sábado, 23 de janeiro de 2021

Política
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‘Cortar da própria carne’ só se for o Poder Executivo

Maurílio Júnior e Nice Almeida / 21 de setembro de 2015
Foto: Tabelas/Josinaldo Barbosa. Imagem: Divulgação
O discurso dos parlamentares é quase unânime: "a presidente Dilma precisa cortar da própria carne". E algumas medidas já estão sendo tomadas com relação a isso como, por exemplo, a promessa de extinção de dez ministérios e, consequentemente, milhares de cargos comissionados. Contudo, quando o assunto é contribuir para que esses cortes gerem, de fato, economia, a teoria nem sempre vira prática.

Somente este ano, os deputados federais e estaduais da Paraíba já gastaram R$ 10,3 milhões com itens mantidos pela verba indenizatória, a exemplo de combustível, locação de veículos, conta de telefone, passagens aéreas, entre outros.  Dinheiro pago pelo Congresso Nacional e Assembleia Legislativa (ALPB), ou seja, fruto do pagamento de impostos de todos os brasileiros e, claro, dos paraibanos.

Os recursos disponibilizados pela Câmara Federal aos 12 parlamentares paraibanos atingiram o patamar de R$ 2.186.382,51 de fevereiro - quando começou essa legislatura - até setembro, mês que ainda não teve as contas fechadas. Já na Assembleia Legislativa, no período de fevereiro até julho, quando o balancete foi divulgado pela última vez, os 40 deputados estaduais (titulares e suplentes que assumiram vagas) gastaram exatos R$ 8.150.861,36.

Teoria pode virar prática

A atitude de 'cortar da própria carne' no Poder Legislativo ainda não foi tomada na prática. Mas, a depender do discurso, os parlamentares paraibanos também estariam dispostos a integrar esse processo sugerido à presidente Dilma Rousseff. Procurados pela reportagem do Correio Online, todos os que foram entrevistados disseram defender um eventual estancamento na verba indenizatória que recebem.

No comando da Assembleia Legislativa,o presidente Adriano Galdino (PSB), não descarta a possibilidade de reunir os líderes e deputados estaduais para discutir o enxugamento no bônus, diante da gravidade da crise financeira que atravessa o país.

“A verba indenizatória é o instrumento que o deputado tem para fazer a política de aproximação, diálogo e comunicação com o povo e com a sociedade civil organizada. A depender do tamanho da crise e da diminuição do duodécimo, poderemos sim reunir os líderes e também os deputados para debater o tema do tamanho da verba indenizatória e até diminuir”, enfatizou.

A prática na Assembleia

estaduais

E na Câmara Federal...

Na mesma sintonia do presidente Adriano Galdino está o líder da bancada federal da Paraíba, na Câmara Federal, Wilson Filho (PTB), que também comunga do mesmo discurso. Ele reconhece o momento delicado que sofre o país economicamente e defende que, o “corte na carne” precisa partir de todas as esferas.

“Não é justo apenas o povo pagar por uma conta que não é dele. Tanto defendo que, pelo menos, no PTB, já está sendo estudada uma forma de enxugar os gastos, contudo, é uma decisão que teria de ser tomada de maneira colegiada”, pontuou.

A prática na Câmara

federais

O que dizem outros deputados

romulo   Rômulo Gouveia (Deputado Federal - PSD)

“Da minha parte não teria problemas, mas não é uma decisão pessoal minha. Cabe a mesa diretora decidir e a gente cumprir. Estou disposto a fazer parte desse processo de redução, inclusive, já venho fazendo dentro do possível em relação a minha estrutura de gabinete”.

Efraim Filho 05  Efraim Filho (Deputado Federal – DEM)

“Eu sou a favor, não vejo nenhum problema se o Legislativo quiser fazer sua parte, sua cota de sacrifício. Dentro de um pacote amplo, sou a favor. Acho que todo mundo tem de fazer sua parte, mas essa condução é do Governo Federal e a presidente não dá exemplo”.

Pedro-Cunha-Lima1  Pedro Cunha Lima (Deputado Federal – PSDB)

“Minha primeira medida de cortar na “própria carne” foi renunciar aos aumentos da verba de funcionários e indenizatória. Só de auxílio alimentação, promovemos uma economia de aproximadamente R$ 500 mil reais. Na verba indenizatória o corte que fiz, até então, foi de 83,95% de R$ 763.238,31”.

Frei-Anastacio-061011MC406  Frei Anastácio (Deputado Estadual – PT)

“Com toda alegria estaria disposto. Não seria dificuldade para mim. Para o bem da governabilidade, estou à disposição. Mas que seja de forma transparente, uma medida que todos assumissem”

bruno-cunha-lima-800x553  Bruno Cunha Lima (Deputado Estadual - PSDB)

"Legislativo não tem orçamento, portanto, não tem autonomia para cortar o que quer que seja. Isso é atribuição exclusiva dos Executivos - municipal, estadual, federal. Um parlamentar cortar na própria carne significa se auto mutilar".

 

 

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