quarta, 19 de dezembro de 2018
Política
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Patos completa 115 anos e novo prefeito ‘aperta os cintos’ da cidade

Adriana Rodrigues e Cícero Araújo / 24 de outubro de 2018
Foto: Reprodução TV CORREIO
Há 71 dias à frente da Prefeitura de Patos, Bonifácio Rocha (PPS), fala das primeiras medidas adotadas em sua gestão para manter a máquina pública municipal em funcionamento, dentre elas a redução no quadro de pessoa, a rescisão de contratos e a suspensão de alguns serviços não essenciais.

O prefeito em exercício afirma que a administração municipal está funcionando melhor após o corte de cargos e que no próximo ano, com as contas saneadas, vai poder realizar ações estruturantes no Município.

No dia do aniversário de 115 anos de elevação à categoria de cidade, o prefeito pede paciência aos cidadãos para o momento de reorganização após gestões fracassadas e que está disposto a continuar trabalhando para fazer com que a cidade se desenvolva muito mais.

Bonifácio Rocha, eleito vice-prefeito em 2016, assumiu o comando do Executivo municipal no último dia 15 de agosto, devido ao afastamento cautelar do prefeito Dinaldo Medeiros Wanderley Filho, conhecido por o Dinaldinho (PSDB), por decisão judicial, sob a acusação de suposto envolvimento em uma organização criminosa especializada na fraude de licitações e desvio de dinheiro público.

Entrevista

- O que o senhor tem a destacar nesse aniversário de Patos?

- Patos está comemorando 115 anos de elevação de vila à categoria de cidade e nesse tempo tem demonstrado pujança - seu crescimento, sua beleza- e se destacando na região, ao ponto de ser credenciada como metrópole da região. É uma cidade metropolitana e como tal, ela tem se firmado cada vez mais no cenário socioeconômico do Estado da Paraíba. A maior riqueza, o maior patrimônio que Patos tem é seu povo, que é um povo trabalhador, um povo honrado, um povo que nunca baixou a cabeça para as crises, e a gente sabe acima de tudo, que o povo de Patos é um povo acolhedor e é isso que faz a cidade crescer, porque a gente constata a cada ano novas empresas, famílias de outras cidades. É justamente pelo acolhimento e pelo vislumbre que Patos tem na economia do Estado da Paraíba. Então, eu parabenizo a cidade, o povo de Patos, as pessoas de bem da cidade e juntos, cremos e acreditamos que vamos construir uma cidade melhor ainda para o futuro e estamos trabalhando para isso.

- Na semana passada, o senhor exonerou servidores comissionados e determinou que todos os secretários ficam obrigados a adotar medidas para acentuar a fiscalização do controle de frequência, inclusive, realizando mecanismos de auditagem para viabilizar que todos os servidores efetivos estejam desempenhando suas funções, nas respectivas unidades administrativas em que estejam lotados. Qual é o tamanho da dívida de Patos hoje? Quanto o senhor espera economizar com essas medidas?

- O importante é ter tomado as medidas. Algumas são antipáticas, às vezes, mas austeras e necessárias. Pois havia, como é de costume em algumas administrações, muito acúmulo de cargos, pessoas ganhando sem trabalhar. Foi preciso tomar uma medida radical para que pudéssemos ter conhecimento do que realmente precisamos fazer. Então aos poucos nós estamos enquadrando o pessoal nos lugares corretos, as pessoas que querem realmente trabalhar, pessoas que fazem jus ao seu salário. Nós estamos vendo com muita tranqüilidade o surgimento da nova forma do trabalho da administração municipal de Patos, inclusive constatando que em alguns órgãos, com a metade das pessoas, estão funcionando melhor do que funcionava no passado. Então, isso é uma tônica que estamos fazendo e queremos continuar fazendo à frente da gestão, auditando, para que o povo de Patos continue realmente seguro no tocante à administração. A economia que nós estamos conseguindo fazer com essas medidas tomadas, cancelando contratos, muitas vezes viciados, é grande. Já alcançamos uma economia de aproximadamente R$ 2 milhões mensais, com esses cortes. Há uma dívida histórica em Patos, mas nossa principal preocupação é realmente sanar a situação atual. Essas dívidas estamos pagando de forma escalonada, estamos dissolvendo, diluindo de acordo com a possibilidade da receita do Município.

- Qual o débito que o senhor herdou da administração de Dinaldinho? Essa conta vem apenas da gestão dele ou de outras gestões?

- Não. Inclusive há muitos parcelamentos de outras gestões. Infeliz-mente a cidade de Patos, eu acho que em outros municípios ocorre isso também, havia maneira aduaneira de administrar, com o acúmulo de obrigações e dívidas. Só nesse início da gestão, de 2017 para cá, nós temos um passivo de R$ 50 milhões, mas isso também são dívidas que vêm passando de administração para administração. Agora, só em 2018, nós temos um passivo de R$ 28 milhões que deixaram de ser pagos, isso de dívidas contraídas no próprio exercício. Então, a situação é muito difícil, mas solucionáveis. Nós estamos tomando essas medidas justamente para solucionar todos esses problemas e já estamos vendo sinais da cidade andar normalmente. Foram prejudicados alguns serviços, mas isso foi preciso, porque não tínhamos como mantê-los. Mas já estamos recuperando alguns e temos uma projeção para 2019 que a cidade vai voltar a caminhar normalmente com todos os serviços atualizados e em funcionamento.

– O senhor é aliado político do governador Ricardo Coutinho e do governador eleito João Azevêdo. Como o Governo vem ajudando à sua administração a sair dessa condição de arrocho financeiro?

- Nós estamos no fim de Governo, mas mesmo assim o governador Ricardo Coutinho já sinalizou com algumas ajudas, até cedendo pessoas, com ônus para o Estado, nos fornecendo máquinas para limpar a cidade, resolver alguns problemas que vinham se acumulando, já que a frota da cidade praticamente não existe, temos um canteiro de máquinas quebradas, e o Município sem condições de recuperá-las, mas ele nos ajudou nisso e a gente tem uma projeção muito boa para o Governo de João Azevêdo. A gente é aliado de muitos anos, acreditamos que ele será um governador muito bom, já que vai pegar um Estado mais ou menos equilibrado, porque no Brasil não tem nenhum Estado equilibrado, mas a Paraíba se destaca neste sentido ai, e vai poder fazer muito mais do que Ricardo Coutinho. A gente tem muita esperança de o Governo ajudar o Município de Patos. Já estamos conversando e fazendo algumas reivindicações para que, a partir de 2019, sejam efetivadas essas ajudas na nossa cidade.

– Os dois últimos prefeitos eleitos em Patos foram afastados por envolvimento em corrupção. Como o senhor vem atuando, com quais medidas, para evitar as práticas ilegais na administração municipal de Patos sob o seu comando? 

- Até o exemplo negativo nos alerta para isso. E acima disso, tem a nossa história, o trato com a coisa pública, nós temos essa índole de fazer as coisas com probidade. Mesmo se não houvesse esses sinais negativos a gente tinha a preocupação de fazer uma administração proba, que realmente dignifica o povo de Patos. Só como exemplo, eu quero deixar isso público, eu não uso um litro de gasolina que venha da Prefeitura. Eu uso o meu carro e a minha gasolina, já para dar exemplo e mostrar que a gente está na gestão, fomos convocados pela Justiça, para dar respostas ao que o povo mais precisa. Com essas medidas eu estou acreditando que logo, logo a cidade sai deste caos generalizado.

– Há um movimento de vereadores que propõe o seu afastamento da gestão. Como o senhor vê as ameaças de um possível pedido de impeachment?

- Eu nem sei como eles vão fazer isso. Agora, nós sabemos que a briga pelo poder é grande. Existe boatos que querem a minha saída para assumir o poder. Eu não tenho prova disso, mas é um boato corrido na cidade. Eu não sei o motivo e a gente fica triste, porque numa época como essa, um pensamento desse... Eu nunca discriminei vereador. Garanto à cidade de Patos, que privilégios não terão os vereadores e nem ninguém em nossa administração, e talvez isso tenha atingindo alguém, que se revoltou. Mas estou aberto ao diálogo com os vereadores, contudo afirmando: para entendimentos institucionais. Mas não de privilégios ou outras propostas que eles queiram além da legalidade.

– Prefeito, a cidade de Patos está voltando a sofrer com problemas na coleta de lixo. Caminhões inadequados, garis sem equipamentos de proteção individual e atraso nos salários. Quais as medidas que a prefeitura pretende tomar para regularizar esta situação? 

- Nós já tomamos muitas medidas, mas elas não têm efeitos no momento. Essas medidas vão surtir efeitos a partir desse mês. Cancelamos alguns contratos, que apenas eram onerosos, sem prestações de serviços. Nós reduzimos a folha de pagamento. A questão do lixo, propriamente dito, é em razão da empresa estar sem receber. Nós estamos aos pouco superando essa obrigação que o Município tem com a empresa, que fica alegando também que não tem condições de trabalhar. Mas vamos manter a empresa. E vamos em 2019, se Deus quiser, melhorar muito nesta questão da limpeza urbana, porque vamos conseguir um veículo para a frota e para ajudar na coleta, de modo que vai diminuir muito o valor do contrato da empresa e vai ficar viável. Estamos projetando tudo isso, e já estamos buscando as medidas para sair dessa situação.

– Após a exoneração de servidores, com o restabelecimento financeiro, o senhor pretende realizar concurso público para contratar pessoal? Há condições para isso ou enquanto tempo se prevê essa medida, que consiste numa valorização do funcionalismo e do cidadão que espera o melhor serviço por parte da administração pública?

- O concurso público é uma exigência do Ministério Público. Até porque nós tínhamos aproximadamente 1.000 contratados e comissionados. Esse concurso está sub judice, mas nós pretendemos fazer, porque para mim é a forma legítima que existe do ingresso do trabalhador na administração pública. Então, nós vamos fazer tudo o que for preciso para realizar, logo que a Justiça libere. O Tribunal de Contas apresenta uma faceta, o Ministério Público outra, então vamos participar de uma audiência para que se delibere de uma vez esse concurso. O concurso será feito para substituir os contratados, parcialmente. Porque mesmo com o concurso serão 300 vagas e não vai ficar do tamanho do que era. Mesmo com a admissão de todos os concursados, a máquina vai ficar menor do que era antigamente, antes do concurso.

 

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