quinta, 27 de junho de 2019
Política
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Cartaxo desiste do Governo e abre espaço para Cássio

Adelson Barbosa e Nice Almeida / 02 de março de 2018
Foto: Reprodução
A decisão do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), de não disputar o Governo do Estado e permanecer na Prefeitura fortalece, em um primeiro momento, as já postas candidaturas de João Azevedo (PSB) e de José Maranhão (MDB).

E coloca na engrenagem da disputa o nome do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), embora ele não tenha se manifestado, claramente, até essa quinta-feira (1º), sobre tal possibilidade. À jornalista Nice Almeida, editora do Portal Correio, Cássio desconversou sobre uma possível candidatura e afirmou que só vai falar depois de uma conversa com Luciano Cartaxo.

Mesmo com a resistência do tucano em falar sobre a questão, o presidente estadual do PSDB, Ruy Carneiro, admitiu que o senador seria o nome das oposições. “O nome do senador Cássio, é, sim, um grande nome para entrar nessa disputa”, disse Ruy em entrevista à repórter Sandra Macêdo, da rádio 98,3 FM, após dizer que o partido aguardará o posicionamento do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, que também está no páreo.

Outra alternativa do PSDB seria o nome do deputado federal Pedro Cunha Lima, filho de Cássio, para disputar o Palácio da Redenção. Procurado pela reportagem, o deputado preferiu não se pronunciar antes de conversar com o prefeito da Capital e com integrantes do PSDB.

Cartaxo oficializou sua decisão, quinta-feira (1º), por volta do meio dia, em pronunciamento para aliados que lotaram um pequeno auditório de um hotel na Orla de Tambaú. Antes, ele divulgou uma carta pelas redes sociais se justificando.

Não deixou claro os reais motivos, mas, nas entrelinhas, deixou transparecer que a decisão se deu porque não teria sentido firmeza no apoio do grupo Cunha Lima, nem confiaria no vice, Manoel Júnior (MDB), muito ligado ao grupo.

Com a decisão, Cartaxo será o fiel da balança e deve ser procurado pelo PSB, MDB e pelo próprio PSDB. Tem dois nomes que podem ser oferecidos para a composição de chapas para o Governo e o Senado: Lucélio Cartaxo (seu irmão) e Maísa (sua esposa).

Durante o rápido pronunciamento, ele disse que fez o dever de casa para consolidar sua candidatura: visitou todas as regiões do estado, a convite de prefeitos para troca de experiências.

“E percebi o sentimento do povo. Tanto que todas as pesquisas de intenções de voto me colocam em primeiro lugar. Isso é fruto do reconhecimento de um trabalho”, disse.

"Tudo na vida tem um prazo"

Cartaxo afirmou que desenvolveu um diálogo com os partidos políticos que integram sua base política e que todos foram contemplados na sua gestão à frente da Prefeitura de João Pessoa.

“Cumprir compromissos é a marca do nosso trabalho. Um trabalho que teve o coração envolvido e que apresentou um diálogo franco com os partidos”, disse. E, demonstrando ressentimento, lembrou os prazos que fixou para que as lideranças da oposição tomassem a iniciativa de lançar o nome apropriado na disputa do Governo.

“Tudo na vida tem um prazo. Em nenhum momento eu impus meu nome, mesmo estando em primeiro lugar, com o melhor perfil, segundo os eleitores. Colocamos que o mês de janeiro seria o prazo ideal para tomarmos uma decisão definitiva, por causa da curta campanha. Era fundamental chegarmos a janeiro com a decisão tomada. Outra coisa era a necessidade de unidade das oposições, com cada partido apresentando seu candidato”, disse Cartaxo, acrescentando que o escolhido teria o apoio de todos, em nome da unidade.

Cássio ainda quer entender

O senador Cássio Cunha Lima disse, nessa quinta-feira (1º) à tarde, ao desembarcar no Aeroporto Castro Pinto, no município de Bayeux, na Grande João Pessoa, que foi surpreendido com a decisão de Luciano cartaxo e que vai tentar uma conversa com o prefeito. Cássio estava acompoanhado do filho, o deputado federal Pedro Cunha Lima.

“Eu fui surpreendido com essa decisão, assim como todos os outros. Eu estava vindo para cá quando fiquei sabendo desse anúncio e gostaria que você me compreendesse que só pretendo me pronunciar depois de conversar com Cartaxo”, informou o senador, confirmando que irá procurar o prefeito pessoalmente.

A surpresa de Cássio vem do fato de que Cartaxo era um dos nomes mais cotados para entrar na briga pelo Palácio da Redenção em uma chapa que deveria unificar as oposições, mas que agora fica rachada, já que além da desistência do prefeito o senador José Maranhão (MDB) já fincou seu nome para a disputa.

Com esses nomes fora da lista de unidade das oposições resta o nome do prefeito Romero Rodrigues (PSDB) e do próprio senador Cássio, que já vem sendo cotado para entrar na disputa mais uma vez. Porém, o parlamentar também não quis comentar sobre isso.

O presidente estadual do PSDB, Ruy Carneiro, não descartou a possibilidade de, com essa desistência, o senador Cássio Cunha Lima vir a entrar na briga pelo Palácio da Redenção.

Com a desistência de Cartaxo, as pretensões eleitorais se afunilam. O PSDB havia prometido a decisão para o pós-carnaval e agora o encontro da cúpula tucana deve ser tratado com mais rapidez e urgência para que o nome a ser lançado seja logo conhecido e fortalecido.

 

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