quinta, 04 de março de 2021

Política
Compartilhar:

História partidária mostra incoerência no Brasil

André Gomes / 04 de outubro de 2015
Foto: Arquivo
Os brasileiros foram surpreendidos nas últimas semanas com a criação de mais três partidos políticos. Em meio a uma crise política vivenciada no País, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a criação do Partido Novo (PN), do Rede Sustentabilidade (REDE) e do Partido da Mulher Brasileira (PMB). Agora são 35 agremiações criadas nos últimos 33 anos após a consolidação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e da Aliança Renovadora Nacional (Arena), constituídos em 1966.

Mas a criação dos partidos começou bem antes disso. Historiadores contam que a primeira vez que se usou o termo partido no País foi por ocasião da transferência da família real para o Brasil, no reinado de Maria I (1808), em que se falava em Partido Português e Partido Brasileiro. Mas os primeiros partidos políticos brasileiros que tiveram existência legal foram o Partido Conservador e o Partido Liberal, no segundo reinado (1840-1889). Estes e o Partido Republicano Paulista foram os partidos políticos de mais longa duração no Brasil.

Os conservadores defendiam um regime forte, com autoridade concentrada e pouca liberdade concedida às Províncias. Os liberais inclinavam-se pelo fortalecimento do Parlamento e por uma maior autonomia provincial.

Com cara de legenda de aluguel

Especialistas questionam a criação de novas siglas e até contestam a possibilidade de existir 35 correntes de opiniões hoje no Brasil. Para o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e cientista político, Jaldes Meneses, o sistema partidário brasileiro se perverteu. Ele diz que sem condições de ter novas ideologias, as legendas são usadas para “negócios”.

“Hoje é um grande negócio ser dono de partido. Temos quatro ou cinco grandes partidos e o restante são caracterizados por terem donos. Um partido dá possibilidade de você receber fundo partidário, indicar candidatos, ou seja, é uma fonte de poder”, destacou o professor.

Para Jaldes, a grande maioria das legendas trabalha mais com negociações do que com a defesa da corrente de opinião ou luta por algum ideal. “Grande parte das barganhas acontece dentro dos Estados. É mais uma sessão de negócios do que política”, disse.

De acordo com o professor, é muito difícil se formar coalizões sólidas com esse sistema. Ele disse que a Paraíba hoje tem partidos de referência como o PSB, o PMDB e o PSDB. “Os demais estão gravitando em torno das alianças entre esses três. O PT deixou de ser um grande partido com a saída do prefeito Luciano Cartaxo e filiados”, explicou.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba. 

Relacionadas