quarta, 14 de novembro de 2018
Política
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Candidatos à Presidência renovam discursos e tentam refazer imagem para o 2º turno

Arthur Araújo / 13 de outubro de 2018
Foto: Reprodução/Jornal CORREIO
A defesa da democracia e a prevenção de uma ameaça comunista. Estes foram os motes utilizados pelos candidatos à presidência da república nas primeiras inserções da propaganda eleitoral. De volta ao ar nessa sexta-feira (12) no rádio e na TV, o horário eleitoral gratuito trouxe candidatos que guardam diferenças substanciais em relação ao primeiro turno. Fernando Haddad deixa de ser o candidato do PT, passando na incorporar a imagem de representante do campo democrático. Jair Bolsonaro (PSL), por sua vez, tenta fugir do estigma de machista e violento, apostando em uma imagem mais sensível e familiar.

O horário eleitoral se estenderá, neste segundo turno, por um período de 14 dias, indo até 26 de outubro. As inserções ocorrem duas vezes ao dia em cada uma das mídias. No rádio ele entra no ar às 7h e às 12h, já na televisão às 13h e às 20h30. O grande diferencial nesta fase da campanha é a igualdade de tempo para as propagandas dos dois candidatos, o que significa pouco mais de 5 minutos para cada um. No primeiro turno, o candidato do PT teve direito a 2min23s enquanto o do PSL contou com apenas 8s.

Haddad encampa bandeira da democracia

Fernando Haddad aparece, no segundo turno, menos petista que nunca. A começar pelo distanciamento da imagem de Lula, que não aparece mais no guia. A estratégia é novidade depois de um primeiro turno focado no lema “Lula é Haddad”, e que ajudou a transferir boa parte das intenções de votos do ex-presidente para o seu correligionário.

Outro fator são as novas cores da campanha, que passam do vermelho para o verde e amarelo da bandeira nacional. Mais do que isso, Haddad também incorpora o nacionalismo em seu discurso. “Vou ser o presidente do povo brasileiro que vai defender o nosso território, nossas riquezas e nossa soberania”, afirmou. Com isso, o presidenciável espera atrair eleitores que não estiveram com ele no primeiro turno. “Mesmo que você tenha votado em outro candidato, eu quero conversar com você. Esta campanha não é só de um partido, é de todos que querem mudar para melhor o nosso país”, convoca.

O grande mote do guia petista, no entanto, foi a bandeira da democracia em oposição ao medo de uma ameaça autoritária, representada por Bolsonaro. O guia explora a onda de violência que tomou o país na reta final do primeiro turno, destacando os 50 ataques de eleitores do candidato do PSL a opositores.

Entre eles foram destacados os casos do mestre de capoeira baiano que sofreu 12 facadas e de uma garota que teve uma suástica (símbolo do regime nazista) gravada na pele. A mensagem é reforçada por uma fala do próprio Bolosnaro, proferida durante um evento de campanha no Acre, um dos últimos antes do atentado que sofreu. Em sua fala, o candidato do PSL convocava sua militância a fuzilar petistas.

Um tom propositivo também toma o segmento final do guia, puxado pela ideia de que os livros são a solução para o país não armas. A propaganda traz projetos implantados por Haddad enquanto ministro, como o Prouni e o Fies, e novas propostas, principalmente nas áreas de educação, emprego e renda. “Meu sonho é oferecer para os brasileiros a oportunidade. Pelo menos uma oportunidade: ou de trabalho ou de educação. É um livro numa mão e a carteira de trabalho na outra”, afirmou o candidato.

Bolsonaro se apresenta como humano e família

Jair Bolsonaro, por sua vez, traz em seu guia a tentativa de desconstrução da imagem de violência e machismo que a ele é associada. Para isso, foca em um ponto utilizado contra ele pelo movimento de mulheres no primeiro turno: o fato de ter dito que ter uma filha mulher teria sido uma fraquejada. No guia desta sexta, Bolsonaro fala em tom emocionado sobre o nascimento da filha Laura.

Anunciando uma confissão, o candidato contou que já tinha passado por uma cirurgia de vasectomia quando casou com a atual esposa, mas que desfez a cirurgia pelo desejo dela de ter um filho com ele. “Criar um filho homem é fácil Vai jogar bola dá um carrinho nele, fala palavrão também, quando vê uma mulher nascer é completamente diferente. Mudou sim muito a minha vida coma chegada da Laura e eu agradeço muito a minha esposa por ela”.

Apesar da guinada, outros símbolos que marcaram presença no primeiro turno continuam sendo usados dentro da estratégia de campanha do candidato do PSL, principalmente os de viés religioso. O guia traz menções frequentes a Deus, à família e aos valores morais. Bolsonaro é apresentado como o candidato que utilizou seu mandato para a defesa desses valores, além de ser associado à honestidade e a honra.

A facada sofrida durante o primeiro turno também foi lembrada. “Começamos essa caminhada com uma simples mensagem: gratidão. A Deus, em primeiro lugar, pela vida de Bolsonaro. Tentaram tirá-lo de combate, mas a sua pontuação só aumentou”, disse o locutor do vídeo. Ao adversário, o PT, críticas não faltaram. O guia do PSL bate na tecla que associa o partido à corrupção, ao desemprego e à crise econômica. A sigla ainda é relacionada aos governos de esquerda latino-americanos como os de Cuba e da Venezuela, apontados como países pobres e devastados.

Em seus primeiros minutos, o guia lembra a comemoração mundial com a queda do muro de Berlim e a derrota do comunismo na Europa, além de destacar a participação de Lula na criação do Fórum de São Paulo. Na tentativa de se contrapor a isso, Bolsonaro mantém a estratégia de se aproximar das cores e símbolos nacionais. O verde e o amarelo é posto em antagonismo ao vermelho do PT e o hino nacional aparece ao final em ritmo de forró pé de serra, aceno ainda discreto ao eleitorado nordestino, região de maior resistência ao nome do candidato.

 

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