domingo, 15 de julho de 2018
Política
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Na Paraíba, 100 novos casos de câncer em crianças são registrados todos os anos

Bárbara Wanderley / 30 de agosto de 2017
Foto: NALVA FIGUEIREDO
O pequeno Lucas, de apenas nove anos, foi diagnosticado com leucemia aos 7, em 2015. De lá para cá sua vida mudou. Por recomendações médicas, o menino teve que parar de estudar e tem recebido aulas da mãe em casa, no município de Cubati, região do Seridó paraibano, entre idas e vindas ao Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 100 novos casos de câncer em crianças e adolescentes até 19 anos são registrados anualmente no Hospital Napoleão Laureano.

A Secretaria do Estado de Saúde não dispõe de números porque a doença não é de notificação obrigatória. A pausa nos estudos de Lucas teve que acontecer devido à baixa de imunidade causada pelo tratamento quimioterápico. A pediatra Andréa Gadelha, que atende no Hospital Napoleão Laureano, explicou que nessa fase do tratamento, a criança não pode frequentar locais com muitas pessoas, como shoppings, cinemas e mesmo escolas, onde outras crianças podem transmitir diversas doenças ao paciente.

De acordo com Severino Soares da Silva, pai de Lucas, atualmente, após quase dois anos de tratamento, os médicos já liberaram o retorno do menino aos estudos, e ele deve ser matriculado em uma escola no ano que vem. “Estava esperando ele ficar mais forte e também está no meio do semestre, aí vai ser melhor no ano que vem”, disse. Ele contou que descobriu a doença do filho após perceber que o menino estava pálido, com os lábios muito brancos, e que seu comportamento mudou. “Ele era bem ativo e de repente ficou quieto, sentia dor nas pernas e tinha umas ‘patacas’ roxas”. O tratamento inicial foi mais pesado, e Lucas chegou a ficar cinco dias internado na Unidade de Tratamento Intensivo, em estado grave, há cerca de quatro meses. “Ele está melhor, acredito que a pior parte já passou”, disse Severino. Ele explicou que atualmente o filho faz um tratamento mais leve com comprimidos e injeções em casa, e só vai ao hospital uma vez ao mês, para fazer exames de acompanhamento e receber os remédios. Leucemia é mais comum.

As leucemias agudas são o tipo de câncer mais comum entre crianças e adolescentes, correspondendo a cerca de 30% dos casos, segundo Andréa Gadelha. A incidência é maior em crianças de 1 a 5 anos, mas pode se manifestar até os dez anos de idade. Crianças mais velhas também podem ser atingidas, mas é menos comum. Os sintomas geralmente começam com uma palidez aguda. Em muitos casos também há o surgimento de equimose (manchas roxas pelo corpo) e petéquias, pequenas manchas vermelhas parecidas com picadas de inseto. “A diferença é que as picadas de inseto ficam esbranquiçadas quando se faz pressão com o dedo, já as petéquias de leucemia não somem ao serem pressionadas”, explicou a médica. Pelo fato de os sintomas serem um pouco genéricos, a doença às vezes confunde a família e até mesmo médicos, explicou a pediatra. “É muito importante fazer o exame de sangue e investigar bem se houverem esses sintomas. Se a suposta anemia não está melhorando tem que procurar o médico”.

No caso dos linfomas, os principais sintomas são aumento dos gânglios (com diâmetro a partir de 3 cm), febre, sudorese noturna, perda de peso e prurido no corpo. Diagnóstico de enxaqueca. A adolescente Edna, de 17 anos, também precisou parar os estudos por causa de um câncer. Ela estava no nono ano quando foi diagnosticada com um tumor no cérebro, há cerca de um ano. De acordo com a mãe da jovem, Maria Pereira de Oliveira, ela sentia muitas dores de cabeça acompanhadas de vômito. Ao procurar uma Unidade de Saúde em Catolé do Rocha, o primeiro diagnóstico foi de enxaqueca, mas mesmo tomando medicação o problema persistiu por dois meses. Maria Pereira conseguiu através de uma amiga que a filha fizesse uma ressonância e então a doença foi descoberta. “Ela já foi encaminhada direto para fazer cirurgia, para colocar uma válvula na cabeça”, contou. A adolescente precisou ainda de 27 sessões de radioterapia e seis de quimioterapia.

Os principais sintomas de tumores dessa natureza são vômito, perda de equilíbrio e dores de cabeça, principalmente de madrugada ou acordar, por causa do aumento da pressão intracraniana. Alguns pacientes apresentam “marcha ebriosa”, que é o andar cambaleante, sem equilíbrio. Causas e consequências. Andréa Gadelha afirmou que não se sabe a causa da manifestação de câncer em crianças. Embora alguns tipos sejam considerados hereditários como o caso da retinoblastoma (que atinge os olhos), a maior parte dos casos não se relaciona a algo passado de pai para filho. Por não existir uma causa certa, não é possível prevenir a doença.

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