quinta, 21 de março de 2019
Política
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Ano de 2018 é marcado pelo combate à corrupção

Adriana Rodrigues / 30 de dezembro de 2018
Foto: Imagem ilustrativa
O ano de 2018 vai ficar marcado na história da Paraíba como o ano de combate à corrupção. É o que afirma o promotor de justiça Octávio Paulo Neto, coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB), ao apresentar um balanço das ações do órgão com um grande número de operações, muitas delas com vários desdobramentos.

De acordo com Octávio Paulo Neto, das 18 grandes operações conduzidas pelo MPPB em 2018, metade foi direcionada ao combate direto à corrupção, algumas delas com vários desdobramentos, a exemplo da Operação Xeque-mate em Cabedelo, que já está em sua quarta fase.

Até agora, além de 18 denúncias formuladas, com 139 pessoas denunciadas, envolvendo gestores e servidores, incluindo o afastamento e prisão do prefeito de Cabedelo, Leto Viana (PRP) - que depois renunciou - e mais da metade da bancada de vereadores na Câmara Municipal.

A atuação do órgão, também desvendou casos de corrupção na administração pública em outros municípios, a exemplo de Patos, Tavares e até em relação a atos praticados pela ex-prefeita do Conde, Tatiana Correa, que também foi presa.

Em entrevista ao Programa Correio Debate, da TV Correio, o promotor destacou que apesar do grande número de operações deflagradas este ano em parcerias com outros órgãos, muitas delas ainda em andamento e com novos desdobramentos, a maior arma para combater a corrupção e, até mesmo reduzir essa prática que está arraigada na sociedade, é a conscientização da população, a participação política e a transparência pública.

“A população deve ter um certo grau de esclarecimento, se vestir de cidadania, e efetivamente se portar contrária a este tipo de prática. Precisamos internalizar na população uma cultura de maior cuidado com a coisa pública e o negócio público. Esses atos ilícitos que ainda vemos é resultado do desapego ao acompanhamento da gestão. O cidadão tem que ter o entendimento que as coisas e o acompanhamento da gestão são feitas para ele e voltadas para ele. E que ele é o patrão e é ele que tem que cobrar”, afirmou.

População mais presente



Para o coordenador do Gaeco, os atos de corrupção só vão ficar em níveis aceitáveis quando a população estiver presente, através do voto ou de iniciativas populares e de mobilizações. Ele ressaltou que o mundo está passando por várias processos de transformações, como agora está acontecendo os Coletes Amarelos, na França; a Primavera Árabe, a Revolução das Panelas, na Islândia, na Praça Del Sol, na Espanha, entre outras, onde a população teve papel preponderante na relação do Estado cidadão.

“Então, é necessário que no Brasil, aquele momento de 2013, em que a população saiu às ruas para protestar, se faça presente com atividade cidadã. O povo tem que se ocupar e se informar. A vida pública não diz respeito somente ao político, à população tem que acompanhar isso diuturnamente, porque só vamos ter País aceitável quando todos nós pudermos andar de ônibus; quando todos os nossos filhos puderem estudar em escola pública, quando todos puderem usufruir do Estado em sua plenitude de serviços”, declarou.

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