domingo, 09 de maio de 2021

Política
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Número de partidos aumenta 600% desde 1982

Adelson B. dos Santos / 26 de agosto de 2018
Foto: Arquivo
Em 1982, os paraibanos foram às urnas escolher os governadores depois de 18 anos de eleições indiretas. O último escolhido indiretamente foi Tarcísio Burity, em 1978, numa disputa com Antônio Mariz. Na época, também foram escolhidos um senador (o eleito foi Marcondes Gadelha), deputados federais e deputados estaduais, além de prefeitos e vereadores, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB). Na época, o voto era vinculado. Ou seja: o eleitor era obrigado a votar em todos os candidatos do mesmo partido. Caso contrário, o voto era anulado. De lá para cá, já se passaram 36 anos.

No decorrer do tempo, a legislação eleitoral foi amplamente modificada. Os partidos passaram de cinco (PDS, PMDB, PDT, PTB e PT) em 1982 para 35 hoje, um aumento de 600%. MDB, PDT, PTB e PT estão entre os principais de hoje, seguidos de PSDB, PR, PSD, Progressistas, entre outras legendas legalmente registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquela eleição vinculada, apenas três partidos apresentaram candidatos a governador na Paraíba: PDS (Wilson Braga), PMDB (Antônio Mariz) e PT (Francisco Derly Pereira). Braga foi o eleito.

Na atual campanha, as cúpulas dos principais partidos demonstram unidade e organização que não se refletem nas bases, nos municípios. Ou seja: no plano estadual, a unidade parece estar consolidada em partidos como o PSDB, PSB, PT, PSC, PV, MDB e DEM. Mas, no plano local, está uma zorra. É, no dito popular, um “verdadeiro ninho de gatos”.

Uma demonstração neste sentido foi dada há uma semana nos municípios de Rio Tinto, Cuité de Mamanguape (Vale do Mamanguape) e Picuí (Curimataú).

Em Rio Tinto, o presidente do Diretório Municipal do PPS (partido que apoia a candidatura do engenheiro João Azevedo pelo PSB), o professor universitário Eugênio Neto, que dá aulas nos cursos de Ciências Contábeis, Administração e Finanças do Unipê localizado em João Pessoa, foi a uma solenidade do MDB em apoio à candidatura do senador José Maranhão para governador.

Quem também se incorporou à campanha de Maranhão, ignorando a cúpula partidária, foi o presidente do Diretório Municipal do PSC de Rio Tinto, o odontólogo Reginaldo Rodrigues, duas vezes vice-prefeito da cidade. O PSC é o partido comandado pela família Gadelha e integra a coligação que apóia a candidatura do farmacêutico Lucélio Cartaxo- irmão gêmeo do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (ambos do PV).

No município de Cuité de Mamanguape, o líder político Helinho Severino, do PSD, também aderiu a Maranhão, contrariando a direção estadual do seu partido que está apóia Lucélio. Ex-prefeito, Helinho fez questão de ir a Mamanguape e Rio Tinto, no último dia 18 para expressar seu apoio pessoalmente a Maranhão e Bruno Roberto (PR), candidato a vice-governador.

Petista contraria

Já a vice-prefeita de Rio Tinto, Aurileide Chagas, trocou o seu partido, o PTC, pelo MDB e ofereceu um almoço a Zé Maranhão e ao candidato a senador, Roberto Paulino. Em Picuí, o prefeito Olivanio Dantas Remigio, filiado ao PT, se voltou contra as resoluções da legenda e anunciou que está apoiando a candidatura de Maranhão. O PT apóia João Azevêdo (PSB).

Fatores que levam à bagunça

As lideranças estaduais não se afinam com as lideranças locais. Isso é reflexo de três fatores, segundo o cientista político e professor do curso de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Lúcio Flávio Vasconcelos.

O primeiro: grande quantidade de partidos políticos no país. São 35 legendas, hoje. O segundo: a ausência de concepção ideológica e programática nos partidos.

O terceiro fator, segundo o professor da UFPB: pragmatismo generalizado. De acordo com Lúcio Flávio, isso tudo permite a bagunça que está ocorrendo na campanha eleitoral em todo o País., especialmente na Paraíba.

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