quarta, 25 de novembro de 2020

Eleições
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O limite entre os gastos e uma campanha eleitoral

Mislene Santos / 27 de julho de 2016
Foto: Infográfico Correio
O limite de gastos da campanha nas eleições deste ano, estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), está dividindo opiniões entre os pré-candidatos a prefeito dos municípios em que o teto estabelecido é de R$ 108 mil. São 196 cidades nesta situação, o que representa 87% dos municípios paraibanos.

Para quem vai tentar a reeleição, a medida foi mais que acertada, pois com a crise econômica que o país atravessa não se pode desperdiçar dinheiro de nenhuma forma. Já os que vão entrar na disputa pela primeira vez consideram que o valor é insuficiente para uma campanha majoritária municipal.

A pré-candidata a prefeita de Solânea,  Giseliane Azevedo (PSD), vai concorrer ao cargo pela primeira vez e disse que o gasto de uma campanha majoritária em um município como o dela é superior ao que foi determinado pela Justiça Eleitoral, mas que não há o que se fazer, a não ser cumprir o que foi estabelecido. “ A gente gasta muito com carro de som , com combustível para visitar a zona rural, mas como a minha opinião não vai mudar nada vou cumprir o que manda a lei”, afirmou.

Para Giseliane resta encarar a realidade e enfrentar a briga com o que está determinado. “A lei nos pede o impossível . Se estipulou que  até R$ 108 mil é suficiente  para se fazer uma campanha em um município como Solânea não tem o que ser fazer. Há quem diga que é possível fazer campanha com esse valor, outras pessoas acreditam que não”, declarou.

Valor é para campanha de vereador

“Esse valor não dá para fazer campanha para vereador, imagine para prefeito de uma cidade como Solânea”. A afirmação é do pré-candidato a prefeito, Hélton Martins, que também entra na disputa pela primeira vez. Segundo ele, com os R$ 108 mil estabelecidos pela Justiça Eleitoral, não se consegue nem pagar o aluguel dos carros de som utilizados no período eleitoral.

De acordo com Hélton Martins, o valor ideal para se fazer uma campanha em um município de Solânea seria cerca de R$ 1 milhão. “Eu queria que a justiça fizesse cumprir esta determinação, mas não sei se vai conseguir fiscalizar todos os candidatos, porque esse valor é insignificante”, arrematou.

“Acho até demais”

O prefeito de Casserengue, Luiz Carlos Francisco dos Santos (PSB), mais conhecido como Carlinhos, vai tentar à  reeleição em outubro. Ele concorda com a decisão do TSE que limitou os gastos nas campanhas. O socialista só poderá gastar até R$108 mil para tentar se reeleger.   “Acho que é demais. Se não fosse para gastar seria melhor ainda, porque o meu município e outros estão afundados em dívidas. E vamos tirar o dinheiro de onde para gastar com campanha?”, indagou o prefeito.

Para Luiz Carlos Francisco é preciso mudar a realidade financeira das campanhas e esta mudança tem que começar com a conscientização da população. “O povo tem que ter consciência de como votar, porque a propaganda mesmo não é cara, mas tem gente que gasta com outras coisas, a senhora sabe como é, né?”, disse insinuando a compra de votos.

“Dinheiro para compra de votos”

A pré-candidata a prefeita de Mogeiro, Margarida Maria Silveira Gomes - Dona Didi – (PSD), disse que o valor de R$ 108 mil estabelecido pela Justiça Eleitoral é mais que suficiente para se fazer a campanha para chapa majoritária em um município em que ela irá disputar. “ Como não tenho esse valor para gastar tá bom demais”, declarou dona Didi.

Questionada com que se gasta na campanha eleitoral em Mogeiro, dona Didi foi direta: “Se gasta com compra de voto. Foi assim a campanha de 2008 e de 2012”. Ela disse ainda que suas campanhas tem como base visitas nas casas, reuniões e pequenos comícios. “As calçadas mais altas são os nossos palcos. Fazemos uma palestrinha aqui outra ali, pois não tenho dinheiro e nem vou pedir a ninguém para fazer diferente”, arrematou.

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