sexta, 26 de fevereiro de 2021

Política
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Ministério Público Federal mais perto da população, diz Marcos Queiroga

Adriana Rodrigues / 30 de setembro de 2017
Foto: Divulgação
O procurador da República Marcos Alexandre Bezerra Wanderley de Queiroga assume na segunda-feira a chefia da Procuradoria da República na Paraíba (PRPB), disposto a ampliar a interlocução do Ministério Público Federal (MPF) com a população e intensificar as ações de combate à corrupção. Anunciou que irá manter o foco na defesa do cidadão, do meio ambiente, das minorias e dos Direitos Humanos em suas mais amplas expressões.

Marcos Queiroga tomará posse em cerimônia presidida pela procuradora-geral da República Raquel Dodge, em Brasília, na qual também serão empossados os novos procuradores-chefes do Ministério Público Federal (MPF) de todo o Brasil, que assumem para um mandato de dois anos à frente de suas unidades. Ele sucederá o atual chefe da PRPB, Rodolfo Alves Silva, que está encerrando seu segundo biênio à frente do órgão.

Em entrevista exclusiva ao Correio da Paraíba, o futuro chefe da PRPB, que vinha atuando também como procurador regional eleitoral, fala como pretende atuar no comando do órgão e quais serão os principais focos da sua gestão.

- O senhor assume a chefia do MPF na Paraíba nesta segunda-feira, como será sua atuação à frente do órgão?

- Como chefe, assumo a representação do órgão no Estado, ficando encarregado sobretudo das questões administrativas. O objetivo maior da chefia é viabilizar as condições materiais e humanas para que cada integrante do Ministério Público possa desenvolver suas atividades fins com total independência funcional, que é característica essencial de nossa instituição.

-Qual será o maior desafio de sua gestão, que se inicia na segunda-feira?

- Em tempos de restrição orçamentária, o desafio de manter em funcionamento uma estrutura compatível com a demanda do órgão será enorme, inclusive em decorrência do recente processo de interiorização do Ministério Público Federal, que atualmente conta com unidades também em Guarabira, Campina Grande, Monteiro, Patos e Sousa.

 - Quais as principais metas?

- A manutenção da excelência dos serviços alcançada pela atual gestão será uma das metas, com melhorias da estrutura das unidades do interior, aliada à exploração de novas potencialidades surgidas com a recente inauguração de nossa sede na capital. Aqui, promoveremos um espaço aberto ao público para discussões de temas de interesse de toda sociedade, em eventos periódicos, que digam respeito sobretudo ao Ministério Público. A interlocução com a população é um dos melhores combustíveis para nossa atuação. Além da persecução penal e do combate à corrupção, é preciso sempre manter em foco a defesa do cidadão, do meio ambiente, das minorias, enfim, dos Direitos Humanos em sua mais ampla expressão.

 - Como o senhor avalia as declarações da Procuradora-geral da República Raquel Dodge de que o combate ao crime tem que ter a mesma importância que a promoção dos Direitos Humanos?

- Na verdade, os temas da corrupção e dos Direitos Humanos são indissociáveis. O desvio de recursos impede a prestação de políticas públicas de qualidade, afetando diretamente a inclusão social, a defesa do meio ambiente e os serviços públicos essenciais, garantidores da dignidade do cidadão. A atual procuradora-geral da República Raquel Dodge foi muito feliz em seu discurso de posse ao afirmar que “ninguém poderá ficar acima da lei, nem abaixo da lei”. Com isso, deixou claro seu desejo de buscar punição aos corruptos que antes se julgavam intocáveis, ou seja, acima da lei, bem como promover a inclusão da população que vive marginalizada, para quem os direitos básicos não são garantidos, vivendo abaixo do mínimo necessário.

- Como o senhor avalia a atuação do MPF no combate à corrupção? O que precisa ser aprimorado em sua opinião?

- O caminho no combate à corrupção ainda será muito longo. Nenhuma operação, por mais ampla que seja, servirá de solução, pois se o sistema permanecer o mesmo, apenas os corruptos da vez mudarão. A sucessão dos fatos ligados à Lava-Jato, mesmo depois do Mensalão, é a prova viva disso. Alguns podem ser presos e punidos, mas outros lhes tomarão o lugar nas mesmas práticas ilícitas. A corrupção existe pela permissividade do meio. Mudanças profundas são necessárias, partindo da própria mentalidade da população. Nesse quesito, já podemos sentir esperança, bastando mencionar o projeto de iniciativa popular das 10 Medidas Contra a Corrupção. Mas, para que esta iniciativa e outras tantas floresçam, a participação e vigilância de cada cidadão é essencial, inclusive na escolha dos governantes.

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