito e enviou caminhões de coleta da Emlur para recolher o lixo na vizinha cidade.

Sumiço de R$ 1,7 milhão

Em São Bento, por exemplo, o prefeito Jarques Lúcio (DEM) disse, ontem, que foi ao Banco do Brasil verificar as contas da Prefeitura e constatou que, em uma delas, recursos da ordem de R$ 1,7 milhão- destinados à construção de um hospital e de casas populares- tinham sumido.

Jarques declarou que levará o caso ao conhecimento do Ministério Público Federal, que deverá acionar a Polícia Federal.

Segundo o prefeito, do valor desaparecido, R$ 1,2 milhão seriam para a construção do Hospital e Maternidade Maria Paulino Lúcio.

Os outros R$ 500 mil seriam destinados à construção das casas. Conforme o prefeito, os recursos estariam bloqueados devido a irregularidades nas obras, mas sumiram inexplicavelmente. De acordo com o prefeito de São Bento, os salários dos servidores estão atrasados e cofres praticamente vazios.

Totó quer religar energia

O prefeito de Curral de Cima, Totó Ribeiro (PSDB), disse que tomou posse no escuro porque a luz da sede da Prefeitura e de todos os prédios públicos foi cotada pela Energisa.

Foi obrigado a usar luz de vela passa assinar o termo de posse à noite. O débito deixado, segundo ele, é superior a R$ 1 milhão. Duas semanas antes da posse, Totó previu a situação de caos na Prefeitura.

Ele confirmou que a Prefeitura foi saqueada. Os saqueadores, segundo ele, levaram computadores, aparelhos de TV, bebedouros e armários. Disse que encontrou a frota do município totalmente deteriorada com ambulâncias e ônibus escolares sem qualquer condição de funcionamento.

“Estamos enfrentando uma situação muito difícil no município. A realidade ainda é pior do que imaginávamos. Como não tivemos um processo de transição de governo fica ainda mais complicado de iniciarmos uma administração. O bem público foi saqueado e isso é caso de polícia”, afirmou Totó.

Ontem mesmo, tentaria negociar o débito com a Energia, para ter a luz de volta. “Temos que primeiro conseguir religar a energia para começarmos a trabalhar. Só tenho a lamentar a postura do meu antecessor que não respeitou o povo de Curral de Cima e permitiu que a situação chegasse a esse ponto”, afirmou.  ABS

Danos em Princesa Isabel e Fagundes

Em Princesa Isabel, o prefeito Ricardo Pereira (PSB) confirmou ter encontrado o caos por ele denunciado na semana passada ao Correio. Ricardo Pereira disse que encontrou a Prefeitura no mais absoluto caos. “Não achei um saco de lixo sequer. Encontrei tudo zerado, em todos os setores”, declarou Ricardo Pereira, para resumir o descalabro.

Disse que será feita uma auditoria in dependente, cujo resultado será relatado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público da Paraíba e Ministério Público Federal (MPF).

“Relatarei aos órgãos competentes a situação catastrófica na qual se encontra o município, assim que tiver informações mais detalhadas”. Segundo ele, o rombo deixado pelo antecessor é estimado em R$ 20 milhões. Para tentar amenizar o caos, nos primeiros meses da nova gestão, Ricardo Pereira reduziu as secretarias de 14 para sete e extinguiu as secretarias adjuntas.

Fagundes. A prefeita Magna Dantas (PMDB) disse que também se deparou com o caos no município. Ela passou o primeiro dia da gestão fazendo uma reorganização administrativa e estrutural.

Mandou fazer um levantamento dos bens utilizáveis e determinou o bloqueio de pagamentos eletrônicos agendados, deu contra ordens em cheques datados antes do bloqueio das contas do município pelo TCE. Ela também está realizando, em caráter emergencial, o tombamento do patrimônio do município.

Magna disse que encontrou os prédios públicos tomados pelo lixo. Encontrou na Prefeitura os armários e gavetas quebradas, processos licitatórios jogados em banheiros, computadores quebrados. Disse que nem material de material a gestão anterior deixou.

Para completar o caos, encontrou toda a frota de veículos da Prefeitura sucateada, carros sem motores, com portas e fechaduras arrancadas, e uma infinidade de multas de trânsito. Além disso, encontrou o salário dezembro e o 13º salário atrasados. Ela afirmou que, hoje, estará em João Pessoa. Pretende ir ao Tribunal de Contas pedir o desbloqueio das contas e requisitar uma auditoria. Em Itabaiana, o ex-prefeito Antonio Carlos (PMDB) não deixou nada funcionando. “Além de salários atrasados, deixou outras dívidas, lixo e prédios públicos abandonados.

Relacionadas