sábado, 20 de julho de 2019
Política
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Conquista de votos foi mais cara para federal na PB

Beto Pessoa e Damásio Dias / 11 de novembro de 2018
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil/Fotos Públicas
A primeira eleição parlamentar sem o financiamento de empresas mostrou que a busca pelas cadeiras federais foi a mais valorizada, com a escassez de recursos, que até 2014 eram abundantes. Pressionadas pela cláusula de barreira, as legendas investiram forte os recursos partidários e do fundo de campanha para eleger o maior número de parlamentares federais. Isso levou a um aumento do custo médio para conquistar os votos dos deputados eleitos no pleito deste ano.

Enquanto em 2014, o voto custou em média R$ 8,36, a disputa deste ano elevou a média para R$ 11,33 (considerando apenas a votação dos 12 eleitos na Paraíba). No total, este ano se gastou R$ 12,4 milhões na corrida para Brasília, enquanto no pleito anterior essa despesa foi de R$ 11,1 milhões.

O ex-senador Wilson Santiago (PTB) foi o deputado federal eleito que apresentou os maiores gastos na campanha deste ano: R$ 1,759 milhão. Obteve 86.208 votos, num custo médio de R$ 20,4 por eleitor convencido (não se trata de compra de votos, mas da despesa média que o candidato teve para levar sua campanha e convencer o eleitor a lhe apoiar).

Em segundo lugar no ranking das campanhas despendiosas, está Wellington Roberto, que teve R$ 1,636 milhão de despesa para conquistar 107.465 eleitores (média de R$ 15,23 por voto). Em 2014, o deputado gastou R$ 2,224 milhões (R$ 21,23 para cada um dos 104.799 votos).

Este ano, após reforma do financiamento de campanha, os candidatos à Câmara Federal tinham um teto de R$ 2,5 milhões nos gastos eleitorais.

Dos seis deputados federais reeleitos, três aumentaram os gastos nas eleições de 2018: Efraim Filho (DEM) saltou de R$ 881 mil para R$ 1,286 milhão (46%); Pedro Cunha Lima (PSDB), de R$ 891 mil para 1,221 milhão (37%); Hugo (PRB), de R$ 736 mil para R$ 952 mil (29%).

Cadeira na ALPB custou menos

Segundo dados do Divulga Cand, a campanha para deputado estadual este ano foi mais magra na Paraíba, quando comparado com a disputa de 2014. O voto este ano custou em média R$ 7,23. No total, as despesas estaduais dos parlamentares eleitos somaram R$ 7,9 milhões, contra R$ 10,1 milhões do último pleito, queda de mais de 21%.

Os números de 2018 demonstram que as cifras não foram necessariamente revertidas em volume de votos. O deputado reeleito Caio Roberto (PR), por exemplo, foi o que teve o maior gasto na disputa deste ano: R$ 939 mil, contra R$ 295 mil da última eleição, um salto de 218%. Ele teve 28.344 votos, média de aproximadamente R$ 33 por voto recebido.

Wallber Virgolino (PATRI), por outro lado, foi o segundo candidato com menor despesa neste pleito: pouco mais de R$ 23 mil, com uma receita de R$ 42 mil. O deputado eleito também foi o segundo mais bem votado, com 48.053 votos, custo médio de R$ 0,48 por voto.

Na avaliação do futuro parlamentar, unidade nas pautas defendidas durante a campanha e investimento nas redes sociais foram essenciais para o resultado alcançado.

“As redes sociais foram fundamentais, principalmente o Instagram. Como não tinha dinheiro, tive que investir em uma estratégia que atingisse mais gente. A política mudou o prumo, o eleitor exige que o político tenha consistência e conteúdo, que defenda alguma bandeira. Quem não tem isso e não tem serviço prestado, precisa gastar muito dinheiro. Daqui para frente, o ‘empresário’ da política vai continuar gastando muito e correndo o risco de não se eleger”, disse Virgolino.

Este ano, o limite de gastos para a disputa do cargo de deputado estadual foi de R$ 1 milhão, somadas as doações e o fundo eleitoral. BP

Tendência de enxugar

Doutor em Ciência Política pela USP, o professor da Universidade Federal da Paraíba José Henrique Artigas acredita que a tendência é que as campanhas fiquem mais magras. “A cláusula de barreira é relevante para estimular mais gastos no âmbito federal. Já a diminuição dos gastos no âmbito estadual é resultado direto da retirada do financiamento empresarial. Já é esperada uma queda expressiva nas campanhas estaduais. Na majoritária foi muito forte e nas proporcionais também. A tendência é que se continue tendo uma redução nas próximas campanhas”, disse.

Além da mudança no financiamento, o encurtamento do tempo de campanha também contribuiu para a queda dos gastos no âmbito estadual.

“Pulamos de 90 para 45 dias de campanha. Os gastos com programa de televisão e rádio também caíram brutalmente, porque o tempo passou de 60 para 30 dias. Isso por si só, independente dos meios de financiamento, já altera toda a dinâmica da campanha”, disse o professor, que destacou também que a fusão de partidos no próximo ano também vai contribuir para o enxugamento das campanhas. BP

Maioria dos eleitos reduz conta

Dos 20 deputados estaduais reeleitos, 12 diminuíram os gastos nesta eleição, quando comparado com 2014. Percentualmente, o deputado estadual reeleito, Inácio Falcão (PC do B), foi o que mais enxugou os gastos, quando comparados os pleitos de 2014 e 2018. Seguindo o caminho inverso, oito deputados estaduais reeleitos gastaram mais nesta eleição. O deputado Caio Roberto (PR) foi o que mais aumentou os gastos, quando comparados os dois últimos pleitos.

Wilson Filho, eleito deputado estadual este ano, também ampliou em 74% as despesas de campanha em relação ao pleito de 2014, quando ele foi eleito deputado federal.

A reportagem tentou contato com os parlamentares, mas as ligações não foram atendidas, nem as mensagens respondidas. BP

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