sexta, 26 de fevereiro de 2021

Política
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Compra de votos tem colocado corruptos no poder

André Gomes, Jornal Correio da Paraíba / 28 de maio de 2017
Foto: Divulgação
O Brasil realiza um dos processos eleitorais mais caros do mundo. Um estudo elaborado pelo Senado Federal aponta dois fatores para isso: as questões geográficas e a fragilidade de boa parte do eleitorado, suscetível à influência do poder econômico e das máquinas administrativas, combinada a instrução formal e política limitadas. E isso tem forçado instituições como o Ministério Público Eleitoral e o Fórum de Combate a Corrupção (Focco) a se posicionarem sobre a compra de votos nas eleições. A grande preocupação hoje em dia é com o processo contínuo da compra de votos que acontece mesmo fora do processo eleitoral.

A troca de favores e benefícios doados por políticos torna o processo mais frágil. Apesar dessa fragilidade por parte dos eleitores, o Procurador Regional Eleitoral, Marcos Alexandre Bezerra Wanderley de Queiroga, acredita que a atuação do político na compra de votos é mais condenável.

“Não é possível atribuir a culpa exclusivamente ao eleitor ou ao candidato, visto que o próprio sistema e a mentalidade reinante são indutores das condutas ilícitas. Mas se pudesse apontar, diria que a conduta do candidato é muito mais reprovável sob o ponto de vista moral e jurídico, visto que é alguém que visa ao poder e pretende representar a população e gerir a coisa pública, enquanto que, na maioria dos casos, os eleitores se corrompem por extrema necessidade”, disse o procurador.

Ele acredita que é o combate à corrupção em todas as esferas a solução para se barrar a corrupção do eleitor e do candidato. “É na mudança de mentalidade que se conquistam verdadeiras vitórias, tornando possível frear o ciclo vicioso da compra de votos”, destacou.

Campanhas mais caras na Paraíba

E é por conta dessa fragilidade no processo de relação entre políticos e eleitores é que as campanhas eleitorais na Paraíba têm ficado cada vez mais caras. Só para se ter uma ideia, a última campanha dos candidatos eleitos para as doze cadeiras na Câmara dos Deputados e uma para o Senado custaram R$ 50,4 milhões, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Marcos Alexandre disse que a mudança mais difícil é a mudança de mentalidade. Para ele, esse é o grande desafio. Mudar a mentalidade dos eleitores e candidatos. “Todavia, não se pode esperar uma mudança espontânea, infelizmente. É preciso educar, fiscalizar, impedir e punir a compra de votos no Brasil. Sob esses aspectos, temos experimentado uma evolução no combate à corrupção eleitoral (compra de votos). Sem dúvida alguma, se puder escolher o elemento mais importante no combate à compra de votos diria que é a educação da população", ressaltou.

Ele acrescenta também que “nesse ponto, em matéria de educação, não se nega que a maior lição é o exemplo. O exemplo é a forma mais eficaz de educação. Aqui não se reduz o termo educação ao conhecimento que se adquire na escola, mas sim à mais ampla noção de cidadania que deve nortear o eleitor. É a consciência de seus direitos e deveres”.

De acordo com o procurador, o maior exemplo ao eleitor deve vir de cima, dos governantes. “O Brasil vive um momento político conturbado, em meio a investigações e punições alcançando diversas figuras públicas (setor político) e habituais financiadores de campanha (setor econômico). Há um cenário de insegurança e desconforto para os próprios políticos, gerando inclusive um aparente vácuo de lideranças aptas a enfrentarem as próximas eleições”, afirmou.

Muita gente acha normal

A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Paraíba (OAB-PB), defende o combate da corrupção e compra de votos de uma forma intransigente. Segundo o presidente Paulo Maia, a OAB sempre adotou uma posição contrária e de confronto a todo e qualquer tipo de corrupção. “Eu vejo a corrupção como uma forma endêmica. São coisas pequenas, mas que muita gente acha normal”, disse o presidente. Para Paulo Maia, a correção, a probidade e a honestidade devem ser colocadas desde as pequenas coisas.

“Agora, a corrupção macro, aquela corrupção que atinge a sociedade como um todo, essa tem que haver um combate intransigente, mas também haver uma mudança de cultura de não se aceitar os jeitinhos, os arrumados, de não haver os critérios de conveniência”, destacou.

Paulo Maia observa que a corrupção existe no mundo todo, agora em alguns países existe um índice menor e outros um bem maior como no caso do Brasil. Maia disse que é essencial se criar uma cultura paulatina, institucional, mas também por cada cidadão de dizer não a tudo que se possa implicar em corrupção. O presidente Paulo Maia disse que o Brasil vem avançando nos últimos anos no combate a corrupção e no aperfeiçoamento das instituições. De acordo com ele, a OAB se coloca ao lado da sociedade e do povo brasileiro e das instituições democráticas no aperfeiçoamento de canais e mecanismos que vão diminuindo e erradicando a corrupção.

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