sexta, 22 de janeiro de 2021

Política
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Impeachment de Dilma divide opiniões de deputados na Assembleia Legislativa

Mislene Santos / 19 de abril de 2016
Foto: Rafael Passos
A aprovação pela Câmara dos Deputados do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), no último domingo, repercutiu, nesta terça-feira (19), na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Há quem tenha saído em defesa da petista sob o argumento de que ela não cometeu crime de responsabilidade e quem tenha o entendimento contrário. O que causou surpresa foi o posicionamento do deputado Dinaldinho Wanderley (PSDB). Ele defendeu o impeachment do vice-presidente Michel Temer e a cassação do presidente da Câmara Eduardo Cunha, ambos do PMDB.

A surpresa no posicionamento de Dinaldinho reside no fato de ele ser do PSDB, que se uniu ao PMDB em prol da derrubada da presidente para que Temer assuma a presidência da República. “Nós temos que também tirar o Temer e Cunha, porque eles também têm problemas. Então, com um fora Cunha e um fora Temer passaríamos o País a limpo”, afirmou o deputado defendendo novas eleições para presidente.

A deputada Camila Toscano (PSDB) afirmou que a votação na Câmara dos deputados foi o reflexo das manifestações das ruas. “A população mostrou sua indignação com a presidente Dilma e com o governo do PT. Então, de fato o desfecho não poderia ser outro que não a aprovação do impeachment”, declarou a tucano. Ela disse ainda que o desempenho da bancada foi coerente e defendeu que seja feita uma análise das denúncias contra Temer e Cunha. “Quem tiver que ser afastado que seja”, ressaltou.

O deputado Anísio Maia (PT) saiu em defesa da presidente Dilma Rousseff. “O Brasil está enojado com esse processo. Foi a maior concentração de corruptos do Brasil votando em uma proposta. A começar pela Mesa, pois todos os integrantes têm um vasto prontuário policial e problemas judiciais, mas Cunha prometeu livrá-los e ele tem cacife para isso. Esta foi à grande trama”, disparou o petista.

Ele disse ainda que em breve apresentará na casa um dossiê com os motivos que fizeram a bancada paraibana votar a favor no impeachment, com exceção dos deputados Pedro Cunha Lima (PSDB) e Efraim Moraes (Democratas) que sempre fizeram oposição ao governo. “Vou mostrar o motivo de alguns membros da bancada paraibana. A Paraíba pela sua bancada é um nojo só”, desabafou Anísio Maia.

Embora seu partido tenha votado quase que em sua totalidade a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, a deputada Estela Bezerra (PSB) também saiu em defesa da petista. “Mais do que um golpe histórico revelou a pequinês do nosso parlamento. Nós vimos um desfile de incoerência e, principalmente, um desfile de desinteresse com a nossa nação. O nosso parlamento nos causou vergonha não só de como votou, mas em nome e com os argumentos que votou”, lamentou a socialista que defendeu uma reforma política imediata.

Apesar de integrar o PMDB que fechou questão de votar pelo impeachment, o deputado Raniery Paulino usou a tribuna da Assembleia para defender a presidente Dilma e criticar o presidente da Câmara Eduardo Cunha.

“Não entendo que o impeachment seja golpe. O que entendo que essas acusações não deveriam ter potencialidade para afastar um chefe do executivo. O que não quero é que o meu partido esteja associado à imagem de Eduardo Cunha. Que o vice-presidente Michel Temer, que é um Homem digno assim como a presidente é uma mulher digna, tenha a imagem associada a Eduardo Cunha. A imagem de Eduardo Cunha é nociva ao PMDB”, arrematou Raniery.

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