quinta, 19 de setembro de 2019
Política
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Paulo Guedes se reúne com membros da Federação das Indústrias no RJ

Damásio Dias / 18 de dezembro de 2018
Foto: Reprodução
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) reuniu empresários nessa terça-feira (17) para um almoço, com a presença do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que na ocasião defendeu cortes no orçamento do Sistema S, conjunto de organizações focadas em treinamento que é gerida por federações de indústria, comércio e transportes, entre outros (Senai, Senac e Senat), que têm programas de qualificação profissional para trabalhadores da indústria, comércio e transporte, respectivamente. Seria a parte dos esforços que o futuro governo pretende para reequilibrar as contas públicas.

Após declarações do futuro ministro, o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio, disse que a entidade já tem um grupo de trabalho para apresentar proposta de reforma do Sistema S. Em nota oficial, a Firjan afirmou que “o mais importante no encontro de hoje (terça, 17) foi expor a abertura de um canal de interlocução que certamente abrigará não apenas a Firjan, mas a todas as entidades de representação da indústria e do comércio”.

Em outro ponto, o presidente da Firjan afirma que os comentários sobre cortes “precisam ser encarados como parte deste desafio, em especial de uma discussão mais ampla sobre o papel das entidades de representação empresarial num cenário de necessidade de redução de custos e resgate da competitividade do país”.

O vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), José Ricardo Roriz, defendeu que todos precisam estar preparados para manter e melhorar tudo que agrega valor para a competitividade e “contribuir com a formulação de propostas para o Brasil sair desta crise que está matando empresas e destruindo a renda das famílias”.

A nota da Firjan ainda diz que “É importante que as lideranças empresariais se mostrem sensíveis e prontas a oferecer sua contribuição para o esforço maior de ajuste das contas do Estado, mas também será importante constatar que o Governo esteja aberto a ouvi-las para compreender, em toda a sua dimensão, o papel social inestimável das instituições que integram o Sistema S em todo o Brasil”.

Aos empresários, Guedes disse que todos têm que dar sua contribuição para o ajuste fiscal, eliminando excessos e deixando claro que o tamanho do corte vai depender da qualidade dos negociadores. “A gente tem que cortar pouco para não doer muito. Se chegarem uns interlocutores inteligentes, preparados, que queiram construir, como o Eduardo Eugênio [Gouveia Vieira, presidente da Firjan], a gente corta 30%. Se não tiver, é 50%”, afirmou.

“O esforço é verificar dentro do Sistema S quais são as atividades que têm característica de bem público, que o mercado não poderia fazer, e quais são aquelas atendidas pelo mercado”, disse à Folhapress o futuro secretário da Receita Federal, Marcos Cintra.

Previdência é prioridade

Guedes disse que uma das prioridades do novo governo é a reforma da Previdência, que deverá incluir um sistema de capitalização “para garantir as gerações futuras”. Ele comparou o sistema atual, compartilhado, com um avião “prestes a cair” por causa da “bomba demográfica” que o país enfrenta com o envelhecimento da população.

Segundo o futuro ministro, é preciso fazer como foi feito no Chile e transitar “na direção de um sistema de capitalização”. “Primeiro vamos tentar acertar esse [sistema] que está aí e depois a gente aprofunda e vai na libertação das gerações futuras, com um sistema de capitalização que democratiza o hábito de poupança, liberta as empresas dos encargos trabalhistas. Vai ser um choque de criação de novos empregos, dá a portabilidade, direito de investir onde quiser”.

Guedes explicou que, nesse novo sistema, o Estado garante o resultado, mas não opera diretamente, agindo como coordenador e fiscal. Com isso, segundo o futuro ministro, o país cria “uma enorme indústria previdenciária que vai botar o Brasil para crescer 4%, 5% ao ano”. Guedes disse que o novo sistema será apenas para os jovens que ingressarem no mercado de trabalho, assim como o novo regime trabalhista, onde vale a negociação, que será optativo.

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