sexta, 23 de abril de 2021

Política
Compartilhar:

Paulino diz que existe Plano B caso CPI não seja instalada

André Gomes / 15 de fevereiro de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
Mesmo acreditando que ainda conseguirá as 12 assinaturas necessárias para dar entrada no pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostos desvios de dinheiro público por meio da Cruz Vermelha, filial Rio Grande do Sul, o líder da oposição na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Raniery Paulino (MDB), revelou que já existe um Plano B para caso a CPI não seja instalada.

“Se não acontecer a CPI já temos um Plano B. Temos dossiês para fazer as nossas apresentações. O governo não tem como não estar exposto a isso porque a sociedade cobra uma versão, cobra uma resposta.

Apesar disso, Raniery revelou acreditar que conseguirá as assinaturas suficientes, inclusive, convidando deputados da base do governo para assinar. “Essa CPI não pode ser exclusiva da oposição. O interessante é que seja uma CPI da Assembleia Legislativa. É uma função típica do Poder Legislativo a confecção de leis e a fiscalização dos atos do Poder Executivo. Nós não estamos nos contrapondo a outros órgãos que também estão fazendo suas fiscalizações. Pelo contrário, isso vai complementar as fiscalizações”, garantiu.

Para o líder oposicionista, um fórum na Assembleia Legislativa através de uma CPI é também uma oportunidade para o governo apresentar sua versão, já que até agora está em silêncio. “É estabelecer o contraditório já que tem sido acusado de desvio de recursos públicos com prisões e áudios vazados de secretários. Por isso acredito que a CPI seria o ambiente para o governo trazer versão a cerca dos fatos”, disse.

Raniery disse ainda que a CPI busca levar para o debate todos os responsáveis pela contratação das Organizações Sociais por meio da Medida Provisória 178 realizada em 2011, como o ex-governador Ricardo Coutinho e os secretários da época. “É a oportunidade para que todos envolvidos nisso e que se sentem injustiçados, possam se defender e apresentar suas verdades”, explicou.

Cruz Vermelha. A Operação Calvário, realizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ-Gaecc) em parceria com o Ministério Público da Paraíba (MPPB-Gaeco) e o Ministério Público de Goiás (MPGO-Gaeco), cumpriu mandado de prisão em João Pessoa, como parte de uma investigação sobre desvios na filiada do Rio Grande do Sul da Cruz Vermelha.

Conforme apurado nas investigações, uma organização criminosa infiltrada na Cruz Vermelha Brasileira era comandada pelo empresário Daniel Gomes da Silva, que já possui condenação criminal em primeira instância pelo crime de peculato, em razão de sua empresa ter sido contratada por valores superfaturados para o serviço de manutenção de ambulâncias à Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro.

Operando sob a denominação e o CNPJ destas entidades não governamentais, a organização criminosa comandada por Daniel obteve acesso a mais de R$ 1,1 bilhão de reais em recursos públicos, para a gestão de unidades de saúde em outras unidades da Federação.

Novo bloco deve interferir nas comissões



A criação de um novo Bloco Parlamentar apresentado na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) ao presidente Adriano Galdino (PSB) pelos partidos Avante, PPS, DEM e PR deve interferir diretamente nas composições e escolha dos presidentes das Comissões Permanentes da Casa. A liderança ficará com o deputado Júnior Araújo (Avante), tendo Felipe Leitão (DEM) e Caio Roberto (PR) como vice-líderes.

É que a criação do novo bloco muda a composição e poder de voto até então instituído com a criação do Blocão (base governista) formado pelo PSB, Avante, Podemos, PTB, PPS, PC do B, rede e PSD e que tinha o deputado Wilson Filho (PTB) na liderança.

A partir de agora, com o racha na bancada governista, o bloco formado pelo Avante, PPS, DEM e PR passa a ter o direito a dois votos na composição das Comissões Permanentes. A mesma quantidade de votos também terá a bancada oposicionista formada pelo MDB, PSDB, PRTB, PSL e Progressista.

O racha faz com que o Blocão passe a ter o direito a apenas 3 votos. Se o novo bloco resolver se unir com a oposição, assim como aconteceu nas eleições para Mesa Diretora, as presidências das principais Comissões da Casa, a de Constituição e Justiça (CCJ) e de Orçamento, podem cair nas mãos de “governistas” não tão chegados ao governador João Azevêdo (PSB).

O líder da bancada de situação, Ricardo Barbosa (PSB), já havia confirmado que ainda possivelmente, ainda esta semana, a bancada governista se reuniria para discutir as composições das Comissões.

Já o líder da oposição, Raniery Paulino, disse que observa essas movimentações e contrariedades da bancada governista para poder ocupar os espaços. “Nós somos 12, estamos unidos e queremos ocupar os espaços nas Comissões, inclusive presidir algumas delas, mas isso só se faz com conta matemática. Essa base não é sustentável. O governo apresentou um candidato para eleição da Mesa e teve apenas 13 votos”, destacou.

Relacionadas