sábado, 12 de junho de 2021

Política
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Partidos terão que se reinventar para atrair os eleitores descrentes

André Gomes / 02 de julho de 2017
Foto: Ilustrativa
Diante da falta de credibilidade dos políticos, a saída para os candidatos que irão buscar um mandato em 2018 será a boa avaliação pessoal. Especialistas acreditam que os indivíduos vão assumir protagonismo até maior do que deveriam. Em meio aos escândalos de corrupção, em que até o presidente da República é acusado de receber propina para favorecimento de grupos empresariais, os eleitores irão priorizar as qualidades de cada candidato, sem observar, necessariamente, a qual legenda ele é filiado. Levando por base essa hipótese, presidentes de partidos na Paraíba defendem uma reformulação, principalmente de quadros, para a disputa eleitoral do próximo.

Segundo o professor e cientista político Fábio Machado, evidências mostram que em função da inércia dos partidos perante a população enquanto instituição, as pessoas devem votar em quem conhecem, optando assim pelo individualismo. “Os eleitores irão adotar critérios personalíssimos para escolher o seu candidato nas eleições do próximo ano. Vão analisar a vida do cidadão para então confiar o voto”, disse.

O professor lembra que isso acontecerá pelo distanciamento dos partidos. De acordo com ele, é preciso que as legendas se reinventem, que mostrem mais interesse com pautas constantes de proximidade junto da população. “O tempo até a eleição do próximo ano é curto, mas vale a pena iniciar imediatamente uma reformulação de quadros e principalmente de pautas para serem trabalhadas com o povo”, afirmou.

Outro ponto destacado pelo professor para que os partidos ganhem um pouco mais de confiança dos eleitores, é quanto a filiação partidária. Ele acredita que é preciso ampliar o processo de oxigenação das siglas. “Vemos que esses partidos são formados na sua maioria por caciques antigos, por famílias. É preciso colocar gente nova, apostar na juventude e em pessoas que tenham trabalhos e compromissos sociais”, explicou.

Dentro das metas de aproximação com a população, o professor Fábio Machado destacou que são necessárias realizações de atividades educativas voltadas a política de forma mais pedagógica. “Deve-se debater com a sociedade questões ligadas a segurança pública, saúde, educação, infraestrutura. Todos temos problemas e gostaríamos de ter o apoio dos partidos para solucioná-los. Infelizmente o que acontece é o contrário. Quando a eleição acaba, os partidos e políticos geralmente somem”, disse.

Corrupção ficou enraizada

O professor e cientista político Lúcio Flávio destaca que os maiores partidos do Brasil, os mesmos que governam o país desde 1985 (PMDB, PSDB, PT, PP) e seus satélites estão envolvidos em corrupção. Essa prática, segundo ele, não é nova e está enraizada na vida política nacional e contamina não só o executivo, mas também o legislativo e o judiciário.

Para o professor, o que está mudando é a sociedade que não tolera mais a corrupção generalizada, que envolveu os partidos de direita, centro e esquerda. “Mesmo estando os eleitores mais exigentes, não acredito que a curto prazo, a prática de corrupção seja suprimida das entranhas da vida política nacional”, disse.

Lúcio Flávio acredita que apenas mediante uma profunda reforma política, realizada pelo conjunto da sociedade, é que se mudará o quadro de decadência. “Como não há indícios de que essa reforma virá desses parlamentares que estão no Congresso Nacional, acredito que no próximo ano teremos uma bancada federal tão medíocre, conservadora e corrupta como essa”, afirmou.

O professor ainda destaca um agravante nessa análise sobre corrupção nos partidos. De acordo com ele, a população poderá escolher um "Salvador da Pátria", como fez ao eleger Fernando Collor de Melo presidente do Brasil em 1989. “Esse será o grande risco e preocupação para as eleições do próximo ano”, alertou.

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