sábado, 05 de dezembro de 2020

Política
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Alvos de operação da PF, Eduardo Cunha e Renan Calheiros se defendem

Redação com Folhapress / 15 de dezembro de 2015
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Alvos da operação deflagrada nesta terça-feira (15) pela Polícia Federal, os políticos com envolvimento na Lava Jato se defenderam. O advogado de Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara, Marcelo Nobre, afirmou que a operação só reforça a tese da defesa.

"Isso [a ação da Polícia Federal e do Ministério Público] só reforça a nossa defesa, só reforça. Porque a defesa tem dito duas questões: que não tem prova. E o que decorre da busca e apreensão na casa do meu cliente? A busca de prova. A segunda, a de que o Conselho não tem o poder investigativo, que é do Supremo Tribunal Federal", afirmou Nobre, acrescentando: "Não existe absolutamente prova nenhuma, porque a denúncia não faz prova, as delações não fazem provas."

Em nota do Ministério da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera disse manifestar "pleno interesse" no esclarecimento dos fatos investigados e se colocou à disposição das autoridades para fornecer quaisquer informações necessárias. "E, desde já, abre mão espontaneamente do sigilo constitucional que protege seus dados de natureza bancária e fiscal. Pansera está certo de que o andamento das investigações estabelecerá a verdade", diz a nota do ministério.

Fernando Bezerra afirmou que reitera sua confiança na Polícia Federal e acredita no pleno esclarecimento dos fatos.

"O senador reitera sua confiança no trabalho das autoridades que conduzem este processo investigatório, acreditando no pleno esclarecimento dos fatos, e continua, como sempre esteve, à disposição para colaborar com os ritos processuais e fornecer todas as informações que lhe forem demandadas", disse em nota.

Questionado sobre o pedido de busca e apreensão contra si, e que foi negado pelo STF, Renan Calheiros afirmou que não tinha ainda a confirmação sobre a informação e disse que prestou todas as informações que foram a ele pedidas.

Renan confirmou que a sessão conjunta do Congresso, marcada para a noite desta terça (15), está mantida. Ela foi convocada para que os parlamentares pudessem votar cinco vetos e a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

A operação

Em nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira (15), a Polícia Federal mira os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) e os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Fernando Bezerra (PSB-PE).

Outros dois inquéritos que também foram alvo das ações desta terça ainda são sigilosos. Ao todo, 53 mandados de busca e apreensão foram emitidos para endereços de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Pará, Ceará e Alagoas.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, são nove os políticos com foro privilegiado alvo desta operação.

Foram emitidos mandados de busca e apreensão que atingiram inclusive imóveis de Cunha, incluindo endereços no Rio, sua residência oficial em Brasília e a diretoria-geral da Câmara, órgão responsável por fechar contratos e ordenar despesas. Três celulares de Cunha foram apreendidos. Ministros também tiveram buscas em seus endereços.

Os policiais foram autorizados a acessar dados de computadores, smart phones, celulares em geral, tablets e outros dispositivos eletrônicos e a apreender aparelhos eletrônicos, anotações, registros contábeis e comunicações realizadas entre os investigados.

Renan chegou a ter um pedido contra si, feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Não há, ao menos por ora, prisões na etapa atual da operação, chamada Catilinárias.

O nome da operação é referência a uma série de discursos proferidos pelo cônsul romano Cícero por volta de 63 a.C. contra o senador Catilina, acusado de tentar derrubar a República.

MINISTROS

Dois ministros peemedebistas foram alvo da ação da PF: Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo). Fábio Cleto, um dos principais operadores de Cunha e que ocupava uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal até a semana passada, também, além de Altair Alves Pinto, apontado como responsável por transportar valores para o parlamentar.

Buscas ocorreram ainda na sede do PMDB em Alagoas e em endereços do deputado Aníbal Gomes, apontado como interlocutor do presidente do Senado.

Outros atingidos pelas buscas são o senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB-MA) –investigado pela Lava Jato–, Nelson Bornier (PMDB-RJ), prefeito de Nova Iguaçu e aliado de Eduardo Cunha, Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, o deputado do Rio de Janeiro Áureo (SDD) e o deputado federal Alexandre Santos (PMDB-RJ) –ele foi foi citado nos depoimentos do delator Fernando Soares por suposta influência em uma das diretorias da Petrobras, de acordo com reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo".

Santos foi filiado ao PSDB entre 1994 e 2003, mudou para o PP entre 2003 e 2005, e desde então está no PMDB. Baiano disse que foi apresentado por ele a Cunha em 2009.

Em São Paulo, um dos alvos da busca foi o escritório do empresário Lucio Bolonha Funaro, ligado a Cunha. O peemedebista e deputados ligados ao peemedebista são acusados perseguir empresas do grupo Schahin a pedido de Funaro.

A sede da empresa Estre em São Paulo –que tem como sócios o BTG Pactual, de André Esteves, e o fundador do grupo, Wilson Quintella Filho– também foi alvo de busca e apreensão na manhã desta terça.

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