segunda, 19 de abril de 2021

Impeachment
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Fernando Collor revela ter aconselhado Dilma para evitar o impeachment

Nice Almeida / 11 de maio de 2016
A sessão do Senado Federal que analisa o afastamento da presidente Dilma Rousseff e a instalação do processo de impeachment na Casa teve, na noite desta quinta-feira (11), o seu momento mais emblemático. O senador Fernando Collor de Melo, que passou pelo mesmo procedimento em 1992, usou a tribuna para se auto-defender e apoiar a aprovação do impedimento da petista. O parlamentar revelou que chegou a dar conselhos à presidente e seus auxiliares prevendo que o impeachment ocorreria, mas eles não deram ouvido.

"Fui ao governo mostrar o que eu previa. Falei dos erros que previa, das renúncias fiscais, da falta de diálogo com o Parlamento. Sugeri a ela uma conciliação de seu novo governo com a classe social. Sugeri que fosse pedir desculpas. Alertei sobre a possibilidade de sofrer impeachment. Coloquei-me à disposição.Eles fizeram ouvidos de mercador, renegaram a minha experiência", contou.

Collor, que na época renunciou ao mandato, alegou que o Brasil está vivendo uma suprema crise. "Ruínas de um Governo. Este e o título de uma obra de Rui Barbosa de 1931 e que foi usado contra mim em 92. Todas a crise que o Brasil está passando e que no dia a dia vemos crescer, não vem a ser mais do que sintomas, manifestações de um estado mais profundo de uma suprema crise, a crise moral. Jamais o Brasil passou como hoje por uma crise na política, economia, moralidade e institucionalidade. Chegamos às ruínas de um governo, as ruínas de um país", discursou.

Ainda em auto-defesa, Collor apresentou dados dos processos e comparou o impeachment de 92 ao de agora."Em 92 bastaram menos de 4 meses entre a apresentação da denúncia e a decisão de renúncia. Já se vão oito meses e mais seis se vão pela frente. O rito é o mesmo, mas o ritmo e o rigor, não. O parecer da comissão que hoje discutimos possui 128 páginas. Em 92, elaborado a toque de caixa, o parecer continha meia página com dois parágrafos. O tempo é outro. Em 92 fui instado a renunciar na suposição que as acusações fossem verdadeiras, mesmo sem a garantia de defesa me utilizei de advogados particulares. Dois anos depois fui absolvido pelo STF, portanto dito pela Suprema Corte, não houve crime, mas não fui reparado, não voltei ao cargo", lamentou.

Ao terminar seu discurso, Collor foi cumprimentado pelo presidente da Casa, Renan Calheiros que o parabenizou por ter resgatado a história. E, ao descer da tribuna, foi abraçado por vários parlamentares.

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