quarta, 25 de novembro de 2020

Política
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Partidos usados para negócios: ter mais de 30 legendas compromete a democracia

André Gomes / 13 de agosto de 2016
Foto: Raniery Soares
“É impossível uma democracia viva, vibrante e robusta com mais de 30 partidos políticos como no Brasil. Na verdade, o que nós temos é um bom número de siglas de aluguel”. Foi o que disse o ministro e corregedor eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Herman Benjamin, em entrevista exclusiva ao Jornal Correio.

Para o ministro, as 35 siglas partidárias existente hoje no País são utilizadas apenas para negócios camuflados com a utilização das ferramentas da legislação eleitoral. “São grupos pessoais com interesses nada nobres e sem qualquer ideologia. Portanto sem objetivos políticos, que se organizam para negócios”, disse.

Herman Benjamin defende uma transformação desse modelo atual de política brasileira. De acordo com ele é papel do Congresso Nacional fazê-la, mas também acredita que existe uma grande responsabilidade do Tribunal Superior Eleitoral de não fechar os olhos para “os abusos e distorções profundas no modelo político adotado no País”.

Após as revelações de vários escândalos de corrupção no Governo Federal, o ministro espera que os eleitores encarem uma nova forma de analisar os candidatos no pleito de outubro.

“Espero que tenha uma mudança, mas não tenho convicção de que isso mude como um passe de mágica. O que eu acho que vai mudar é muito mais a forma de fazer política”, destacou.

O corregedor eleitoral também destacou o fim do financiamento de campanha por empresas. “Eu pessoalmente sou contrário a contribuição de empresa. Empresa não vota. Só deve contribuir com partidos políticos, com candidatos o eleitor, o cidadão. Porque é este cidadão que ao invés de pedir, exige do seu candidato. Não porque doou uma determinada quantia, mas porque como cidadão eleitor tem o direito de exigir dos seus governantes que cumpram exatamente a constituição e as leis. Já as empresas utilizam, via de regra, o financiamento de campanhas eleitorais com razões que não são muito nobres. Ou se trata de simples pagamento de favor ou se trata de adiantamento de favores futuros, ou muitas vezes se trata de comprar blindagem no parlamento e não apenas dos partidos de situação, mas também dos de oposição”, disse.

Outra novidade das eleições 2016 citadas pelo ministro Herman Benjamin é quando a Operação Lava Jato. De acordo com ele, a Operação teve, tem e terá impacto na forma de se fazer política no Brasil.

“Não é possível que essas próximas eleições sigam o rumo das eleições anteriores, considerando tudo aquilo que veio a tona a partir da Lava Jato”, disse.

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