terça, 20 de outubro de 2020

Congresso
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Pequenos partidos veem na Lava Jato oportunidade para fugir da cláusula de barreira

André Gomes / 30 de abril de 2017
Foto: AGÊNCIA CÂMARA
Os pequenos partidos veem na Operação Lava Jato uma aliada para fugirem da temida cláusula de barreira que deve valer já para as eleições do próximo ano. Alguns presidentes garantem que políticos de grandes legendas envolvidas diretamente devem procurar as siglas menores como forma de manterem a imagem positiva perante os eleitores.

A tese é defendida pelo presidente do PSL na Paraíba, Tião Gomes. Segundo ele, muitos políticos – que não estão envolvidos no escândalo - não se sentem a vontade estando filiados nos partidos envolvidos em escândalos. “Teremos uma grande mudança depois da lava Jato. A cláusula de barreira não nos preocupa porque teremos o número exigido de votos estabelecido, além de um crescimento significativo no número de filiados”, disse.

Outro presidente de partido que acredita nessa possibilidade é o deputado estadual Genival Matias (PT do B). “Trabalhamos no fortalecimento do partido. Caso venha a reforma o PT do B está se preparando para esse momento. Os políticos devem migrar sim. Os partidos menores tendem a crescer. E cresce quem tem um passado limpo, se organiza e trabalha”, destacou.

Matias disse acreditar no projeto de mudança de nome da sigla que vai passar a se chamar Avante. A modificação tem como objetivo retirar o PT da legenda, tentando se distanciar da lembrança do Partido dos Trabalhadores. “A gente está trabalhando para dar a nossa contribuição. Sobre as filiações, a legenda recebe novos filiados diariamente e já conta com 20 nomes para concorrer ao cargo de deputado estadual e oito para deputado federal. Tivemos bons resultados desde 2010. É tanto que fomos o segundo partido mais votado na Capital só perdendo para o PSB e isso representa o fortalecimento do partido”, disse.

Para o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e cientista político Lúcio Flávio, os partidos pequenos não devem ser beneficiados por conta da ‘fuga’ de políticos de legendas maiores como o PT, PSDB e PMDB. “Quanto ao crescimento desses pequenos partidos creio que não será o caso, pois as maiores legendas sempre terão mais recursos para ganhar as eleições e atrair mais eleitores. É um círculo vicioso”, disse o professor.

De acordo com Lúcio Flávio, o sistema político brasileiro é um dos mais elásticos do mundo. Atualmente existe no Brasil 35 partidos. “O que dificulta a boa governança, pois vivemos num presidencialismo de coalização e, para ter maioria no Congresso Nacional, o presidente tem que dividir os ministérios entre os vários partidos de sua base”, destacou.

Para o professor, a maioria dos pequenos partidos servem apenas como legendas de aluguel e qualquer medida para diminuir o número excessivo das legendas será bom para a democracia.

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