sexta, 27 de novembro de 2020

Política
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Para Cássio, saída para o Brasil é tirar Dilma Rousseff

Adriana Rodrigues / 30 de dezembro de 2015
Foto: Assuero Lima
Cássio Cunha Lima disse ontem que a saída de Dilma da Presidência da República será a única alternativa para resolver a grave crise econômica e institucional do Brasil. Segundo Cássio, no governo petista, o Brasil só anda para trás. Ele também defende a cassação do vice-presidente Michel Temer e do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ambos do PMDB.

Um dos principais opositores da gestão petista, o senador paraibano ressaltou que atuou este ano como uma voz da mudança que o País precisa e se mostrou preocupado, não só com a crise econômica, mas com o sofrimento do povo brasileiro. Segundo ele a situação piorou muito com a volta da inflação, do crescimento do desemprego e com o aumento dos preços.

Também criticou o aumento dos impostos, alertando que ao invés de passar de janeiro a abril trabalhando para pagar impostos, os brasileiros vão ficar de janeiro a junho, quase a metade do ano, se sacrificando para acertar as contas com o Governo Federal, que vê como alternativa para enfrentar a crise a cobrança de mais impostos e prestar serviços públicos cada vez piores.

O tucano fez um balanço de suas principais ações no Senado, destacando projetos de leis de sua autoria que já foram aprovados, dentre eles o que prevê uma cota para pessoas portadoras de necessidades especiais terem acesso a universidade, bem como da mobilização em defesa da conclusão das obras de transposição do Rio São Francisco, que conforme ressaltou, já deveria está pronta para amenizar a crise hídrica no Nordeste, mas vem sendo utilizada como moeda de troca nas campanhas eleitorais.

A entrevista

- Como o senhor avalia a sua atuação no Senado em 2015?

- Eu procurei ser uma voz de mudança que o Brasil precisa. Uma voz que fala em nome da Paraíba. Todo trabalho foi feito neste sentido, mas com um olhar atento à gravidade da crise econômica. Infelizmente, a vida do povo piorou com a volta da inflação, com o crescimento do desemprego. As pessoas estão com medo de perder seus empregos. Quem consegue manter seu trabalho, vê o salário corroído pela inflação. O País andou para trás por causa de um Governo que enganou a população durante a campanha eleitoral e que só aponta um caminho para saída da crise: cobrar mais impostos. Ninguém aguenta mais pagar imposto para um Governo que presta péssimos serviços, que está envolvido até o pescoço em corrupção.

- E sobre a sua atuação parlamentar, quais as proposituras que o senhor destacaria?

Além dessa ação mais macro na vida nacional, eu apresentei muitos projetos de leis, que foram aprovados, a exemplo do que cria o regime de cota para as pessoas com deficiência terem acesso à universidade. Fizemos um projeto de reuso de água, de energia renovável. Propusemos a criação da profissão de agroecológo. Fizemos ações de critérios de repartições dos projetos com recursos do SUS. Tivemos garantia do pagamento do 13º de forma antecipada. Projetos que garantem a acessibilidade das pessoas nos prédios particulares e públicos. Fizemos, enfim uma ação que nos permite ter um conjunto de iniciativas que diz respeito ao dia-a-dia das pessoas.

- O que o senhor destacaria como luta por recursos hídricos em sua atuação parlamentar?

- Realizamos uma sessão que reuniu representantes de todos os níveis do Governo. Praticamente toda bancada do Nordeste no Senado esteve presente. Os dois outros senadores da Paraíba, Raimundo Lira e José Maranhão também compreceram. Foi um momento importante para chamar a atenção das autoridades do Governo Federal e também dos governos estaduais para um conjunto de providenciais que precisam ser adotadas para ontem. Se a Transposição estivesse concluída no cronograma que foi anunciado, nós não estaríamos enfrentando todas essas dificuldades. E para nossa tristeza, a mais recente operação da Polícia Federal foi na Transposição do São Francisco constatouum roubo de mais de R$ 200 milhões. As pessoas não têm saúde, não têm educação, não têm segurança pública, não têm perspectiva econômica mais segura, porque simplesmente quebraram o Brasil sem nenhum pudor.

- A única saída para e crise seria a saída da presidente?

- Acho que começa por aí, porque a crise tem um componente de confiança muito forte. A presidente perdeu a credibilidade para conduzir os destinos do Brasil. Além do mais, temos que fazer um esforço para construir um País onde a lei seja aplicada para todos. A presidente cometeu crime de responsabilidade ao assinar decretos que modificaram a lei do orçamento. Você não pode modificar uma lei por decreto e foi o que ela fez.

- Ela modificou a Lei Orçamentária por decreto?

- E ao modificar uma lei orçamentária por decreto, ela cometeu crime de responsabilidade. Então, a lei tem que ser aplicada. Por outro lado, no campo eleitoral, ao ter sua campanha financiada pelo dinheiro de caixa-dois, ou seja, dinheiro da corrupção, sobretudo do ‘Petrolão’, ela cometeu também gravíssimo crime eleitoral e precisa ser punida. Ela tem dificuldade com o processo de impeachment no Congresso e tem dificuldade com o processo na Justiça Eleitoral. O Brasil será um País melhor se a lei for cumprida, ou um País pior, que retrocedeu, se for com um jeitinho, de não punir a presidente Dilma pelos delitos que foram praticados. O que ficará na perspectiva histórica do País é aquela sensação que desde que não se envolva de forma direta a presidente ou o presidente, mesmo que eles sejam os grandes beneficiários, vale tudo. Ou do contrário vamos fazer com que o País amadureça e cresça ainda mais nas suas instituições, na independência dos Poderes, desde que se aplique as leis contra todos.

- Quais serão as estratégias do PSDB para que a presidente seja punida?

- Nós já estamos fazendo isso numa cobrança muito firme. Em primeiro lugar, confiamos nas instituições e no seu funcionamento autônomo. Alguns atos não dependem da nossa vontade. Fazemos a cobrança permanente para que a Constituição seja respeitada e a lei seja cumprida. O grande campo de ação do PSDB é a Constituição e a nossa legislação. A partir daí é que nós faremos um País mais forte. Quando você tem um País onde as regras são aplicadas contra todos e a favor da sociedade, é porque esse País ganhou um grau de amadurecimento da sua trajetória. As regras têm que ser cumpridas. Golpe é descumprir a Constituição. Golpe é não respeitar a Lei. Golpe é mentir para ganhar a eleição.

- O que se vê também senador, é que a situação ficou complicada na Câmara dos Deputados por causa do presidente Eduardo Cunha. Qual o posicionamento do PSDB em relação a Cunha?

- A defesa intransigente da saída dele. Ou cai Eduardo Cunha, ou desmorona o Brasil. Não é possível que ele permaneça por muito mais tempo à frente da Presidência da Câmara. Ele não tem mais a menor condição de presidir a Câmara dos Deputados. É importante lembrar que o PSDB não votou em Eduardo Cunha para presidente da Câmara. E tão logo ficou provado o envolvimento dele nessas denúncias gravíssimas, o PSDB vem defendendo o afastamento dele como uma necessidade indispensável, imperiosa para que o País siga em frente.

- O senhor é o principal nome da oposição aqui na Paraíba. Como o senhor avalia o primeiro ano da segunda gestão do governador Ricardo Coutinho?

- A avaliação infelizmente é ruim, porque o Estado foi omisso em relação à seca. A segurança pública piorou ainda mais. Na educação, tivemos um ano em que a Universidade Estadual passou seis meses em greve, metade do ano sem aulas. Na saúde falta medicamento, falta vacina, o Estado não paga produtividade dos profissionais. O Estado não passa contrapartida aos municípios de convênios como Samu, como Farmácia Básica e a despeito de todas essas crises, o que se viu como pauta principal do Governo de Ricardo foi à criação do Tribunal de Contas dos Municípios. Ou seja, estamos numa dificuldade deste tamanho e a prioridade do Governo é criar um Tribunal de Contas dos Municípios. A Paraíba precisa de hospital, de policial e não precisa de Tribunal. O que nós queremos é que se responda a esses desafios todos que estão colocados no dia-a-dia das pessoas. E é uma manobra política torpe, imaginar que criando um Tribunal de Contas dos Municípios vai se dar emprego vitalício para alguns deputados, para que seus respectivos suplentes assumam. Vai criar oportunidade de promover a vice-governadora para um cargo de conselheira e ao mesmo tempo removê-la da função de vice, porque ela poderá representar um incomodo aos projetos políticos de Ricardo. A sociedade paraibana tem que reagir com altivez, com muita indignação diante de tantas dificuldades, de seca, crise de abastecimento, saúde um caos, segurança pública, educação, a prioridade de discussão do Governo, junto com sua base na Assembleia tem sido a criação do Tribunal de Contas dos Municípios, é um absurdo.

- Como o Sr. analisa o comportamento da oposição na Assembleia? Ela enfraqueceu?

- Pelo contrario. Eu acho que tem fortalecido. Nós temos, no caso da bancada do PSDB, três deputados e uma deputada. Camila, Dinaldinho, Bruno e Tovar, todos de primeiro mandato na Assembleia. E têm feito uma ação muito combativa, junto com o líder da oposição do deputado Renato Gadelha e outros parlamentares que compõe a oposição. Foi exatamente à resistência desta bancada que impediu a criação, por exemplo, desse Tribunal de Contas. O Governo já fez a primeira, já lançou a semente que foi a inclusão no PPA da possibilidade deste Tribunal existir. A semente do mal já foi plantada. Mas foi a resistência, firme, destemida, corajosa da bancada de oposição, que no caso do TCM, conta inclusive, graças ao bom senso e ao espírito público de alguns, com membros da própria base do Governo que também já se manifestaram contra. É preciso fazer esse reconhecimento por justiça, que membro da bancada governista compreendem que não tem nenhuma prioridade, não é oportuno criar esse tribunal de contas diante de um Estado com tanta carência, com tanta dificuldade. Não se pode brincar com a vida das pessoas. Não se pode imaginar em nome de projeto de poder você pode desejar o que bem entender. Temos uma oposição combativa e que melhor do que isso, tem uma visão nova da política. Uma bancada muito jovem, que consegue mostrar que consegue fazer a política em outros patamares, com outros valores. E é isso que mais me anima em vê o futuro promissor que todos eles possuem, diante dessa nova prática, dessa nova postura que eles têm.

- Senador, 2016 é um ano de eleições municipais, como vai se comportar o PSDB?

- A orientação nacional é que tenhamos candidatura próprias em maior número de municípios, principalmente nas capitais dos Estados e nas cidades onde já temos as prefeituras com candidaturas à reeleição. A Paraíba tem o exemplo da candidatura à reeleição de Zenóbio Toscano, em Guarabira; de Romero Rodrigues, em Campina Grande. Em outras cidades provavelmente poderemos fazer alianças, também, porque não teremos com segurança candidaturas próprias em todas as cidades.

- Tem pré-candidato para João Pessoa?

- O nome de Ruy Carneiro está sendo lembrado. Divulgaram uma pesquisa na qual ele é o segundo colocado. Apesar dele não ter oficializado uma candidatura, é um nome lembrado em João Pessoa. Mas temos outros quadros que poderão vir a ser candidatos com a regra nova da janela partidária. Porque até então só podia ser candidato se tivesse no mínimo um ano de filiação partidária.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

 

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