segunda, 10 de maio de 2021

Política
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Eleitores ficam reféns do sistema político

André Gomes / 22 de julho de 2018
Foto: Imagem Ilustrativa
Os eleitores este ano ficarão reféns do sistema político que trabalha para manter as atuais bancadas na Câmara dos Deputados, no Senado e nas Assembleias Legislativas. Uma decisão das executivas nacionais dos cinco maiores arrecadadores do fundo partidário pode garantir a manutenção dos mandatos da maioria dos atuais parlamentares, evitando uma renovação nas Casas Legislativas. O MDB, PT, PSDB, PP e PSB vão priorizar os repasses para os atuais deputados e senadores num total de R$ 881,9 milhões.

Para o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e cientista político, Lúcio Flávio, a situação pode colocar os eleitores como reféns do atual sistema político. Para ele, isso levará a ampliar o distanciamento entre a população e os seus representantes.

“A maioria dos partidos é controlada pelos “caciques”. Isto é, aqueles que detém mandatos. Com o controle da máquina partidária e dos recursos, aqueles dirigentes que têm mandatos serão os beneficiados diretos das verbas”, destacou.

De acordo com o cientista político, a decisão das executivas em priorizarem os atuais parlamentares causará um processo de “oligarquização” das estruturas partidárias. “Por essas razões, não acredito que haverá uma profunda renovação no quadro político. Ficará na média histórica entre 45% a 50%”, afirmou.

As direções das legendas na Paraíba ainda não têm um posicionamento formado sobre o assunto, mas devem seguir as orientações das nacionais. Para o senador e presidente estadual do MDB, José Maranhão, o assunto será discutido entre os pré-candidatos de forma democrática. Apesar da revelação, ele disse não saber ainda o valor que será destinado ao partido no Estado.

O presidente estadual do PT, Jackson Macêdo, disse que ainda aguarda as definições da Executiva Nacional sobre os valores para definir as prioridades locais. Ele adiantou que algumas preferências já existem como a pré-candidatura do ex-presidente Lula.

“Depois vamos priorizar as candidaturas para o Senado, depois para governadores e deputados estaduais e federais”, afirmou o presidente do PT paraibano.

Exposição também ajuda

Além da ajuda com a destinação do fundo partidário, os parlamentares contam com a ajuda do mandato para garantir popularidade junto aos eleitores. Segundo o professor Lúcio Flávio, deputados e senadores, além dos governadores já são muito conhecidos pelos mandatos que representam. “Eles são muito mais conhecidos pelos eleitores do que aqueles que estão começando”, disse.

Para Lúcio Flávio, os pré-candidatos que detém mandatos terão uma vantagem enorme frente aos demais. “Isso é natural já que eles estão no exercício do mandato e por isso, recebem mais convites das TVs, Rádios e concedem entrevistas para impressos e sites de notícias. Com isso, aparecem bem mais do que um concorrente que estará na disputa pela primeira vez”, destacou.

Na Paraíba, todos os 36 deputados estaduais e os 12 deputados federais serão novamente candidatos, não necessariamente a reeleição. Alguns, a exemplo dos deputados federais Wilson Filho (PTB) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB) tentarão vôos diferentes. O petebista abriu espaço para o pai, o ex-senador Wilson Santiago, e vai encarar uma disputa por um mandato no Legislativo estadual. Já o socialista vai disputar uma das duas vagas de senador abertas para a Paraíba nas eleições deste ano.

Outro que também pretende mudar de ambiente político é o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Gervásio Maia (PSB). Ele vai disputar uma das cadeiras na Câmara dos Deputados. Durante o período de pré-candidatura, Maia ganhou muito destaque e visibilidade na imprensa com a possibilidade de ser o candidato do governador Ricardo Coutinho ao Governo do Estado. Depois passou a ser cotado para disputar o Senado e agora, com uma decisão tomada, aparece por ser presidente do Poder Legislativo e também pela sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.

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