segunda, 18 de janeiro de 2021

Política
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Corrupção afeta administração de prefeituras na Grande João Pessoa

Adelson Barbosa dos Santos / 08 de abril de 2018
Desvio de dinheiro público, recebimento de propina, servidores fantasmas, licitações fraudulentas, ameaças de morte, afastamentos por determinações judiciais, cassação de mandato, prisões, cidades ao deus-dará, população entregue à própria sorte, sem serviços efi cientes de saúde e educação. Este é o quadro político e administrativo desenhado por prefeitos e vereadores acusados corrupção, que mergulharam as cidades de Bayeux, Cabedelo, Conde e Santa Rita no caos.

O afastamento e a prisão do prefeito de Cabedelo, Leto Viana (PRP), na manhã de terça-feira passada, pela Polícia Federal, na Operação Xeque-Mate, completou um ciclo de elevada e extrema corrupção comprovada nos municípios da Grande João Pessoa.

O ciclo teve início em 2012, com a vitória de Reginaldo Pereira para prefeito de Santa Rita (município com mais de 120 mil habitantes), depois de 40 anos de tentativas frustradas. Reginaldo assumiu com um discurso de combate à corrupção que ele alegava ter existido nas gestões anteriores de Marcus Odilon Ribeiro Coutinho e de Severino Maroja. Resolveu enfrentar a Câmara Municipal e se deu mal.

Os vereadores da época, segundo Reginaldo, resolveram chantageá-lo em troca de cargos e benesses na Prefeitura. Se juntaram com o vice-prefeito Severino Alves Barbosa Filho, conhecido como Netinho, e deram um golpe. Aproveitaram uma viagem feita ao exterior por Reginaldo e o acusaram de ter se ausentado do município por mais de 15 dias sem a autorização legislativa. Abriram um processo de impeachment do prefeito e o afastaram do cargo.

O vice, Netinho, assumiu. Reginaldo tentou a todo custo voltar ao cargo por meio de ações judiciais. Não obteve êxito. Netinho lhe tomou metade do mandato e promoveu o caos no município. O ciclo se estendeu ao vizinho município de Bayeux (mais de 100 mil habitantes) a partir da eleição de Berg Lima em 2016, ao derrotar o então prefeito Expedito Pereira, acusado de não ter sanado o caos deixado pelo ex-prefeito Jota Júnior (já falecido) em dois mandatos.

Berg foi eleito numa tentativa quase desesperada do eleitorado de Bayeux, no sentido de ver a cidade progredir e ter o caos no passado. Não demorou muito e Berg foi fl agrado em julho de 2017, filmado por uma equipe do Ministério Público, recebendo dinheiro, supostamente de propina, do empresário João Paulino de Assis, dono de uma churrascaria. O prefeito foi preso.

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