quinta, 24 de janeiro de 2019
Política
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Ex-parlamentar Zé Lacerda Neto obteve êxito em 12 eleições entre 1962 e 2002

Adelson Barbosa dos Santos / 22 de julho de 2018
Foto: Arquivo
O ex-deputado estadual José Lacerda Neto é, até hoje, o campeão de mandatos parlamentares na Assembleia Legislativa (ALPB), desde o início da redemocratização do Brasil em 1947.

Foram 12 mandatos seguidos (48 anos) de deputado estadual a partir das eleições de 1962. Foi eleito e reeleito entre 1962 e 2002. Em 2006, não disputou a cadeira de deputado. Ele nunca partiu para disputar uma cadeira na Câmara Federal. Diferentemente de outros políticos, sempre achou que ficar na Paraíba, mais perto de suas bases, seria mais gratificante.

Em 2006, filiado ao DEM, preferiu disputar a cadeira de vice-governador na chapa do tucano Cássio Cunha Lima, então candidato a governador. A chapa foi vitoriosa, mas a alegria durou pouco tempo. No ano seguinte ao da posse, 2007, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassou a chapa formada por Cássio e Zé Lacerda. E, em fevereiro de 2009, a decisão do TRE foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Justificativa: abuso de poder (político e econômico) e compra de votos com cheques da FAC (Fundação de Ação Comunitária). Zé Lacerda encerrou a carreira política com os direitos político suspensos.

Hoje, na legislatura que termina em 31 de janeiro de 2019, alguns deputados estaduais tentam fazer o mesmo percurso de Zé Lacerda. São eles, Trócolli Junior (Podemos), com sete mandatos; Lindolfo Pires (Podemos), com seis mandatos; Ricardo Marcelo (Progressistas), Frei Anastácio (PT), Manoel Ludgério (PSD) e Antônio Mineral (PSB), com quatro mandatos cada. Em seguida, aparecem Branco Mendes (Podemos) e Edmilson Soares (Podemos), com três mandatos e em busca do quarto.

Mandatos longevos operosos

De acordo com analistas políticos do interior, os deputados longevos na atuação política são fruto de mandatos geralmente operosos, a serviço dos eleitores. Não é à toa que Lindolfo Pires e Trócolli Junior estão na relação dos mais atuantes.

São articulados. Saber optar pelo governo ou pela oposição. A maioria dos 36 deputados estaduais de hoje sempre se reelege em consequência dos serviços prestados à população. Muitos têm bandeiras definidas em defesa de determinadas classes sociais.

Trócolli, por exemplo, tem sua atuação em João Pessoa estendida para todo o Estado em função da opção que fez em defesa dos interesses dos policiais militares.

Lindolfo tem atuação definida em Sousa e nos municípios da região do Alto Sertão. A apresentação de projetos de interesse da maioria da população também conta na hora do voto, assim como a opção pelo apoio ao Governo.

Lindolfo e Trócolli apoiaram governadores como José Maranhão, Cícero Lucena, Cássio Cunha Lima e Roberto Paulino. Hoje apoiam o governador Ricardo Coutinho. Na base do governo, eles conseguem benefícios para suas regiões e atendem aos pleitos dos seus eleitores. Com isso, eles se credenciam e vão preparando, ano após ano, seus projetos de reeleição, como fez o ex-deputado José Lacerda Neto durante 12 mandatos seguidos na Assembleia. Alguns ex-deputados tiveram os mandatos interrompidos após a quinta vitória seguida, como Múcio Sátiro Wanderley (já falecido), e Francisca Gomes de Araújo Motta, ambos da cidade de Patos.

33 anos como governador

A Paraíba já teve muitos políticos longevos também no Executivo. Na época do Brasil Colônia, a Coroa Portuguesa enviou um governar para a Capitania. Ele assumiu no dia 21 de abril de 1764. Deveria ter ficado no cargo por três anos, mas passou 33.

Pelo longo período que ficou no comando do governo, Jerônimo de Mello e Castro “comeu o pão que o diabo amassou”. Pior: a oposição partia da Igreja. Na época, a Paraíba estava anexada a Pernambuco. Os adversários não deram trégua.

Em tese de doutorado defendida na Universidade Federal de Pernambuco, a professora e historiadora Serioja Cordeiro Mariano, do curso de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sustenta que o governo de Mello e Castro, entre 1764 e 1797, enfrentou “violenta” atuação política de três padres e da família Bandeira de Melo, que não aceitavam subordinação ao mesmo. Os padres que infernizaram a vida do governador, segundo Serioja, foram Antônio Soares Barbosa, Bartolomeu de Brito Baracho e Antônio Bandeira de Melo. Segundo a professora, eles lideraram uma disputa de poder das elites locais que se viram ameaçadas diante da gestão de Mello e Castro.

Da mesma forma que os padres e a família Bandeira de Melo não atendiam ordens de Mello e Castro, o governante não aceitava, em hipótese alguma, as ordens vindas do Capitão General de Pernambuco, Capitania à qual a Paraíba estava diretamente subordinada. Teve um governo conturbado. Mello e Castro foi nomeado pelo rei Dom José I, em julho de 1763.

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