quarta, 12 de maio de 2021

Eleições
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Conveniências políticas levam candidatos a contrariar posições oficiais

Adelson Barbosa dos Santos / 29 de agosto de 2018
Conveniências políticas locais estão levando candidatos a deputado a contrariar as posições oficiais de seus partidos na campanha eleitoral, numa clara demonstração de infidelidade partidária. Alegam que o que interessa, neste momento da campanha curta, é a vitória.

Há casos em que a equipe completa de um candidato troca de roupa entre uma cidade e outra para evitar constrangimentos e não desagradar a nenhum dos lados. Prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e ex-vereadores ligados politicamente a grupos políticos tradicionais fazem a mesma coisa e vão misturar os votos.

Em tradicionais redutos do MDB, como a Grande João Pessoa, o Vale do Paraíba, Guarabira, Patos, Pombal e Cajazeiras, é comum às lideranças a formação de chapas misturadas com candidatos de legendas diferentes.

Na região de Patos, muitos aliados da família Motta-Wanderley vão votar em Hugo Motta (PRB) para deputado federal e em Nabor Wanderley (ambos trocaram o MDB pelo PRB) para deputado estadual. Mas não vão acompanhá-los nas candidaturas para governador (João Azevedo) e senador (Veneziano e Luiz Couto).

Muita gente vai votar no filho e no pai, mas para governador, o escolhido será Maranhão, conforme pregam aliados deles como os prefeitos de Teixeira, Nego de Guri; e de Cacimba de Areia, Rogério Campos.

Ainda em Cacimba de Areia, o ex-prefeito Betinho Campos, irmão do atual, segue a mesma linha. Em Pombal ocorre a mesma coisa, embora o prefeito Abmael de Souza Lacerda, conhecido como Dr. Verissinho, mantenha sua lideranças e arraste para o seu partido, o MDB, considerável parcela do eleitorado. Pombal, terra do ex-senador Rui Carneiro, sempre foi reduto forte do antigo PSD, partido que originou o antigo MDB.

Dr. Verissinho apóia o deputado Hugo Motta, mas para estadual está com o deputado Janduhy Carneiro (Patriota), sobrinho-neto de Rui Carneiro e filho da terra. Ao passo em que Hugo Motta vota em João Azevêdo, Dr. Verissinho está com Maranhão, assim como o próprio Janduhy, que integra a bancada de oposição ao governador Ricardo Coutinho, na Assembleia.

Divisão dentro do PRB

Dentro do próprio PRB, partido presidido pelo deputado federal Hugo Motta, há uma divisão declarada. Ex-presidente estadual do partido, o deputado Jutay Menezes, não acompanha Hugo e Nabor no apoio ao candidato João Azevêdo.

Jutay está apoiando a candidatura de Lucélio Cartaxo (PV) e também integra a bancada de oposição ao governador Ricardo Coutinho. Nem para federal Jutay votará em Hugo.

O candidato dele é o bispo José Luiz, da Igreja Universal. Jutay inaugurou comitê e fez discurso em defesa da candidatura de Cássio cunha Lima para o Senado. No entanto, ignorou a candidatura da deputada estadual Daniella Ribeiro, também para o Senado.

No grupo do governador Ricardo Coutinho (PSB) há muita insatisfação em relação à chapa para o Senado. Lideranças petistas que votam em Luiz Couto (PT) não querem (dizem que não vão) acompanhar a candidatura de Veneziano Vital do Rêgo (PSB), embora Ricardo Coutinho tenha pedido votos para os dois.

A maior demonstração de insatisfação de petistas contra Veneziano se deu na semana passada, por ocasião da visita do candidato a vice-presidente da República pela legenda, Fernando Haddad, à Paraíba. Luiz Couto se pronunciou durante a visita a João pessoa e foi aplaudido. Veneziano se pronunciou e foi vaiado, chamado de golpista.

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