domingo, 20 de setembro de 2020

Impeachment
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“O nome disso não é impeachment, é golpe”

Nice Almeida / 12 de maio de 2016
Foto: Reprodução
A presidente da República afastada, Dilma Rousseff, fez o primeiro pronunciamento depois da aprovação de seu afastamento pelo Senado Federal. No discurso, a petista reafirmou a tese de que está sendo vítima de um golpe e de uma farsa jurídica e garantiu que não vai desistir de manter o cargo. Dilma deve se manter longe da presidência por 180 dias conforme decidiram os senadores nesta quinta-feira (12) por 55 votos a 22.

"Meu governo tem sido alvo de intensa e incessante sabotagem. O objetivo, evidentemente, vem sendo o de me impedir de governar. Quando uma presidente é cassada sob a acusação de um crime que não cometeu, o nome não é impeachment, é golpe. Nesses anos exerci meu mandato de forma digna e honesta, honrei os votos que recebi. Em nome desses votos e de todo o povo do meu país vou lutar para manter meu mandato até o fim, até 31 de dezembro de 2018", afirmou.

Dilma se defendeu das acusações de ter aberto créditos suplementares de forma ilegal e negou ter cometido qualquer espécie de crime em seu governo.

"Não cometi crime de responsabilidade, não há razão para processo de impeachment. Nunca recebi propina e não tenho conta no exterior. Os atos que pratiquei foram atos legais, corretos, necessários, de governo, idênticos aos executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles e também não é agora. Acusam-me de seis decretos de crédito suplementar. É falso! Acusam-me de atrasar pagamento do Plano Safra. É falso!", argumentou.

Dilma fala em chantagem

Dilma Rousseff estendeu seu pronunciamento falando que está sendo vítima de uma farsa jurídica. "Esse processo é extremamente injusto. É a maior das brutalidade que pode ser cometida por qualquer ser humano, punir por um crime que não cometeu, não existe injustiça mais devastadora. Essa farsa jurídica de que estou sendo alvo deve-se ao fato de que nunca aceitei chantagem de qualquer natureza. Posso ter cometido erros, mas não cometi crime", enfatizou.

Respeito às urnas

Para Dilma, o ato de afastamento é um desrespeito aos votos recebidos por ela nas urnas. "Fui eleita por 54 milhões de cidadãs e cidadãos brasileiros e é nesta condição que eu me dirijo a vocês nesse momento decisivo para a democracia brasileira. O que está em jogo não é apenas o meu mandato, é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro. O que está em jogo são as conquistas dos últimos 15 anos, os ganhos das pessoas mais pobres, a proteção às crianças e os jovens chegando as universidades e escolas técnicas. A valorização do salário, os médicos atendendo, a realização do sonho da casa própria, a grande descoberta do Brasil que é o pré-sal, o futuro, a oportunidade e a esperança de avançar".

Os desafios da vida

Quase no fim de seu discurso, a petista fez um desabafo e lembrou da época em que foi vítima da ditadura militar. "O destino sempre me reservou muitos e grandes desafios. Alguns pareceram a mim intransponíveis, mas eu vou vencê-los. Eu vivi a dor invisível da tortura, a dor física da doença  e a agora a dor inominável da injustiça, mas o que mais dói nesse momento é a injustiça. É perceber que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política, mas não esmoreço. Olho para trás e vejo o que fizemos, olho para frente e vejo tudo que ainda podemos fazer", falou.

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