quinta, 18 de abril de 2019
Política
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Bancada federal inicia mandato com o pé atrás para votar reformas

Adriana Rodrigues / 20 de janeiro de 2019
Foto: Gervásio Baptista/Arquivo Agência Brasil
A 12 dias para assumir o mandato parlamentar no Congresso Nacional, a maioria dos integrantes da bancada federal da Paraíba, mesmo na condição de governista, vai iniciar as atividades legislativas com o pé atrás. Vai esperar pelo que vem pela frente, sob o argumento “de ouvir a voz do povo” e analisar o conteúdo das propostas.

Não se sabe se será gritaria ou aplausos. O fato é que os novos parlamentares apostam no Governo do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL), a exceção são os deputados federais diplomados Gervásio Maia (PSB) e Frei Anastácio (PT), e o senador diplomado Veneziano Vital do Rêgo (PSB), que dizem que como integrantes da oposição vão fiscalizar as ações governamentais e atuar de forma propositiva, sem intransigência, mas com muito senso crítico no que for apresentado para votação.

Entre as pautas prioritárias a serem cogitadas para discussões já neste primeiro semestre estão as tão propagadas reformas previdenciária e tributária. Mas não se sabe ainda se essas pautas vão realmente vingar, e os novos integrantes da bancada federal preferem ter cautela e esperar as definições e como as questões serão postas para votação.

Campeão de votos para Câmara dos Deputados, Gervásio Maia, atual presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), disse que fará uma oposição zelosa e responsável ao Governo Federal, e que tomará posições de forma conjunta, não só com a bancada do seu partido, mas com os anseios dos paraibanos.

“Qualquer decisão que venha a tomar será em plena concordância do povo paraibano. Não tomarei nenhuma decisão que venha a contrariar ao meu partido e principalmente à população da Paraíba, a quem vou representar”, comentou.

O socialista disse, ainda, que “nossas decisões serão pautadas no sentimento do povo. Por enquanto não tenho como dizer se serei contra ou a favor, só quando do caso concreto”, garantiu Gervásio, com quatro mandatos na ALPB e o seu quinto, agora será na Câmara federal.

Retornando à Casa, o deputado diplomado Ruy Carneiro, que também é presidente do PSDB na Paraíba, disse que qualquer tema que chegar à Câmara vai fazer a análise minuciosa antes de qualquer tomada de decisão. “Todas essas reformas são importantes. Afora o conteúdo da proposta é que vai decidir o meu voto”, afirmou.

De acordo com Ruy Carneiro, é preciso fazer uma análise muito consciente a respeito de cada proposta que será apresentada. “A reforma da previdência, por exemplo, eu acho que vai ser a primeira a ser votada, é uma reforma necessária, porque a perspectiva de vida está aumentando e, consequentemente, a de aposentadoria tem que aumentar”, comentou.

O futuro parlamentar ressaltou, que há certos nichos da sociedade que ainda conta com muitos benefícios, por isso é importante que o Governo tenha coragem de cortar dos privilegiados e não queira cortar dos que mais precisam, dos que tem necessidades. “Se for para sacrificar o pequeno em detrimento de grande para mim não vai funcionar, votarei contra”, revelou.

Posicionamento



De acordo com Veneziano, há situações com as quais ele não concordava e nem concorda. “Então qualquer palavra minha neste sentido, sem que ainda não saibamos qual o teor que será apresentado, do que será aproveitado da proposta inicial, seria uma precipitação”, comentou.

Já em relação à Reforma Tributária, o futuro senador disse que sempre defendeu, tanto durante a atuação parlamentar na Câmara dos Deputados, quanto na campanha eleitoral para o Senado, que ela deveria ter sido a primeira a ser deliberada como medida emergencial para conter a crise financeira, fiscal e econômica do País.

“Nós estamos vendo já neste início de ano a mesma cantilena, de anos anteriores. Os Estados, um deles Mato Grosso, já vai propor a Assembleia Legislativa estado de calamidade financeira, e assim por diante. Além de outros fatores, como a malversação, a má gestão fiscal, também existe uma desigual divisão do bolo orçamentário que não permite que os Estados e os municípios tenham uma vida saudável, em termos de obrigações, que são cada dia que passa maiores”, argumentou.

A deputada federal diplomada Edna Henrique (PSDB), única mulher eleita para integrar a bancada federal da Paraíba, disse que só irá se posionar sobre as propostas de reformas previstas para serem apresentadas neste primeiro semestres, após escutar a população. “Nossa bandeira será sempre a da população. Esse foi e é um compromisso que teremos as pessoas que por maioria acreditaram no projeto, na nossa palavra. Iremos defender sempre a bandeira da vontade , do povo”, afirmou a futura parlamentar, que já foi prefeita da cidade de Monteiro.

Já o deputado diplomado, Julian Lemos (PSL), principal articulador político do presidente Jair Bolsonaro no Estado e no Nordeste, disse que prefere aguardar como as coisas irão se apresentar na Câmara e só vai se posicionar a partir dos casos concretos e quando da tramitação na Casa.

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