quinta, 06 de maio de 2021

Política
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Especialistas argumentam que o mais importante das eleições é unir o Brasil

André Gomes / 28 de outubro de 2018
Foto: Imagem Ilustrativa
Hoje mais de 747 milhões de brasileiros voltam às urnas para escolher o novo presidente do Brasil diante de uma campanha acirrada e considerada a mais polarizada da história entre apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Especialistas acreditam que o mais importante, qualquer que seja o resultado de hoje no final do dia, é que todos se unam em prol do desenvolvimento e da recuperação econômica do País, mesmo eles temendo uma elevação dos ânimos por parte do lado derrotado.

A socióloga Giseuda Ananias acredita que independentemente do resultado de hoje a tendência de polarização da sociedade brasileira, irá continuar. Ela destacou que mais que uma disputa partidária, episódica, eleitoral, esta polarização representa as forças sociais e políticas que estão em um embate pela hegemonia.

Giseuda disse ainda que, por um lado, o País terá movimentos sociais e partidos políticos com um viés progressista e comprometidos com os valores democráticos e que terão pela frente o desafio de viabilizar a formação de uma frente ampla, seja para dar um mínimo de governabilidade ao País, em caso de vitória nas urnas, seja para ganhar mais densidade e capilaridade e ser uma oposição qualificada a propor alternativas viáveis e factíveis ao país, além do desafio de reconquistar as periferias.

Por outro lado, ela diz que existirá a inédita aliança formada por determinados grupos evangélicos e católicos do campo conservador, alheios aos valores democráticos e Direitos Humanos e com um projeto ultraliberalizante da economia, discurso moralizador e caudatários do pensamento autoritário e que se pensava mitigado pela Constituição de 1988 propondo uma “Revolução” na educação, na estrutura tributária e econômica e que precisará se compor com as mesmas forças políticas que outrora apoiaram o campo adversário.

De acordo com a socióloga, logo após encerrada a apuração com o anúncio do vencedor, as Instituições políticas e sociais cultivadas pela Constituição de 1988 serão colocadas à prova. “Será a continuidade do embate entre um processo historicamente embrionário, de formação de um mentalidade democrática e comprometido com a diminuição da desigualdade social versus um outro, ainda não muito bem delineado e avaliado”, revelou.

Polarização. Para o professor e cientista político Augusto Teixeira, dado o alto grau de polarização e a ida de extremos para o segundo turno, um “governo de união nacional” é uma miragem difícil de ser alcançada, mesmo acreditando que o mais importante é a unificação do Brasil. Ele acredita que em caso da derrota do PT, a legenda tenderá a acirrar a retórica de que foi vítima da ação de grupos mal intencionados e também aprofundar o discurso sobre o risco da democracia.

Para o professor, independente de quem vença a eleição hoje, o seu partido terá uma base parlamentar robusta no Congresso. “O PT tem a maior bancada na Câmara Federal, seguido pelo PSL. Independente de quem vença, o perdedor terá uma posição privilegiada no Congresso Nacional para compor uma oposição dura às medidas do executivo e de sua base legislativa”, disse.

Negociada. O cientista político e professor universiatário Lúcio Flávio destacou que qualquer um que ganhe terá que governar com o Congresso Nacional, formado por 513 deputados e 81 senadores de diferentes partidos e interesses divergentes. “Negociar com o Congresso é condição básica da governabilidade. Tanto Collor quanto Dilma caíram quando perderam o apoio da maioria parlamentar”, afirmou.

Lúcio disse ainda que para o novo presidente, qualquer reforma que queira adotar para governar, terá que ser discutida, reformulada e aprovada pelos parlamentares. Essa é a regra básica da nossa democracia.

Por seu perfil político, o professor Lúcio Flávio acredita que, caso Jair Bolsonaro ganhe a eleição, existirá um tensionamento entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo, principalmente a partir de 2019, período em que a “lua de mel” entre eleitores e o presidente já tenha passado.

Expectativa para o dia

Especialistas acreditam que apesar da boca de urna ser proibida no dia eleição, os dois lados em disputa buscarão marcar espaço com manifestações públicas de força. Carreatas e expressões de filiação junto a um dos lados será de praxe. Mais do que no primeiro turno, poderemos ter o aumento de camisas verde-amarelas e vermelhas como elementos marcadores de posição neste domingo.

Algo que pode jogar contra isso é a atmosfera de medo, receio e incerteza quanto às condições de segurança. Contudo, como último fôlego antes do desfecho do processo eleitoral, creio que os extremismos estarão nas ruas. É fundamental que o aparato de segurança pública esteja atento e vigilante a qualquer prática violenta.

Segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB), desembargador Carlos Beltrão,a apuração deve ser concluída até às 20h.

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