quarta, 26 de junho de 2019
Política
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Partidos mudam nome para limpar imagem perante sociedade

Adriana Rodrigues / 09 de junho de 2019
Foto: Imagem ilustrativa
Como muitas coisas no Brasil que existem por aparência, partidos adotaram a mesma estratégia para tentarem se livrar da péssima imagem que caiu sobre o universo político nacional: eles estão mudando de nome para se dissociarem do fantasma da corrupção. Nesse caminho apostam, mais uma vez, na incapacidade de análise do eleitor.

Muitos já trocaram de nome, a exemplo do antigo MDB do período da ditadura militar, que se transformou em PMDB em 30 de junho 1981 e, mais recentemente voltou a ser MDB, em 2017, mas já está pensando adotar um nome mais pomposo: Movimento.

Existem hoje no país 32 partidos políticos e muitos querem seguir essa estratégia de marketing, sem se preocuparem com uma mudança de conteúdo, mantendo as práticas antigas e mudando a placa na frente da sede. Fazem até pesquisa para saber que nome adotar, como se estivessem definindo a nomenclatura de um produto comercial. Um exemplo disse é o Democratas, que já foi DEM, e muito anteriormente era PFL.

O PR (Partido da República) voltou à antiga denominação, PL (Partido Liberal). O PSDB encomendou pesquisa para saber qual o novo ‘batismo’, mas ainda não definiu. O que se saber é que poderá adotar o nome Digital, como se fosse de uma loja de artigos de informática. A estratégia aqui é tentar deixar de fora o termo ‘partido’, para não haver a indigesta associação com o cotidiano político que tem varrido de escândalos o país na última década. Eles buscam atrair o eleitorado, e reduzir o índice de desgaste e rejeição nas urnas.

Nos últimos dois anos, pelo menos 10 siglas já alteraram ou estudam alterar o nome. A decisão que costuma ser acompanhada como um processo de divulgação nas redes sociais, com a proposta renovação de estatutos e programas partidários, para passar a impressão de uma total reestruturação, tendo por trás toda uma estratégia de marketing. Todas as mudanças, de nome e estatuto, precisam de aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Uma estratégia que DEM, que hoje preside tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado e é o partido do coordenador da bancada federal paraibana, Efraim Filho, fez em 2007, quando deixou de ser PFL e adotou a marca DEM e passou a ser Democratas. Essa medida vem sendo seguida, por siglas como PP, que mudou para Progressistas; pelo PTN, que virou Podemos; pelo PEN, que virou Patriota; o PTdoB, passou a ser Avante; o PSDC, transformou-se em DC; o PMDB, que voltou a ser MDB e já estuda virar Movimento; o PR, que voltou a ser PL; o PRB, que passará a ser Republicanos; e o PPS que vai virar Cidadania. E outras mudanças devem surgir até as eleições do próximo ano, onde os partidos querem aparecer repaginados e com um novo nome.

Para atender a sociedade



Ligado à Igreja Universal, o PRB vai se transformar em Republicanos, como vem sendo amplamente divulgado por integrantes do partido. A intenção da legenda é focar sua atuação no campo ideológico da centro-direita e para está mais próximo da população.

De acordo com o deputado federal Hugo Motta, presidente do PRB na Paraíba, ao contrário de outras legenda, que mudaram ou estão mudando de nome uma forma de se apresentar como uma nova proposta, o PRB fez um estudo amplo sobre aquilo que o partido deveria apresentar a sociedade brasileira. “Esse estudo foi concluído por sociólogos, cientistas políticos. O partido chegou ao nome de Republicanos. Apresentamos na Convenção Nacional que aprovou a mudança, uma carta com a nova resolução do partido, o que o Republicanos defende, o que ele pensa ser bom para o Brasil”, comentou.

Hugo Motta disse ainda, que a bancada do seu partido foi uma das únicas bancadas que conseguiu crescer, na última eleição, que foi uma eleição totalmente atípica. “O partido não muda de nome para sobreviver. O partido muda de nome para dar ao País a condição de está mais próximo dos anseios que são fundamentais para população brasileira”, explicou.

O parlamentar disse entender, que nesse momento a mudança de nome é importante, porque nosso partido que saiu fortalecido das eleições, e agora com o novo nome, mostra a preocupação de está próximo com aquilo que a população brasileira pensa e entende ser bom para o futuro. “Eu não tenho a menor dúvida que essa mudança surtirá efeitos positivos, porque o Republicanos chega realmente forte no Congresso, forte para disputar as eleições municipais do ano que vem. Chega fortalecido porque vem saído das urnas com uma bancada maior, do que a bancada que tinha antes, tanto na Câmara quanto no Senado”, declarou.

Hugo Motta disse ainda, que agora o desafio é levar todos esse estudo, o programa que o partido apresentou para todos os Estados do País, com a finalidade de que nas eleições do ano que vem tenha a oportunidade de fortalecer ainda mais o partido, elegendo prefeitas, prefeitos, vice-prefeitos, vice-prefeitas, vereadoras e vereadores em todos os municípios brasileiros.

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