quinta, 27 de junho de 2019
Política
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Ex-ministro Paulo Bernardo é preso pela Polícia Federal

Do R7 / 23 de junho de 2016
Foto: Divulgação
A PF (Polícia Federal) iniciou na manhã desta quinta-feira (23) a operação Custo Brasil, que levou à prisão do ex-ministro Paulo Bernardo (PT), em Brasília. A operação acontece simultaneamente nas cidades de Curitiba (PR), São Paulo (SP) e Brasília (DF).

A operação, feita em parceria com o MPF (Ministério Público Federal) e a Receita Federal, seria um desdobramento da 18ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Pixuleco 2. A 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

De acordo com a PF, a ação apura o pagamento de propina, a partir de contratos de prestação de serviços de informática, na ordem de R$ 100 milhões, entre de 2010 e 2015. Os beneficiários teriam sido pessoas ligadas a funcionários públicos e agentes públicos ligados ao Ministério do Planejamento.

A PF informou também que existem pistas de que a pasta direcionou a contratação de uma empresa de prestação de serviços de tecnologia e informática para a gestão do crédito consignado na folha de pagamento de funcionários públicos federais com bancos privados, interessados na concessão de crédito consignado.

Pelo menos 70% dos pagamentos feitos por essa empresa eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos com influência no Ministério do Planejamento por meio de outros contratos — fictícios ou simulados.

Paulo Bernando foi ministro do Planejamento entre 2005 e 2010, durante o governo Lula, e das Comunicações, entre 2011 e 2015, já no governo Dilma Rousseff.

Contra Bernardo há uma suspeita de desvio de dinheiro da Petrobras, em 2010, para financiar a campanha eleitoral da mulher para o Senado. Agentes da PF também estão na sede do PT (Partido dos Trabalhadores) em São Paulo.



O ex-ministro é marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). A senadora está em viagem internacional para Montevidéu, no Uruguai, e não presenciou a prisão do marido. A PF não confirmou se há também um pedido de prisão para a senadora, que tem foro privilegiado e só pode ser levada à prisão após aval do STF.

Ao todo, os agentes federais cumprem 11 pedidos de prisão preventiva, 40 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de condução coercitiva em quatro Estados — São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco — e no Distrito Federal.

Os suspeitos deverão responder por crimes como tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas de 2 a 12 anos de prisão.

Supremo

Em maio deste ano, o ex-ministro, a senadora e o empresário Ernesto Kugler Rodrigues, de Curitiba foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República. Paulo Bernardo e Gleisi foram denunciados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O inquérito policial concluiu que os dois receberam R$ 1 milhão de propina de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobras. O valor teria sido utilizado para custear as despesas da eleição dela ao Senado em 2010.

A Procuradoria sustenta que o então ministro solicitou a quantia em favor da mulher diretamente ao engenheiro Paulo Roberto Costa na época diretor de Abastecimento da Petrobras e um dos articuladores do esquema de corrupção na estatal indicado pelo PP. Preso em 2014, Costa fez delação premiada.

O doleiro Alberto Youssef, que também fez delação, operacionalizou o pagamento. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o doleiro administrava o caixa de propinas do PP de onde saíram os valores em questão.

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