domingo, 24 de janeiro de 2021

Política
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Nem aí para o impeachment: pré-candidatos ignoram política nacional

Adelson Barbosa dos Santos / 01 de maio de 2016
Foto: Divulgação
Enquanto os integrantes do alto, médio baixo cleros da política paraibana atuam em Brasília, em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), as lideranças locais estão mais preocupada em ocupar espaços no poder municipal.

Nas últimas semanas, o clima político esquentou em Brasília e chegou ao auge com a aprovação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente, mas nada disso atrapalhou a pré-campanha para prefeito e vereador nos 223 municípios da Paraíba.

Na grande maioria dos municípios, situação e oposição estão mapeando bairros e comunidades rurais, contando votos, fazendo projeções e estatísticas e articulando para as eleições de outubro. Há municípios onde a campanha está pronta, com nomes definidos, e chapas formadas. As lideranças praticam corpo-a-corpo, fazem reuniões, intensificam suas presenças em festas de batizado e casamentos.

Falta apenas iniciar o período legal para que a campanha seja oficializada e os candidatos possam fazer a propaganda autorizada pela Justiça Eleitoral. Com a campanha deste ano terá limitações, por exemplo, nos gastos, existem pré-candidatos guardando dinheiro em casa.

Eles admitem que será uma campanha curta e difícil, em um ano de crise econômica, recessão e desemprego. “Quem não tiver dinheiro em mãos para a compra de votos na reta final, pode ser derrotado na véspera”, disse um pré-candidato a vereador de Bayeux, numa alusão ao ditado “não sou peru para morrer de véspera”.

Entre R$ 100 mil e R$ 300 mil 

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Em Bayeux, segundo um pré-candidato a vereador que não quis se identificar, a campanha para uma vaga na Câmara vai variar entre R$ 100 mil e R$ 300 mil.

O exemplo de Bayeux vale para outros municípios grandes como Cabedelo, Santa Rita, Guarabira, Queimadas, Patos, Sousa, Cajazeiras, Monteiro, Mamanguape, Conde, Caaporã, Catolé, Pombal, Catolé do Rocha e Itaporanga etc.

Em João Pessoa e Campina Grande, o cenário é diferente e os atuais vereadores terão que gastar em média R$ 500 mil para assegurar a reeleição, embora metade deles cairá fora da Câmara por causa da concorrência, que é muito grande.

Enquanto os vereadores das duas maiores cidades do Estado trabalham para assegurar a permanência nas casas legislativas, suplentes e lideranças de várias categorias correm por fora na tentativa de ingressar no Parlamento.

Como em João Pessoa só existem 27 vagas e a física diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, alguém vai ter que sair para que alguém possa entrar.

Polarização entre famílias

Na disputa para prefeito, em alguns municípios da Paraíba, há uma polarização entre nomes sem tradição política. Em outros, a polarização ocorre entre famílias.

Às vezes, a disputa está em um mesmo tronco familiar, a exemplo de Wanderley (Patos), Maia (Catolé do Rocha), Mineral (Areia de Baraúnas) e Lacerda (São José de Piranhas). Em, Patos, um ramo da família Wanderley está unido familiarmente à família Motta. O outro ramo está incorporado à família Medeiros.

O primeiro tem três lideranças: Francisca Motta (prefeita), Nabor Wanderley (deputado, ex-prefeito e pré-candidato a prefeito pelo PMDB) e Hugo Motta Wanderley (deputado federal, neto de Francisca e filho de Nabor). O outro ramo tem Dinaldo Wanderley Filho como principal liderança. Ele é deputado estadual, filho do ex-prefeito Dinaldo Wanderley e primo de Nabor Wanderley. Dinaldinho, como é conhecido, é pré-candidato a prefeito de Patos pelo (PSDB).

Em Areia de Baraúna, pequeno município na região de Patos, o suplente de deputado Antônio Mineral é a maior liderança política. Sua esposa, Vanderlita, é prefeita. Está cassada e administra por força de liminar. Antônio Mineral (PSDB) chegou a convencer a família a se unir para não perder o comando municipal.

No entanto, segundo o ex-vereador Almir Mineral, da cidade de Patos, Antônio traiu a família ao romper com a cunhada, Dona Dêda (PMDB), para apoiar outra pessoa para a disputa municipal. Dona Dêda é mãe de Almir e cunhada de Antônio.

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