sexta, 04 de dezembro de 2020

Política
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Partidos buscam forças nos filiados para não definharem nas Eleições 2020

Adriana Rodrigues / 05 de maio de 2019
Os partidos políticos estão buscando novos filiados junto aos principais segmentos da sociedade, como mulheres, jovens, empreendedores, profissionais liberais e líderes comunitários para não definharem nas eleições do próximo ano. Será a primeira com a nova regra que proíbe coligações para os cargos proporcionais e a partir da qual o partido terá que concorrer sozinho para eleger seus candidatos a vereador.

O fim das coligações para disputa proporcional promete acabar com as chamadas ‘panelinhas partidárias’ e os “partidos de alugueis”, que funcionavam como balcões de negócios para formar coligações com grandes partidos, em busca de vantagens financeiras, e até mesmo com grandes chances de eleger seus candidatos com a soma dos votos da coligação, com pouquíssimo esforço. Isso pelo menos para chapa proporcional, porque para a majoritária ficou mantida a velha regra das alianças.

Para se adequar a nova regra, com o propósito de eleger seus candidatos as Câmaras Municipais no pleito de 2020, os partidos já estão em campo para reforçar seus quadros de filiados e para puder contar com nomes preparados para a disputa e com chances de vitórias, sem a ajuda das velhas coligações. Além disso, muitos estão buscando reformulações e fortalecimento da estrutura interna.

De acordo com o advogado Harrison Targino, professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e da Unipê, o tempo é de discutir a democracia interna dentro dos partidos políticos para adequação das novas regras eleitorais. Segundo ele, nesse sentindo a Justiça Eleitoral tem dado passos importantes, quando por exemplo, exige que a distribuição dos recursos dos dois fundos públicos que financiam as campanhas e os partidos, levem em consideração a exigência do respeito a cota de gênero.

“Isso não deixa de ser uma limitação ao tradicional direito das cúpulas partidárias de gerirem como querem ao seu bel prazer, os recursos destinados aos partidos políticos da agenda das candidaturas. Eu tenho a firme convicção que nós só melhoraremos o cenário político quando conseguirmos melhor estruturar, esse agente político social importante, que é o partido, exigindo dele, que tenha uma mecânica democrática mais forte, que ele pode respeitar mais os filiados”, comentou.



Harrisson Targino, que além de professor universitário e especialista em Direito Eleitoral, também é conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (AOB), afirmou que há um movimento muito forte para exigir que os partidos escolham seus candidatos aos cargos majoritários e até mesmo proporcionais da forma mais aberta possível. “A lei diz que os candidatos serão escolhidos em convenções partidárias, propiciando quem sabe até mesmo, prévias partidárias, que garantam a todos os candidatos, a oportunidade de se apresentarem aos filiados e disputarem por igual. Porque a preço de hoje, a maioria dos partidos tem uma mecânica democrática muito tênue, muito superficial”, afirmou.

Para Harrison Targino, parte dos 34 partidos registrados, são aglomerados familiares, ou aglomerado de poucos interesses. E os caciques das cúpulas partidárias terminam reproduzido-se, indicando sempre os candidatos e distribuindo os recursos exatamente aos seus priorizados. Assim,os jovens, os novos filiados, os que não são da cúpula ou não são ligados as famílias que comandam as legenda, terminam sendo tratados como estranhos no ninho, e pouco espaço lhe sendo dados.

“Esse modelo tradicional e velho de partido está sendo posto em cheque, seja por essa preocupação até da Justiça Eleitoral de democratizar, seja pela própria sociedade, que tem questionado muito o papel dos partidos políticos e a sua capacidade de efetiva representação do interesse das pessoas. Os partidos que se estruturam da forma tradicional estão perdendo força, e tem surgido vários partidos mais atento a esses novos tempos, a essas novas perspectivas”, avaliou o advogado.

Mesmas ideologias, mesmas bandeiras



De acordo com Targino, a questão das filiações é algo muito forte. “Se você olhar bem, quando uma pessoa se filiar a um partido termina fazendo um compromisso com o seu ideário. E em verdade, boa parte dos nossos partidos repetem em seus estatutos frases genéricas e bandeiras comuns. Não é fácil diferenciá-los a luz dos compromissos ideológicos e partidários”, comentou.

Para o advogado, falta a muito dos partidos brasileiros uma identidade efetiva de bandeiras de lutas. “Mas mesmo assim as pessoas se filiam e essas filiações muitas vezes são provocadas por movimentos de aproximação, que não levam em consideração bandeiras, mas circunstancias. E se você perceber o número de filiados no Brasil é um número muito grande, 16.788.049 filiados”, comentou.

De acordo com Harrison Targino, a tendência é os partidos se redesenharem e diminuir a influencia das cúpulas e das panelinhas. “A população já sinalizou os seus desejos de mudanças, de renovação, e só não ler quem não quer. Um fenômeno particular nesse campo é a feminilização, ou seja, o aumento da presença feminina nas instâncias partidárias. Há todo um movimento nacional a favor de incremento da participação feminina, de garantia de espaço para as mulheres, inclusive a lei determina que parcela de valor da propaganda do partido e dos recursos partidários seja utilizado em prol da participação feminina. Então há muito expectativa que nas cúpulas partidárias haja também a maior presença da mulher”, enfatizou.

Para o cientista político Lúcio Flávio Vasconcelos, doutor em história política pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Brasil vive em estado permanente de campanha eleitoral, devido as eleições a cada dois anos. “Os partidos políticos já estão se movimentando, na perspectiva de filiar mais pessoas com perfil mais alinhado com as exigências da sociedade. Daí a busca por jovens e mulheres que são outsider do mundo político.

Mas não podemos esquecer que ainda quem determina uma vitória eleitoral é o volume de recursos, lícitos e ilícitos, que cada candidato dispõe”, comentou.

Segundo Lúcio Flávio, a força do capital é quem tem determinado as eleições municipais e estaduais, com exceção da eleição presidencial. “Por isso, nós veremos, no próximo ano, mais uma vez, uma disputa entre os poderes executivos da prefeitura e do estado. Uma luta política entre os exércitos de prestadores de serviço e recursos públicos do governo do estado e prefeituras”, afirmou.

O professor acredita que o fim das coligações irá, paulatinamente, diminuindo a importância dos pequenos partidos. “Os políticos profissionais irão migrar para os partidos maiores, com mais infraestrutura, recursos e capilarização na sociedade. A consequência será a desidratação e o consequente desaparecimento das pequenas siglas não ideológicas. Mas não tenhamos ilusão: mesmo os grandes partidos têm grupos e facções que brigam entre si. Os partidos também são “partidos” internamente”, argumentou.

Lúcio Flávio destacou ainda: “Assim é o jogo democrático. Os conflitos fazem parte da sociedade democrática e plural. Só os regimes autoritários, de direita e de esquerda, querem eliminar os adversários e por um fim nas divergências. Democracia é o conflito com respeito as leis. E assim deve ser”, declarou.

Diálogo para formação das chapas





Presidentes de partidos estão tomando as providências para se adequarem a nova regra e disputar as eleições do próximo ano com êxito sem as coligações na disputa proporcional. O diálogo para formação de chapas é o caminho vislumbrado.

O presidente do PT na Paraíba, Jackon Macedo, disse que o partido criou, na direção estadual, um Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), formado por dirigentes, que estão responsáveis para fazer até julho um mapeamento da situação eleitoral do partido no Estado. “Esse levantamento vai apontar a onde temos vereador, vice-prefeito, prefeito, e avaliar a potencialidade de cada município para as disputas proporcional , majoritária. Pela primeira vez o PT cria o GTE um ano antes das eleições, a gente sempre criava o GTE no ano da eleição. Então agora criamos um ano antes porque queremos chegar bem nas eleições do próximo ano”, comentou.

Como informou o presidente, o GTE é composto por oito dirigentes do PT estadual, dentre eles Anselmo Castilho, Éder Dantas, Josenildo Feitosa, Maria do Rosário, Zeze Bechade, que foram designados para mapear as situação do partido no Estado para as eleições de 2020, acompanhar os municípios e verificar as coligações das chapas majoritárias.

De acordo com Macedo, o partido vai trabalhar essa questão agora, para que no dia 13 de julho o GTE apresente um relatório, em um Encontro Estadual que será realizado em João Pessoa, com a participação de representantes de todos os municípios, para discutir e avaliar o mapa do PT para as eleições de 2020. “O nosso objetivo é dobrar o número de vereadores que nós temos na Paraíba. Nós temos hoje aproximadamente 70 vereadores, queremos dobrar esse número, e eleger mais prefeitos e também vice-prefeitos no Estado”, afirmou.

No que diz respeito ao processo de filiações, o presidente do PT na Paraíba disse que este vem sendo permanente, com o ingresso de lideranças comunitárias e dos movimentos sociais, ligadas as principais bandeiras de luta do partido.

O deputado federal Efraim Morais Filho, vice-líder do Democratas na Câmara dos Deputados, disse que com o fim das coligações os partidos terão que fortalecer ainda mais a democracia interna e a estrutura partidária. Segundo ele, terá vez e votos na disputa proporcional do próximo ano aquele que abre as portas para os seus filiados, que dialoga, que conversa. “Essa é uma característica que o Democratas traz no próprio nome, sempre foi um partido de muito diálogo, para montar a sua chapa, e será assim para disputar as eleições proporcionais”, revelou.

De acordo com o parlamentar, outra estratégia do partido para se fortalecer para disputa proporcional do próximo ano, que será a primeira sem coligações partidárias, é o estímulo para trazer núcleos da sociedade que hoje estão um pouco mais afastados da política. “O Democratas é ativo na questão da Juventude, na questão da Mulher. Estamos chamando a mulher para participar, tanto que estamos dando protagonismo a essa ala do partido, com a chegada da primeira-dama de Cabedelo, Danielle Roconi, para fazer um trabalho em todo o Estado”, comentou.

Outra ala que também está sendo reforçada é a do Democratas Empreendedor. “Até mesmo pelo trabalho que vem sendo feito em nível nacional, com a agenda econômica do País, onde temos tido uma busca muito forte por micros empresários, empreendedores que querem agora e estão vendo que estar na política é importante para contribuir com as mudanças do País. O setor produtivo não pode ficar omisso. Eu acho que a estratégia maior para conseguir avançar é essa: foco nos principais segmentos”, declarou.

Efraim Morais destacou, ainda, que com essa nova legislação existirão dois tipos de partidos: aqueles que serão pólos atrativos e aqueles que acabarão não existindo, ou acabarão cedendo seus quadros para os outros partidos mais estruturado. “E eu enquadro o Democratas como sendo um dos pólos atrativos da próxima eleição, isso muito em reflexo do cenário nacional. As pessoas irão procurar partidos que consigam trazer e transmitir uma mensagem para o eleitor”, afirmou.

De acordo com o parlamentar, que é filho do presidente do partido na Paraíba e também faz parte da executiva estadual, hoje, o Democratas ocupando presidência da Câmara, presidência do Senador, três ministérios e na Paraíba tendo uma representação com protagonismo, será um dos pólos atrativos de vereadores e candidatos que terão naturalmente, que ao se aproximar do prazo, entender o cenário, o tabuleiro do jogo político para definir qual o melhor caminho para disputa.

O deputado estadual Felipe Leitão, presidente do Democratas em João Pessoa, reafirmou o posicionamento de Efraim Filho, diante do fim das coligações. Ressaltando, que o partido vai respeitar a legislação eleitoral e defender com afinco a democracia acima de tudo. “As mudanças e reformas precisam ser mais profundas e ir além do fim das coligações. O Democratas vive um novo momento, nos iremos buscar candidatos com ideias novas”, afirmou.

O deputado federal Ruy Carneiro, que está deixando a Presidência do PSDB na Paraíba neste domingo, afirmou que os preparativos para eleições do próximo ano já estão sendo deflagrados com a renovação dos diretórios do partido em todo o Estado.

Segundo ele, o trabalho será intenso, e o partido já estar conversando com lideranças, atraindo pessoa, candidatos a vereador. “É um trabalho que eu acho que é vem sendo feito por todos os partidos. Teremos uma nova realidade que vai beneficiar aqueles que se preparem e tiverem estrutura para disputa proporcional sem coligações. Assim teremos que reforçar ainda mais nossos quadros de filiados”, declarou.

Ruy Carneiro, que será substituído na presidência do ninho tucano no Estado pelo deputado federal Pedro Cunha Lima, acredita que o fim das coligações vai beneficiar os partidos que tem credibilidade e estrutura partidária e de quadros políticos. “Os partidos que não têm credibilidade terão dificuldades, mas haverá maior valorização partidária e fortalecimento das siglas para disputa proporcional, porque será colocada em xeque a força das legendas e sua capacidade de organização. Assim, largará na frente quem conseguir montar e manter essa estrutura para disputar o pleito sem a ajuda de coligações”, opinou.

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