domingo, 16 de maio de 2021

Política
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Antissistema faz PSL deixar os ‘nanicos’ e ficar no topo

André Gomes / 14 de outubro de 2018
Foto: Reprodução
O desgaste da classe política e discurso do antissistema atrelado a questão da insegurança colocaram o PSL, partido considerado nanico, no topo do Congresso Nacional. Especialistas acreditam que parte do fenômeno de renovação no Legislativo pode ser atribuída à candidatura de Bolsonaro à Presidência. Depois que ele entrou no nanico PSL para concorrer nas eleições, a sigla registrou um crescimento meteórico da bancada – na maior parte com políticos novatos.

O recorte por partido mostra que o PSL foi o que mais agregou novos nomes à Câmara. A bancada tem hoje oito deputados e crescerá para 52 a partir do ano que vem. Desse total, 47 nunca haviam ocupado esse cargo.

O professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e cientista político, Lúcio Flávio, destacou que Bolsonaro conseguiu ser um fenômeno político de grande envergadura porque se apresentou como o antissistema. “Daí o crescimento do seu partido, tornando-se na segunda maior bancada na Câmara Federal. Essa avalanche de votos dados ao ex-capitão Bolsonaro também refletiu-se na Paraíba”, destacou.

Nos dois maiores colégios eleitorais, João Pessoa e Campina Grande, Jair Bosolnaro ganhou do candidato do PT, Fernando Haddad. “Esse fato ajudou a fortalecer o PSL no estado, elegendo deputado federal que nunca havia exercido qualquer cargo eletivo”, afirmou, destacando que o eleitorado mandou um forte recado aos políticos tradicionais. Os maiores partidos (PT, PSDB, MDB, PP) tiveram suas bancadas reduzidas no Congresso Nacional.

O professor lembrou ainda que nomes de destaque como Dilma Rousseff e Romero Jucá, apenas para ficarmos em dois exemplos do espectro político, não foram eleitos. “Isso se deve ao profundo desgaste político advindo com a operação Lava Jato. Durante 4 anos, as principais lideranças dos partidos foram engolfadas pela maré de corrupção”, lembrou, afirmando que “a crescente violência nas cidades e no meio rural fez com que a população buscasse uma solução rápida e eficaz para diminuir a criminalidade”.

Lúcio Flávio destacou que foi dentro desse cenário, surgiu Jair Bolsonaro que, apesar se ser deputado por três décadas, conseguiu encarnar a imagem do herói redentor contra os políticos corruptos, integrantes da esquerda e criminosos. Segundo o professor, Bolsonaro aparece para o eleitorado como um outsider, fora do esquema tradicional da política. “Cabe lembrar que, em 1989, o candidato Collor também incorporou esse papel, se autodenominando “caçador de marajás” e, com esse discurso, conseguiu vencer Lula no segundo turno”, disse o professor.

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